CRÔNICA - OVO: O SILÊNCIO QUE GUARDA A VIDA
Hoje, ao tomar meu café da manhã — ou, como diriam em Portugal, o “pequeno almoço” — meus olhos se detiveram diante de um simples ovo cozido. Nesse gesto banal, encontrei matéria para refletir sobre a dicotomia que atravessa todos os aspectos da existência: a tensão entre o físico e o espiritual. A fragilidade, lembrando a “insustentável leveza do ser”, e a fortaleza, evocando o bíblico “tudo posso naquele que me fortalece”, se entrelaçaram diante de mim como metáfora viva.
No reflexo embranquecido da casca repousa um universo inteiro. O ovo, discreto e aparentemente frágil, carrega em si a promessa de movimento, de respiração, de futuro. É curioso pensar que tanta potência se esconda em algo tão pequeno, guardado por uma película de silêncio que só se rompe no tempo certo. Ali dentro, a vida se prepara sem pressa, como quem sabe que nascer é mais do que um instante: é um rito de passagem entre o invisível e o visível, entre o mistério e a revelação...
