Foram encontrados 65 registros para a palavra: Getúlio Medeiros

Crônica - NORMATIVIDADE GRAMATICAL: A Língua Brasileira Precisa de Reforma

Ao analisar comentários disponibilizados em redes sociais, observa-se uma preocupação excessiva com a forma de escrever e pouca atenção ao fato de que, apesar das diversas normatizações já realizadas, a escrita utilizada ainda hoje remonta ao início do século XX, quando Portugal promoveu unilateralmente sua primeira reforma após a Proclamação da República naquele país.

No caso brasileiro, de outra banda, a primeira tentativa de reunificação linguística resultou no Formulário Ortográfico de 1943, que aboliu o acento gráfico das palavras terminadas em “i” e “u” tônicos (como em “tupi” ou “caju”), desde que não fossem precedidos por outra vogal (como em “açaí” ou “baú”). Naquele período, também se recomendava que os nomes de dias, meses e estações do ano fossem grafados com iniciais minúsculas, regra desprezada por quem deveria cuidar exclusivamente da educação e disciplina escolar...

Crônica - LÍNGUA, CULTURA E PRECONCEITO: A Diferenciação Linguística no Brasil

A discriminação do nordestino no Sudeste e Sul brasileiros tem razão histórica, uma vez que, a partir de meados do século XIX, a imigração galega e dos nortistas portugueses para o Brasil intensificou-se, a ponto de provocar emulação nos “alfacinhas”(1) já radicados aqui. Dessa forma, o termo “galego”, aplicado tanto ao imigrante da região da Galícia (Espanha) quanto àquele procedente do norte de Portugal, muitas vezes assumia o significado pejorativo de “estrangeiro” em terras brasileiras.  

Como os galegos que vinham para o Brasil trabalhavam normalmente em ofícios humildes, o vocábulo “galego” adquiriu conotação negativa, principalmente pela língua falada que, apesar de mais próxima do português do que o espanhol, apresentava evidentes diferenças conotativas e denotativas: “atopei-me con ela” (em português, “encontrei-me com ela”). Quem nunca “topou” numa pedra, quando criança?..

Crônica - FILOSOFIA, TEOLOGIA E COSMOLOGIA: Quando o nome do Senhor é escrito no Universo.

Durante minha primeira e única viagem a Israel, em meio aos dias turbulentos da primeira Intifada, o país parecia respirar uma mistura de medo e esperança. As ruas estavam cheias de soldados, barricadas e olhares desconfiados, mas também havia crianças brincando, mercados funcionando e a vida insistindo em seguir. Era como se cada esquina revelasse o contraste entre a fragilidade humana e a força da sobrevivência.

Foi no saguão do Hotel King David, em Jerusalém, que tive um encontro marcante com o rabino Ben Shlomo. Eu e meu parceiro, José Luiz Boaventura, éramos os únicos católicos de um grupo de evangélicos, capitaneado pelo Pr. Átila Brandão. O ambiente no hotel parecia suspenso no tempo, muito perto do Museu da Torre de David e também da mesquita Al Masjid Al Aqsa. ..

Crônica - CARNAVAL DE JUAZEIRO: Do rio Nilo para o rio São Francisco

Não sou historiador; sou tradutor e revisor de livros que viaja pelo país e, por isso, acabo guardando pedaços de saber que me servem como mapas improvisados.

Já revisei textos de professores portugueses e brinco que, por vezes, me transformo num “alfacinha (1)” de ocasião — não por vaidade, mas porque a filologia me obriga a escavar sentidos e a reparar detalhes que, de outro modo, se perdem...

CRÔNICA - CARL JUNG E O DILEMA DA ALMA: integrar-se ou conformar-se ao coletivo

Aos dezesseis anos, em meio à companhia constante de amigos e às conversas que preenchiam os dias, carregava dentro de mim uma angústia persistente e difícil de nomear: a sensação de não conseguir expressar livremente minhas opiniões.

Havia em mim o desejo genuíno de falar com franqueza, de deixar que as palavras brotassem diretamente do coração, sem filtros ou cálculos prévios. ..

CRÔNICA - JUAZEIRO: AMOR RENOVADO.

Às margens do majestoso Rio São Francisco, Juazeiro desponta como símbolo de esperança, trabalho e prosperidade.

Neste momento especial em que nos despedimos de 2025 e abraçamos o novo ano de 2026, é impossível não reconhecer o brilho da nossa terra e a força do nosso povo, que juntos constroem diariamente uma cidade mais justa, moderna e acolhedora...

