Foram encontrados 65 registros para a palavra: Getúlio Medeiros

CRÔNICA - A VIDA CONFLITUOSA DE LEON TOLSTÓI: da Fé Profunda à Excomunhão

A vida de Leon Tolstói (Lev Nikoláievitch Tolstói) foi marcada por uma das mais intensas contradições espirituais e morais da literatura moderna. Autor de obras monumentais como “Guerra e Paz” e “Anna Kariênina”, Tolstói não foi apenas um romancista extraordinário, mas também um homem atormentado por perguntas religiosas, filosóficas e existenciais.

Em “Guerra e Paz”, as invasões napoleônicas da Rússia servem de pano de fundo para mostrar que guerra e paz não são apenas estados políticos, mas também condições interiores. A guerra representa o caos, a ambição, a vaidade e a ilusão de controle; e a paz, a simplicidade, o amor, a família e a reconciliação consigo mesmo. Já em “Anna Kariênina”, Tolstói sugere que a infelicidade nasce quando as pessoas vivem divididas entre aquilo que desejam e aquilo que a sociedade exige delas. Mais do que um romance amoroso, a obra é uma investigação moral sobre o preço de seguir os próprios sentimentos...

Crônica - La Havana, Cuba: Uma noite que não deveria ter existido

Houve um tempo em que uma frase seca pesava mais do que qualquer carimbo: “NÃO É VÁLIDO PARA CUBA”. Ela repousava nos passaportes brasileiros como um veto silencioso, um limite político que, curiosamente, aguçava ainda mais o desejo. Afinal, poucas coisas são tão sedutoras quanto aquilo que nos é interditado.

Foi nesse tempo de peregrinações comerciais pelo exterior que me encontrei, certa vez, em Nova Iorque - a cidade que nunca dorme, mas que também abriga os sonhos de quem foi obrigado a acordar cedo demais...

Crônica - A tentação da generalidade: Por Que Todo Mundo Odeia o Chris?

Há perguntas que chegam prontas demais - e, por isso mesmo, devem ser recebidas com desconfiança. Em conversas informais, especialmente aquelas que misturam opinião e improviso, não é raro surgirem afirmações iniciadas por “todo mundo” ou “quase todo mundo”. São fórmulas que sugerem consenso, como se traduzissem a voz difusa da humanidade. No entanto, essa aparência de universalidade costuma esconder uma simplificação perigosa.

Foi nesse contexto que, em meio a uma conversa casual, alguém questionou “Pr que todo mundo odeia os judeus”. A frase, lançada com a leveza das certezas fáceis, não se apoiava em análise histórica nem em reflexão sociológica consistente. Ainda assim, carrega peso - não apenas pelo conteúdo, mas pelo modo de pensar que revela...

Crônica - O dia que não houve amanhecer: Tudo se transforma segundo Lavoisier

A manhã havia despertado bem dentro de mim, embora eu mesmo ainda não tivesse percebido esse lânguido despertar. Sentia tão somente um denso vazio, uma espécie de entorpecimento interior que conseguia me manter suspenso entre o sono e a vigília.

Muito mais que de repente, dei-me conta de que não havia qualquer tipo de ruído no interior de mim mesmo nem no exterior, à minha volta. Nem mesmo aquele zumbido habitual que, todas as manhãs, parecia soar em meus ouvidos para me alertar de que chegara a hora de levantar e seguir a labuta, cumprindo os vários ofícios do quotidiano...

Crônica - O Concílio de Niceia: O Início da Teocracia Cristã

A convocação do Concílio de Niceia, em 325 d.C., representou muito mais do que uma simples reunião de bispos. Foi a tentativa do imperador Constantino I de preservar a unidade do Império Romano num momento em que o cristianismo crescia rapidamente e deixava de ser uma fé perseguida para transformar-se numa força política e social.

No centro dessa controvérsia estava Ário, presbítero de Alexandria. Para ele, Jesus Cristo - o Logos, o Filho - não era eterno como o Pai nem partilhava da mesma substância divina...

Crônica - As cruzadas vistas pelos árabes: O Reino dos Céus na Terras Levantinas

Amin Maalouf, nascido em Beirute, em 1949, e atualmente radicado na França, é uma voz central da literatura francófona e do diálogo entre o mundo árabe-islâmico e o Ocidente cristão. Em suas obras, ele alia rigor histórico a sensibilidade narrativa, construindo pontes culturais e oferecendo leituras críticas, densas e nuançadas dos encontros entre civilizações.

