Crônica - O que Saint-Exupéry sabia sobre o amor: As pessoas não são geladeiras
Poucas vezes uma propaganda de geladeiras me obrigou a pensar sobre o destino dos afetos humanos. Aquela, porém, conseguiu. Não por causa da tecnologia que anunciava, nem pela elegância do design ou pela economia de energia que prometia, mas porque, sem o perceber, vendia muito mais do que um eletrodoméstico: vendia uma filosofia de vida.
A mensagem era simples e sedutora: quando o antigo deixa de satisfazer plenamente, substitui-se pelo novo. Nada mais razoável. Afinal, os objetos existem para servir e, quando deixam de cumprir sua função, cedem lugar aos que a desempenham melhor. O desconforto surgiu apenas horas depois, quando compreendi que essa lógica, concebida para as coisas, havia silenciosamente invadido o território das relações humanas...
