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Crônica - Os Essênios: A Tradição que reapareceu nos manuscritos do Mar Morto

Os essênios voltaram a despertar amplo interesse público e acadêmico após a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumran (Cisjordânia), no início da década de 1950.

Antes desse achado, o conhecimento disponível sobre o grupo era fragmentário e baseado sobretudo em relatos de autores antigos; hoje, porém, dispomos de fontes que permitem reconstruir com mais clareza aspectos de sua vida comunitária, de suas concepções religiosas e do papel que desempenharam no judaísmo do Segundo Templo...

Crônica - Karen Carpenter: A voz roubada pela anorexia nervosa

Havia algo em Karen Carpenter que parecia vir de um lugar onde o tempo andava mais devagar. Enquanto o mundo corria atrás de modas, brilhos e cifras, ela cantava como quem abre uma janela para dentro — e não para fora.

A voz dela não precisava de esforço; era como se o ar simplesmente decidisse vibrar de um jeito mais bonito quando passava por suas cordas vocais...

Crônica – Meu amigo Flávio: Uma história de amor e paixão por Juazeiro

Eu o conheci em meados de 2009, trabalhando na Prefeitura de Juazeiro, no mesmo lugar que ele trabalhava. De cara, bateu aquela amizade que só a química dos afortunados consegue explicar.

Ele tomou a liberdade de, assim que adentrava o antigo Paço Municipal, usar a sua voz tonitruante para todos ouvirem que ele estava vindo para falar comigo. Então, um rebuliço era formado. Uma vez, ele me confidenciou: Pergunto só a você... Se você não souber, eu não pergunto a mais ninguém. E assim ele foi me conquistando...

Crônica - ÉTICA DIGITAL E IDENTIDADE: DILEMA DO COTIDIANO

Acordou com o telefone afundado no travesseiro, como se um vizinho tivesse passado a noite ali e esquecido de ir embora.

Antes do café, antes do chuveiro, já havia deslizado o polegar por rostos, manchetes e anúncios que pareciam conhecê-lo melhor do que ele próprio...

Crônica - COGITO ERGO SUM: As incertezas da existência humana

Ontem fui tomado por uma dúvida inquietante: como eu existia antes de nascer? Mais precisamente, perguntei-me como articular o fluxo itinerante da existência humana — esse contínuo que, paradoxalmente, só parece ganhar contornos quando o interrogamos. Não me lembrava do que almocei; a lembrança só emergiu quando formulei a pergunta: O que comi no almoço? 

Então veio a imagem do filé à parmegiana com macarrão. Esse pequeno episódio revela algo mais amplo: a pergunta transforma o vivido em presente ainda mais material...

Crônica - O HOMEM CERTINHO: Um presente que poderia ter sido diferente

Sempre me disseram que cada vida tem seus <... e se?>, sendo que uns refletem a realidade mais do que outros. O meu, por exemplo, aparece sempre que me vejo diante de um espelho — não desses de banheiro, mas dos invisíveis, aqueles que surgem quando a gente se compara com o que poderia ter sido. E, em momentos como esses é que me sinto como o coronel Frank Slade no filme “Perfume de Mulher”: um combatente que sabe exatamente onde errou, mas que continua marchando com a coluna ereta, como se a disciplina fosse sua última trincheira.

Passei boa parte da vida acreditando que ser “certinho” era uma espécie de seguro contra o caos. Regras de conduta, de convivência, de relacionamento, de como falar, como agir, como não incomodar ninguém. A timidez fazia o resto: eu me tornava um soldado silencioso, cumpridor de ordens que ninguém me deu, mas que eu mesmo redigi com rigor militar...

Crônica - RÉCORDE OU RECORDE: quem manda na língua?

A tentativa de proibir judicialmente a pronúncia “REcorde” — impondo à mídia apenas “reCORde” — não é apenas um capricho prosódico. É um gesto simbólico perigoso, porque toca em três pilares que sustentam qualquer comunidade linguística: a ciência, a lei e a cultura. E quando o Estado tenta legislar sobre aquilo que nasce espontaneamente da boca do povo, o resultado costuma ser desastroso.

A linguística, que estuda a língua como fenômeno vivo, não chancela esse tipo de intervenção. O direito, por sua vez, só tem competência para normatizar a escrita oficial — e mesmo isso já é um terreno delicado. E a cultura, que é o verdadeiro berço da língua, simplesmente ignora decretos quando eles tentam ditar como as pessoas devem falar...