Embora eu ainda não tenha lido As Cruzadas Vistas pelos Árabes, guardo viva a lembrança de outra de suas obras, Leão, o Africano, na qual o autor descreve a queda muçulmana na Península Ibérica e a diáspora que se seguiu, lembrando também que muçulmanos e judeus nem sempre estiveram em lados opostos, mas muitas vezes compartilharam destinos, convivências e alianças...

Crônica - Baruch Spinoza: A espiritualidade racional

Nas décadas de 1960/1970, livros de bolso, baratos e fáceis de carregar eram a alegria dos estudantes e dos curiosos por história, política, filosofia e aprendizado de idiomas estrangeiros. Foi em um desses volumes que conheci Baruch Spinoza, filósofo judeu nascido na Holanda em 1632, de origem portuguesa.

Li sua obra-prima, Ética (Ethica ordine geometrico demonstrata) — e, a princípio, pouco entendi. Vindo de uma educação católica rígida, achei o texto denso e desafiador, sobretudo porque Spinoza propunha algo radical e inimaginável: a diferenciação racional, sob o ponto de vista religioso, entre criador e criatura...

Crônica - Onde ela mandar: A Mais Nova Composição de Mauriçola

Instigado por uma repórter que buscava seu posicionamento sobre o caso envolvendo um famoso jogador de futebol, ocorrido no final de 2022 em uma boate em Barcelona, Espanha, o compositor juazeirense Mauriçola optou por não responder na hora, no calor do momento.

O assunto fervilhava e escalava, tendendo a fugir do controle racional das polêmicas. A falta de resposta irritou a entrevistadora e, tempos depois, com o episódio mais arrefecido, ele transformou a situação em música: compôs uma canção inédita em que expõe seu pensamento sobre o que hoje se entende por assédio sexual...

Crônica - A cidade que canta: Juazeiro precisa se ouvir (Parte 2)

Há dias em que Juazeiro acorda com cheiro de rio. Não é só o Velho Chico passando ali, paciente, como quem sabe que o tempo tem suas manhas. É também a memória que vem boiando na superfície: um acorde de João Gilberto, uma carranca que vigia o mundo, um artesão que esculpe silêncio e madeira ao mesmo tempo.

Juazeiro é assim — uma cidade que carrega cultura até no jeito de caminhar. Basta prestar atenção...

Crônica - A República: O Desafio Ético que o Brasil Não Pode Mais Adiar

As recentes denúncias envolvendo altas autoridades expõem mais do que desvios individuais: revelam um desgaste ético que atravessa partidos, cargos e instituições.

Quando figuras públicas tratam princípios básicos de integridade como detalhes dispensáveis, a política perde credibilidade — e o país inteiro sente as consequências...

Crônica - A cidade que canta: Juazeiro precisa se ouvir.

Há cidades que vivem de silêncio, e há cidades que vivem de som e musicalidade. Pertencente ao segundo grupo, Juazeiro, definitivamente, tem isso de sobra. Aqui, até o vento que passa pela orla parece carregar um ritmo próprio, como se o Velho Chico soprasse acordes antigos para lembrar que esta terra já nasceu musical.

Não é exagero, portanto, asseverar que Juazeiro tem uma vocação natural para a arte. Afinal, foi daqui que saiu João Gilberto, o homem que reinventou a música brasileira com um violão sussurrado e uma batida que mudou o mundo. Mas João não é exceção: ele é síntese. Síntese de um povo que canta, que cria, que transforma o cotidiano em poesia — seja no batuque das comunidades, no improviso dos bares, no talento dos jovens que surgem a cada esquina...

Crônica - Como aprender efetivamente uma língua estrangeira - Alguns aspectos fônicos da língua inglesa

Sumário: O presente trabalho visa apresentar ao aluno de línguas estrangeiras e de inglês em particular a importância de priorizar o estudo fônico da língua, embora as escolas de idioma insistam no estudo gramatical. Torna-se, portanto, imprescindível a correta pronúncia da língua na comunicação.

No primeiro momento, minha intenção foi de apontar o aspecto negativo de como não aprender uma língua, mas, prevalecente meu lado positivista não comtiano, passei a elaborar este pequeno texto relativo ao aprendizado de uma língua --- de modo geral --- e da língua inglesa --- no aspecto particular...

Crônica - Os Essênios: A Tradição que reapareceu nos manuscritos do Mar Morto

Os essênios voltaram a despertar amplo interesse público e acadêmico após a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumran (Cisjordânia), no início da década de 1950.

