RedeGN - Sobradinho reduz vazão para 900 m³/s; pescadores e mestres maquinistas reclamam

Sobradinho reduz vazão para 900 m³/s; pescadores e mestres maquinistas reclamam

“A lei diz que a água deve ser compartilhada pelos múltiplos usos, mas percebemos que a produção de energia tem prioridade. Mas em situação de escassez, a lei diz que a prioridade é do abastecimento humano e animal. A Sociedade deve ser ouvida pelo governo federal nas decisões sobre redução da vazão do rio São Francisco".

A opinião acima é de 2014, do então coordenador-geral do Fórum Sergipano de Comitês de Bacias Hidrográficas, Luiz Carlos Souza, também manifestando preocupação com a vazão do Rio São Francisco continua atual nesta primeira quinzena do ano 2021. 

Nesta quinta-feira em razão da necessidade de manter o volume de espera da Usina de Luiz Gonzaga, e diante do fato de que a Usina de Xingó está com vazão de 1.000 m³/s, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) começou a praticar vazão de 900 m³/s na Usina Hidrelétrica de Sobradinho. A defluência (água que sai) foi reduzida, de 1.100 m3/s para 900 m³/s.

A Chesf justifica que a redução de defluência no Reservatório de Sobradinho corresponde a uma diminuição de 40 MW na sua geração de energia, valor compensado pela geração nas demais usinas da Cascata do São Francisco, não impactando no valor global de geração da Chesf, que atualmente se encontra no patamar de 3.200 MW.

Em novembro a vazão do Rio São Francisco, a partir do Reservatório de Sobradinho (Bahia), foi maior dos últimos sete anos. A barragem chegou a iberar 2.900 metros cúbicos por segundo (m³/s). 

A reportagem da REDEGN ouviu pescadores e mestre maquinistas. O presidente da Associação das Barquinhas, Luis Raimundo Pereira, a situação das barquinhas que fazem a travessia entre as cidades de Petrolina e Juazeiro vão se adaptando ao período "de cheia e seca" do Rio São Francisco. Mas ele prefere o rio cheio. "Com mais água o sentimento é de mais alegria, segurança".

O maquinista Edgar José Fernandes, navega nas águas do rio São Francisco desde os anos 60. "Prefiro o rio São Francisco cheio. Já vivi a experiência de navegar de Juazeiro, Bahia a Pirapora, Minas Gerais. Amo o rio cheio", afirma Edgar.

José Tiburtino de Freire, é mestre carpinteiro, artesão, construtor de barcos na orla do Bairro Angari. Conhecido por José de Piranha. "O rio São Francisco cheio representa fartura para os pescadores, gera trabalho e renda. Ele seco provoca uma lamentação. O ser humano pensa que manda no rio mas é um grande engano. Prefiro ele, o rio na grandeza da cheia", finalizou.

Redação redeGN Fotos Ney Vital