Crônica - A caminho de Niceia: Saga ficcional do gênero humano

Antes de mais nada, passo a chave do meu PIX solicitando a todos uma modesta contribuição pecuniária para me ajudar a realizar o meu sonho de vida, a publicação de uma proposta de saga ficcional do gênero humano.

Meu PIX chave e-mail: [email protected] Nubank...

Crônica - NORMATIVIDADE GRAMATICAL: A Língua Brasileira Precisa de Reforma

Ao analisar comentários disponibilizados em redes sociais, observa-se uma preocupação excessiva com a forma de escrever e pouca atenção ao fato de que, apesar das diversas normatizações já realizadas, a escrita utilizada ainda hoje remonta ao início do século XX, quando Portugal promoveu unilateralmente sua primeira reforma após a Proclamação da República naquele país.

No caso brasileiro, de outra banda, a primeira tentativa de reunificação linguística resultou no Formulário Ortográfico de 1943, que aboliu o acento gráfico das palavras terminadas em “i” e “u” tônicos (como em “tupi” ou “caju”), desde que não fossem precedidos por outra vogal (como em “açaí” ou “baú”). Naquele período, também se recomendava que os nomes de dias, meses e estações do ano fossem grafados com iniciais minúsculas, regra desprezada por quem deveria cuidar exclusivamente da educação e disciplina escolar...

Crônica - LÍNGUA, CULTURA E PRECONCEITO: A Diferenciação Linguística no Brasil

A discriminação do nordestino no Sudeste e Sul brasileiros tem razão histórica, uma vez que, a partir de meados do século XIX, a imigração galega e dos nortistas portugueses para o Brasil intensificou-se, a ponto de provocar emulação nos “alfacinhas”(1) já radicados aqui. Dessa forma, o termo “galego”, aplicado tanto ao imigrante da região da Galícia (Espanha) quanto àquele procedente do norte de Portugal, muitas vezes assumia o significado pejorativo de “estrangeiro” em terras brasileiras.  

Como os galegos que vinham para o Brasil trabalhavam normalmente em ofícios humildes, o vocábulo “galego” adquiriu conotação negativa, principalmente pela língua falada que, apesar de mais próxima do português do que o espanhol, apresentava evidentes diferenças conotativas e denotativas: “atopei-me con ela” (em português, “encontrei-me com ela”). Quem nunca “topou” numa pedra, quando criança?..

Crônica - FILOSOFIA, TEOLOGIA E COSMOLOGIA: Quando o nome do Senhor é escrito no Universo.

Durante minha primeira e única viagem a Israel, em meio aos dias turbulentos da primeira Intifada, o país parecia respirar uma mistura de medo e esperança. As ruas estavam cheias de soldados, barricadas e olhares desconfiados, mas também havia crianças brincando, mercados funcionando e a vida insistindo em seguir. Era como se cada esquina revelasse o contraste entre a fragilidade humana e a força da sobrevivência.

Foi no saguão do Hotel King David, em Jerusalém, que tive um encontro marcante com o rabino Ben Shlomo. Eu e meu parceiro, José Luiz Boaventura, éramos os únicos católicos de um grupo de evangélicos, capitaneado pelo Pr. Átila Brandão. O ambiente no hotel parecia suspenso no tempo, muito perto do Museu da Torre de David e também da mesquita Al Masjid Al Aqsa. ..

Crônica - CARNAVAL DE JUAZEIRO: Do rio Nilo para o rio São Francisco

Não sou historiador; sou tradutor e revisor de livros que viaja pelo país e, por isso, acabo guardando pedaços de saber que me servem como mapas improvisados.

Já revisei textos de professores portugueses e brinco que, por vezes, me transformo num “alfacinha (1)” de ocasião — não por vaidade, mas porque a filologia me obriga a escavar sentidos e a reparar detalhes que, de outro modo, se perdem...

CRÔNICA - CARL JUNG E O DILEMA DA ALMA: integrar-se ou conformar-se ao coletivo

Aos dezesseis anos, em meio à companhia constante de amigos e às conversas que preenchiam os dias, carregava dentro de mim uma angústia persistente e difícil de nomear: a sensação de não conseguir expressar livremente minhas opiniões.

Havia em mim o desejo genuíno de falar com franqueza, de deixar que as palavras brotassem diretamente do coração, sem filtros ou cálculos prévios. ..

