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Não sou gramático, nem pretendo ser. Sou apenas um filólogo interessado em tornar a língua mais próxima da oralidade. Lecionei inglês avançado, fonética, filologia e literatura em escolas de idiomas de Juazeiro e Petrolina, sempre buscando aproximar teoria e prática.
Minha proposta é uma reforma no ensino da língua portuguesa, especialmente na morfologia e nas classes gramaticais. A gramática tradicional, marcada pela herança latina, tornou-se complexa e pouco acessível para quem não tem contato prévio com essa estrutura. O ensino da língua, mediado por categorias latinas, perdeu ainda mais sentido quando o latim foi retirado do currículo secundário em 1961, pela primeira LDB.
Diante disso, defendo uma metodologia mais simples e intuitiva. Inspirando-me no ensino do alemão para crianças, sugiro atualizar a terminologia gramatical. Termos como “pretérito” poderiam ser substituídos por expressões mais claras, como “tempo passado”.
Assim, teríamos:
- Tempo passado acabado: ações concluídas — eu comi a maçã;
- Tempo passado inacabado: ações habituais ou com reflexo no presente — eu comia maçã quando era criança.
Essa simplificação preserva a precisão, mas reduz barreiras iniciais, tornando o aprendizado mais prático e acessível.
A divisão clássica das palavras permanece:
- Variáveis: mudam de forma (gênero, número, pessoa, tempo, modo).
- Invariáveis: mantêm forma fixa.
Dentro dessa lógica:
1. Classes principais (núcleo):
- Substantivos: nomeiam seres, objetos, ideias e sentimentos.
- Verbos: indicam ações, estados ou fenômenos no tempo.
2. Satélites (atributos do núcleo):
- Artigos: determinam ou indeterminam substantivos.
- Adjetivos: qualificam substantivos.
- Numerais: expressam quantidade ou posição.
- Pronomes: substituem ou acompanham substantivos.
- Advérbios: modificam verbos, adjetivos, advérbios ou orações.
3. Conectores (estrutura da sintaxe):
- Preposições: estabelecem relações entre palavras.
- Conjunções: conectam palavras ou orações.
- Interjeições: exprimem emoções ou reações imediatas.
Por esse caminho teríamos (a) a simplificação da nomenclatura: termos mais intuitivos (ex.: “satélites” em vez de “classes secundárias”), (b) agrupamento funcional: blocos que evidenciem o papel de cada classe na oração, (c) valorização da oralidade: exemplos retirados da fala cotidiana, e (d) flexibilidade pedagógica: adaptação conforme o nível dos alunos.
Essa reformulação busca desengessar o ensino da gramática, tornando-o mais acessível, democrático e prazeroso. Ao alinhar teoria e prática, promove-se uma gramática que valoriza a voz popular e fortalece o aprendizado significativo.
Getúlio Medeiros é filólogo, professor de línguas estrangeiras modernas e juazeirense de coração.
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