Crônica - A arte de velar e revelar: O Simbolismo na Maçonaria

A Luz é, desde os primórdios, um símbolo universal de conhecimento, revelação e transcendência. Contudo, quando essa Luz se qualifica como Verdadeira, ela deixa de ser apenas metáfora e se torna experiência de sublimação, um despertar interior que transcende o comum. No meu caso particular, tive o privilégio de contemplar essa Verdadeira Luz no Oriente de Cabedelo, cidade portuária da Paraíba.

Fui conduzido até lá pelas mãos de um amigo que, mais tarde, descobri ser, na realidade, um Irmão — alguém que já caminhava pelas sendas da Ordem e que me revelou, com simplicidade e profundidade, o valor desse encontro...

Crônica - Tempo e espaço: Entre o silêncio e a eternidade.

Tudo que aprendi teve início nos clássicos da Biblioteca Municipal de João Pessoa e nos bolsilivros Bruguera, pequenas edições populares que cabiam no bolso e no orçamento de um estudante curioso.  

Anos depois, já inserido nos salões da elite internacionalista, visão reduzida do Circuito Elizabeth Arden, adquiri obras originais na Alemanha, França e Inglaterra, graças à profissão de técnico independente de Testes, Inspeções e Certificações – TIC, que me levava a inspecionar cargas em diversos portos europeus e norte-americanos...

Crônica - MAURÍCIO DIAS: O continuador da universalidade da obra de João Gilberto

Há trajetórias que não se medem apenas em anos, mas em permanência. A estrada artística, quando longa e persistente, transforma-se em símbolo de resistência e beleza.

É nesse território que se inscreve a jornada de quem atravessa décadas sem perder o brilho, como se cada palco fosse uma constelação nova a ser descoberta. Há encontros que parecem escritos pelo próprio compasso da música – e nesses casos, soam como um samba sincopado ao sabor da Bossa Nova.  ..

CRÔNICA - QUANDO O AMOR ENCONTRA BARREIRAS: A CRÔNICA DOS AMORES IMPOSSÍVEIS

Há momentos em nossa vida, que paramos um pouco para refletir o que somos hoje e o que esperávamos de haver sido há anos, quando viver e conviver pouco tinha de consequências em nossas vidas.

Sabemos que existem paradoxos que nunca são resolvidos, apenas são vividos, a exemplo daquele tipo de amor que se aproxima e ao mesmo tempo se distancia, daquela esperança que tanto ilumina quanto fere, daquele tempo que nos dá e tudo nos tira. No fundo são contradições que não se desfazem com lógica, porque elas pertencem ao tecido da existência...

CRÔNICA - O SONETO ENCOBERTO: O SEGREDO ESCONDIDO NO ACRÓSTICO.

Era dezembro, e a cidade de João Pessoa, na pequenina e brava Paraíba, parecia suspensa entre o calor sertanejo e a promessa de mais um Natal sufocante do ponto de vista político e climatológico.

Era 1968, o ano inacabado, prolongado pelo AI-5 em 13 de dezembro de 1968, quando se inaugurava a fase mais dura do Golpe de ’64 e os direitos civis foram suspensos, fechou-se o Congresso Nacional e se ampliou a censura...

CRÔNICA - GENOCÍDIO EM CARTAGO: RELEITURA DA DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE ESTADO

Catão, o Velho, político e orador romano conhecido por seu conservadorismo e rigidez moral, viveu numa época em que Roma ainda era uma república em expansão. Após visitar Cartago, impressionou-se — e, segundo relatos, até se incomodou — com a prosperidade daquela cidade-estado fenícia, mesmo após as derrotas sofridas nas primeiras Guerras Púnicas.

Desde então, passou a encerrar seus discursos no Senado, qualquer que fosse o tema, com a célebre frase: “ Ceterum censeo Carthaginem esse delendam ” (“Além disso, penso que Cartago deve ser destruída”), posteriormente abreviada para “ Delenda est Carthago ”...

CRÔNICA - OVO: O SILÊNCIO QUE GUARDA A VIDA

Hoje, ao tomar meu café da manhã — ou, como diriam em Portugal, o “pequeno almoço” — meus olhos se detiveram diante de um simples ovo cozido. Nesse gesto banal, encontrei matéria para refletir sobre a dicotomia que atravessa todos os aspectos da existência: a tensão entre o físico e o espiritual. A fragilidade, lembrando a “insustentável leveza do ser”, e a fortaleza, evocando o bíblico “tudo posso naquele que me fortalece”, se entrelaçaram diante de mim como metáfora viva.

No reflexo embranquecido da casca repousa um universo inteiro. O ovo, discreto e aparentemente frágil, carrega em si a promessa de movimento, de respiração, de futuro. É curioso pensar que tanta potência se esconda em algo tão pequeno, guardado por uma película de silêncio que só se rompe no tempo certo. Ali dentro, a vida se prepara sem pressa, como quem sabe que nascer é mais do que um instante: é um rito de passagem entre o invisível e o visível, entre o mistério e a revelação...