CRÔNICA - JUAZEIRO: AMOR RENOVADO.

Às margens do majestoso Rio São Francisco, Juazeiro desponta como símbolo de esperança, trabalho e prosperidade.

Neste momento especial em que nos despedimos de 2025 e abraçamos o novo ano de 2026, é impossível não reconhecer o brilho da nossa terra e a força do nosso povo, que juntos constroem diariamente uma cidade mais justa, moderna e acolhedora...

Crônica - A arte de velar e revelar: O Simbolismo na Maçonaria

A Luz é, desde os primórdios, um símbolo universal de conhecimento, revelação e transcendência. Contudo, quando essa Luz se qualifica como Verdadeira, ela deixa de ser apenas metáfora e se torna experiência de sublimação, um despertar interior que transcende o comum. No meu caso particular, tive o privilégio de contemplar essa Verdadeira Luz no Oriente de Cabedelo, cidade portuária da Paraíba.

Fui conduzido até lá pelas mãos de um amigo que, mais tarde, descobri ser, na realidade, um Irmão — alguém que já caminhava pelas sendas da Ordem e que me revelou, com simplicidade e profundidade, o valor desse encontro...

Crônica - Tempo e espaço: Entre o silêncio e a eternidade.

Tudo que aprendi teve início nos clássicos da Biblioteca Municipal de João Pessoa e nos bolsilivros Bruguera, pequenas edições populares que cabiam no bolso e no orçamento de um estudante curioso.  

Anos depois, já inserido nos salões da elite internacionalista, visão reduzida do Circuito Elizabeth Arden, adquiri obras originais na Alemanha, França e Inglaterra, graças à profissão de técnico independente de Testes, Inspeções e Certificações – TIC, que me levava a inspecionar cargas em diversos portos europeus e norte-americanos...

Crônica - MAURÍCIO DIAS: O continuador da universalidade da obra de João Gilberto

Há trajetórias que não se medem apenas em anos, mas em permanência. A estrada artística, quando longa e persistente, transforma-se em símbolo de resistência e beleza.

É nesse território que se inscreve a jornada de quem atravessa décadas sem perder o brilho, como se cada palco fosse uma constelação nova a ser descoberta. Há encontros que parecem escritos pelo próprio compasso da música – e nesses casos, soam como um samba sincopado ao sabor da Bossa Nova.  ..

CRÔNICA - QUANDO O AMOR ENCONTRA BARREIRAS: A CRÔNICA DOS AMORES IMPOSSÍVEIS

Há momentos em nossa vida, que paramos um pouco para refletir o que somos hoje e o que esperávamos de haver sido há anos, quando viver e conviver pouco tinha de consequências em nossas vidas.

Sabemos que existem paradoxos que nunca são resolvidos, apenas são vividos, a exemplo daquele tipo de amor que se aproxima e ao mesmo tempo se distancia, daquela esperança que tanto ilumina quanto fere, daquele tempo que nos dá e tudo nos tira. No fundo são contradições que não se desfazem com lógica, porque elas pertencem ao tecido da existência...

CRÔNICA - O SONETO ENCOBERTO: O SEGREDO ESCONDIDO NO ACRÓSTICO.

Era dezembro, e a cidade de João Pessoa, na pequenina e brava Paraíba, parecia suspensa entre o calor sertanejo e a promessa de mais um Natal sufocante do ponto de vista político e climatológico.

Era 1968, o ano inacabado, prolongado pelo AI-5 em 13 de dezembro de 1968, quando se inaugurava a fase mais dura do Golpe de ’64 e os direitos civis foram suspensos, fechou-se o Congresso Nacional e se ampliou a censura...

CRÔNICA - GENOCÍDIO EM CARTAGO: RELEITURA DA DESTRUIÇÃO DE UMA CIDADE ESTADO

Catão, o Velho, político e orador romano conhecido por seu conservadorismo e rigidez moral, viveu numa época em que Roma ainda era uma república em expansão. Após visitar Cartago, impressionou-se — e, segundo relatos, até se incomodou — com a prosperidade daquela cidade-estado fenícia, mesmo após as derrotas sofridas nas primeiras Guerras Púnicas.

Desde então, passou a encerrar seus discursos no Senado, qualquer que fosse o tema, com a célebre frase: “ Ceterum censeo Carthaginem esse delendam ” (“Além disso, penso que Cartago deve ser destruída”), posteriormente abreviada para “ Delenda est Carthago ”...