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A Black Friday nasceu nos Estados Unidos como o dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, marcado por grandes descontos no varejo. No Brasil, chegou em 2010 e rapidamente se tornou um dos momentos mais importantes para o comércio eletrônico e físico.
O nome surgiu nos anos 1960, quando policiais da Filadélfia usaram a expressão para descrever o caos do trânsito e das lojas lotadas após o feriado.
Na última sexta-feira de novembro, os Estados Unidos acordam com filas dobrando esquinas, vitrines iluminadas e consumidores ansiosos. É a Black Friday, um ritual que mistura consumo e tradição. O nome, curioso e até sombrio, nasceu nos anos 1960, quando policiais da Filadélfia se referiam ao trânsito caótico e às multidões que invadiam as lojas após o feriado de Ação de Graças. Com o tempo, o termo deixou de ser sinônimo de confusão para se tornar símbolo de oportunidade: descontos generosos, estoques renovados e o início não oficial da temporada natalina.
No Brasil, esse movimento desembarcou em 2010, trazido pelo avanço do comércio eletrônico e pela influência das grandes redes internacionais. Rapidamente, a data ganhou força, transformando-se em um marco do calendário varejista. Se nos Estados Unidos a tradição é física, com consumidores disputando televisores e eletrodomésticos nas madrugadas, por aqui o fenômeno se consolidou sobretudo no ambiente digital. Em 2024, por exemplo, a Black Friday movimentou quase R$ 8 bilhões apenas no comércio online.
Mas há diferenças que revelam muito sobre cada cultura. Nos Estados Unidos, a Black Friday é quase um ritual familiar: depois do peru e da mesa farta do Dia de Ação de Graças, vem a corrida às lojas. No Brasil, ela se tornou um evento, sem nenhum cunho religioso, de expectativa nacional, onde consumidores planejam compras, comparam preços e, muitas vezes, desconfiam das famosas “metades do dobro”. Ainda assim, é um momento de esperança: para o comércio, representa fôlego no fim do ano; para o consumidor, a chance de realizar desejos antes inalcançáveis.
O paralelo é curioso: lá, a Black Friday nasceu do caos urbano e virou tradição; aqui, nasceu da internet e virou estratégia. Em ambos os casos, revela a mesma essência — o encontro entre desejo e oportunidade, entre consumo e cultura.
E assim, entre vitrines americanas abarrotadas e carrinhos virtuais brasileiros lotados, a Black Friday mostra que, mais do que uma data de descontos, é um espelho de como cada sociedade transforma o ato de comprar em um ritual coletivo.
Getúlio Medeiros é filólogo, professor de línguas estrangeiras modernas e juazeirense de coração.
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