CRÔNICA NATALINA: O SILÊNCIO DA MANJEDOURA

Chegou dezembro e com ele o solstício de verão no nosso hemisfério sul, fim de um ciclo de 365 dias e algumas horas, o prenúncio de um novo tempo, de um novo ano, de um chamado de promessas que serão esquecidas tão logo surjam as novas quatro estações.

As ruas brilham, o comércio fervilha e a economia aquece. Lojas abarrotadas, vitrines que piscam como estrelas artificiais, sacolas que se multiplicam nas mãos apressadas...

CRÔNICA - OS ESSÊNIOS E A CONTROVÉRSIA RELIGIOSA NA JUDEIA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DE SUA INSERÇÃO E MARGINALIDADE

Os essênios faziam parte de uma comunidade judaica apartada, com prática de vida marcada pela renúncia aos prazeres materiais e pela busca de autodisciplina espiritual ou moral. Eram reconhecidos não só por seu fervor religioso, mas principalmente pela busca de isolamento, assim como fazem modernamente a comunidade religiosa “amish”.

Essa comunidade ascética floresceu por volta do séc. II a.C., como resposta às tensões religiosas e políticas da Judeia, lembrando que a região viria a ser dominada pelos romanos em 63 a.C., quando o general Pompeu conquistou Jerusalém e submeteu o território ao domínio de Roma...

CRÕNICA - BLACK FRIDAY: O ENCONTRO ENTRE O SANTO E O PROFANO.

A Black Friday nasceu nos Estados Unidos como o dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, marcado por grandes descontos no varejo. No Brasil, chegou em 2010 e rapidamente se tornou um dos momentos mais importantes para o comércio eletrônico e físico.

O nome surgiu nos anos 1960, quando policiais da Filadélfia usaram a expressão para descrever o caos do trânsito e das lojas lotadas após o feriado.  ..

Crônica - O engessamento da língua brasileira: quando a norma culta silencia a voz popular.

Não sou gramático, nem pretendo ser. Sou apenas um filólogo interessado em tornar a língua mais próxima da oralidade. Lecionei inglês avançado, fonética, filologia e literatura em escolas de idiomas de Juazeiro e Petrolina, sempre buscando aproximar teoria e prática.  

Minha proposta é uma reforma no ensino da língua portuguesa, especialmente na morfologia e nas classes gramaticais. A gramática tradicional, marcada pela herança latina, tornou-se complexa e pouco acessível para quem não tem contato prévio com essa estrutura. O ensino da língua, mediado por categorias latinas, perdeu ainda mais sentido quando o latim foi retirado do currículo secundário em 1961, pela primeira LDB.  ..

Crônica - O Abismo Interior: A Beleza Trágica da Melancolia

No outono de 1970, Don McLean compôs "Vincent – Starry, Starry Night”, uma canção nascida do encontro entre música e pintura.

Ao contemplar “A Noite Estrelada” (“De sterrennacht”, em holandês) e mergulhar na biografia de Van Gogh, o compositor buscou revelar o pintor não como um louco ou insensato, mas como um homem ferido pela tristeza e, ao mesmo tempo, iluminado pela paixão pela arte. A melodia torna-se um gesto de ternura diante da incompreensão que envolve o artista.  ..

CRÔNICA - A QUESTÃO BIZANTINA: O PARADOXO CONTROVERSO

Para melhor compreender o assunto, faz-se preciso lançar um olhar sobre o passado. Antes de existirem Grécia e Turquia como as conhecemos hoje, havia uma região pan-helênica formada por diversas cidades-estados e uma vasta área conhecida como Anatólia ou Ásia Menor – o impávido império bizantino.

Foi exatamente nesse território que se desenrolou a Guerra de Tróia e onde ocorreu o Primeiro Concílio de Niceia, palco do embate teológico entre o arianismo e a ortodoxia cristã primitiva...

Crônica - Ser ou não ser? "O inquietante questionamento"

Ontem à noite, em sonho, viajei para Stratford-upon-Avon, na velha Albion, e ali encontrei o bardo inglês, William Shakespeare. Em meio às sombras do teatro imaginário, perguntei-lhe o que tinha em mente ao colocar nos lábios do príncipe Hamlet a célebre indagação: “To be or not to be?” — no contexto sociopolítico da Dinamarca, sob o reinado de Cláudio, que ascendeu ao trono após assassinar o próprio irmão, o rei Hamlet.

A frase, tão repetida ao longo dos últimos séculos, reflete a angústia existencial de um homem diante da vida, da morte e da moralidade, tudo permeado por intrigas políticas e disputas de poder. Hamlet hesita entre suportar o peso da existência ou sucumbir ao descanso da não-vida...