
Juazeiro está em ebulição.
Um vídeo circula, com denúncias graves contra o Governo do Estado. E é preciso deixar claro, desde o início: denúncia séria não se combate com silêncio. Se há verdade, que se investigue. Se há erro, que se corrija. Fiscalizar é obrigação de quem foi eleito.
Mas o problema aqui não é apenas o conteúdo.
É o mensageiro.
Porque política não é só discurso — é trajetória. É coerência. É posicionamento ao longo do tempo. E é exatamente aí que mora a desconfiança que hoje toma conta das ruas de Juazeiro.
Estamos falando de alguém que já esteve de um lado, depois do outro, e agora volta a atacar justamente aqueles com quem caminhava até ontem. Não é mudança por amadurecimento político — é mudança por conveniência. E o povo percebe. O povo sente. O povo reage.
E é nesse cenário que duas figuras simbólicas ajudam a explicar o que estamos vendo.
A primeira é o escorpião.
Na velha fábula, ele pede ajuda para atravessar o rio. Promete que não vai atacar. Mas no meio do caminho, ferroa. Condena o outro — e a si próprio. Quando questionado, responde: "é da minha natureza".
Na política, o escorpião é aquele que não consegue sustentar alianças, não respeita compromissos, não mede consequências. Ataca por impulso, por instinto, mesmo que isso destrua sua própria credibilidade. Mesmo que isso o afogue junto com quem ele atingiu.
A segunda figura é ainda mais reveladora: a sanguessuga.
Ela não faz barulho. Não cria discurso inflamado. Ela simplesmente se fixa, suga enquanto há o que sugar, e quando o corpo já não oferece mais sustento... ela solta. E procura outro.
Sem lealdade. Sem compromisso. Sem história.
A política feita assim não constrói nada. Apenas consome.
E é exatamente essa sensação que está tomando conta da população de Juazeiro: a de que não se trata de um posicionamento ideológico legítimo, mas de uma movimentação calculada, oportunista, feita no calor de um momento — talvez até com olho em cenários maiores, em palanques futuros, em conveniências eleitorais.
E aí surge o maior problema de todos:
Quando a denúncia vem de quem não tem coerência, ela perde força.
Quando a crítica vem de quem já esteve em todos os lados, ela perde credibilidade.
E quando a população percebe isso, o efeito é devastador — porque até o que pode ser verdade passa a ser visto com desconfiança.
Isso não é bom para ninguém. Nem para o governo, nem para a oposição, e muito menos para o povo.
Porque o debate deixa de ser sobre os problemas reais e passa a ser sobre a confiabilidade de quem fala.
Juazeiro não precisa de escorpiões que atacam por instinto.
Juazeiro não precisa de sanguessugas que se alimentam e depois abandonam.
Juazeiro precisa de firmeza. De coerência. De gente que tenha lado — e que sustente esse lado quando é fácil, mas principalmente quando é difícil.
Porque no final das contas, o povo não está mais interessado em quem grita mais alto.
Está interessado em quem consegue sustentar a própria palavra.
E isso... não se improvisa.
LUIZ ALVES



3 comentários
27 de Mar / 2026 às 08h54
No meu modo de pensar, se o que ele esta falando, seja por interesse piolitico ou seja por qualquer outro fim, só tempo dirá. Mas o que ele falou é o que as pessoas de bem de Juazeiro esperam dos demais vereadores e politicos de oposição e até mesmo da Base do governo. Porque o que vemos é muito tick tock e instagran, mas de fato, nada de obras relevantes em nossa cidade.
27 de Mar / 2026 às 12h19
Um texto que não só se refere a Juazeiro, mas em todos os locais onde políticos usam o momento para se ficar do lado que está em alta. Ou até mesmo num local que se beneficiará. Ou seja, conveniência.
27 de Mar / 2026 às 12h59
Não gosto de me meter em briga alheia, ainda mais quando é o sujo se atracando com o mal lavado. Mas, mas.... convenhamos: O Vereador está sendo apenas o mensageiro de uma realidade. Fosse mais vereador mesmo, daqueles que fiscalizam e cobram, eu me atreveria a dizer que ele está sendo apenas a voz do Povo. Ah e se fôssemos qualificar ou desqualificar a voz do Povo, sem atentar para o que é dito e não para quem diz... Tenho a impressão que Luiz Alves apenas quis jogar as verdades do Alex Povo para debaixo do tapete....