Crônica - A cidade que canta: Juazeiro precisa se ouvir.
Há cidades que vivem de silêncio, e há cidades que vivem de som e musicalidade. Pertencente ao segundo grupo, Juazeiro, definitivamente, tem isso de sobra. Aqui, até o vento que passa pela orla parece carregar um ritmo próprio, como se o Velho Chico soprasse acordes antigos para lembrar que esta terra já nasceu musical.
Não é exagero, portanto, asseverar que Juazeiro tem uma vocação natural para a arte. Afinal, foi daqui que saiu João Gilberto, o homem que reinventou a música brasileira com um violão sussurrado e uma batida que mudou o mundo. Mas João não é exceção: ele é síntese. Síntese de um povo que canta, que cria, que transforma o cotidiano em poesia — seja no batuque das comunidades, no improviso dos bares, no talento dos jovens que surgem a cada esquina...
