RedeGN - No Vale do São Francisco, projetos de irrigação se adequaram para uso consciente da água

No Vale do São Francisco, projetos de irrigação se adequaram para uso consciente da água

Com um grande potencial agrícola, as cidades de Juazeiro, no Norte Baiano, e Petrolina, no sertão pernambucano, na região do Vale do São Francisco, são juntas responsáveis por aproximadamente 80% da exportação de frutas (uva e manga) do país. Representando um importante polo para o setor, o resultado positivo e crescente ao longo dos anos tem muito a ver com os incentivos feitos pelo poder público.

Com uma área fértil e às margens do rio São Francisco, ambas as cidades receberam diversos investimentos em irrigação desde a década de 1970 por parte de órgãos públicos como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF).

Para garantir somas milionárias com a venda das frutas, os produtores precisaram se adaptar nos últimos anos e uma das mudanças mais significativas foi a forma de irrigação. Os métodos de irrigação foram mudando e garantindo eficiência no cultivo e, principalmente, redução no consumo de água. Nos anos 1960 a 1970, os sistemas implantados na região eram feitos por sulco de infiltração (método que consiste na distribuição de água através de pequenos canais, paralelos às fileiras de plantas) e por aspersão (um aspersor expele água para o ar, simulando uma chuva artificial).

Já no final da década de 1990, início dos anos 2000, com a abertura do mercado e globalização da economia, os sistemas começaram a mudar para irrigação por gotejamento (permite que a água goteje lentamente para as raízes das plantas, acima da superfície do solo ou enterrada abaixo da superfície possibilitando a economia do uso da água e nutrientes) com o advento dos tubos de polietileno e PVC para a tubulação, emissores de água, conexões e equipamentos.

Segundo o consultor e pesquisador Newton Matsumoto, a redução do consumo de água em plantações que mudaram o sistema de irrigação para o gotejamento pode chegar a 50%. “Hoje só tem irrigação por sulco em dois projetos nesta região e, mesmo nesses perímetros, já estão sendo trocados, isso porque o gotejo é mais eficiente. Em relação ao sistema tradicional, o gotejo tem 95% de eficiência contra 70% dos sistemas tradicionais. Já o sulco tem 50% de eficiência”, explicou. 

Com os custos de implantar um sistema de gotejamento mais acessível, os produtores, independente da dimensão da área irrigada, podem adotar os sistemas de irrigação localizada. Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido), José Maria Pinto, com a troca do sistema de irrigação, houve ainda aumento da área irrigada. “Isso porque o produtor recebe um volume predeterminado de água, seja qual for o sistema de irrigação. Como na irrigação localizada o volume de água aplicada é menor que a aspersão, permitiu incremento na área irrigada”, explicou.

Outro pesquisador da Embrapa, Welson Lima Simões, explicou ainda que com a irrigação localizada há a possibilidade de aplicar a água na quantidade exata, evitando desperdícios e problemas para o solo como degradação, contaminação ambiental e assoreamento, atendendo à exigência em cada fase do ciclo da cultura e no momento exato que a planta necessita de água.

“Os sistemas de irrigação por aspersão e sulco utilizam muita água, o que pode provocar a degradação, contaminação ambiental e assoreamento. Então, quando se utiliza a irrigação por gotejamento é possível diminuir o excesso de água gerando, consequentemente, eficiência, e reduzindo os impactos ambientais que podem, em caso de manejo inadequado, ocasionar ainda o processo de salinização e até mesmo a desertificação”, concluiu.

CHBSF