Antes desse achado, o conhecimento disponível sobre o grupo era fragmentário e baseado sobretudo em relatos de autores antigos; hoje, porém, dispomos de fontes que permitem reconstruir com mais clareza aspectos de sua vida comunitária, de suas concepções religiosas e do papel que desempenharam no judaísmo do Segundo Templo...

Crônica - Karen Carpenter: A voz roubada pela anorexia nervosa

Havia algo em Karen Carpenter que parecia vir de um lugar onde o tempo andava mais devagar. Enquanto o mundo corria atrás de modas, brilhos e cifras, ela cantava como quem abre uma janela para dentro — e não para fora.

A voz dela não precisava de esforço; era como se o ar simplesmente decidisse vibrar de um jeito mais bonito quando passava por suas cordas vocais...

Crônica – Meu amigo Flávio: Uma história de amor e paixão por Juazeiro

Eu o conheci em meados de 2009, trabalhando na Prefeitura de Juazeiro, no mesmo lugar que ele trabalhava. De cara, bateu aquela amizade que só a química dos afortunados consegue explicar.

Ele tomou a liberdade de, assim que adentrava o antigo Paço Municipal, usar a sua voz tonitruante para todos ouvirem que ele estava vindo para falar comigo. Então, um rebuliço era formado. Uma vez, ele me confidenciou: Pergunto só a você... Se você não souber, eu não pergunto a mais ninguém. E assim ele foi me conquistando...

Crônica - ÉTICA DIGITAL E IDENTIDADE: DILEMA DO COTIDIANO

Acordou com o telefone afundado no travesseiro, como se um vizinho tivesse passado a noite ali e esquecido de ir embora.

Antes do café, antes do chuveiro, já havia deslizado o polegar por rostos, manchetes e anúncios que pareciam conhecê-lo melhor do que ele próprio...

Crônica - COGITO ERGO SUM: As incertezas da existência humana

Ontem fui tomado por uma dúvida inquietante: como eu existia antes de nascer? Mais precisamente, perguntei-me como articular o fluxo itinerante da existência humana — esse contínuo que, paradoxalmente, só parece ganhar contornos quando o interrogamos. Não me lembrava do que almocei; a lembrança só emergiu quando formulei a pergunta: O que comi no almoço? 

Então veio a imagem do filé à parmegiana com macarrão. Esse pequeno episódio revela algo mais amplo: a pergunta transforma o vivido em presente ainda mais material...

Crônica - O HOMEM CERTINHO: Um presente que poderia ter sido diferente

Sempre me disseram que cada vida tem seus <... e se?>, sendo que uns refletem a realidade mais do que outros. O meu, por exemplo, aparece sempre que me vejo diante de um espelho — não desses de banheiro, mas dos invisíveis, aqueles que surgem quando a gente se compara com o que poderia ter sido. E, em momentos como esses é que me sinto como o coronel Frank Slade no filme “Perfume de Mulher”: um combatente que sabe exatamente onde errou, mas que continua marchando com a coluna ereta, como se a disciplina fosse sua última trincheira.

Passei boa parte da vida acreditando que ser “certinho” era uma espécie de seguro contra o caos. Regras de conduta, de convivência, de relacionamento, de como falar, como agir, como não incomodar ninguém. A timidez fazia o resto: eu me tornava um soldado silencioso, cumpridor de ordens que ninguém me deu, mas que eu mesmo redigi com rigor militar...

Crônica - RÉCORDE OU RECORDE: quem manda na língua?

A tentativa de proibir judicialmente a pronúncia “REcorde” — impondo à mídia apenas “reCORde” — não é apenas um capricho prosódico. É um gesto simbólico perigoso, porque toca em três pilares que sustentam qualquer comunidade linguística: a ciência, a lei e a cultura. E quando o Estado tenta legislar sobre aquilo que nasce espontaneamente da boca do povo, o resultado costuma ser desastroso.

A linguística, que estuda a língua como fenômeno vivo, não chancela esse tipo de intervenção. O direito, por sua vez, só tem competência para normatizar a escrita oficial — e mesmo isso já é um terreno delicado. E a cultura, que é o verdadeiro berço da língua, simplesmente ignora decretos quando eles tentam ditar como as pessoas devem falar...

Crônica - A caminho de Niceia: Saga ficcional do gênero humano

Antes de mais nada, passo a chave do meu PIX solicitando a todos uma modesta contribuição pecuniária para me ajudar a realizar o meu sonho de vida, a publicação de uma proposta de saga ficcional do gênero humano.

Meu PIX chave e-mail: [email protected] Nubank...