RedeGN - Caso Beatriz: cinco anos e 1 mês de um crime que a segurança pública de Pernambuco não tem resposta

Caso Beatriz: cinco anos e 1 mês de um crime que a segurança pública de Pernambuco não tem resposta

Quem matou a menina Beatriz Angélica? Neste, 10 de janeiro de 2021, completa cinco anos e 1 mês do assassinato brutal da menina de 7 anos, que na noite do crime estava com os pais, acompanhando a festa de formatura da irmã mais velha, em um colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina. Desde então, a resposta para a pergunta que inicia esse texto tem sido aguardada pelos familiares, amigos, vizinhos, todos que, de alguma maneira, ficaram espantados com a crueldade com que a vida da criança foi interrompida.

Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva foi encontrada morta, dentro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, com 42 marcas de facada no corpo. Até o momento, cinco anos e 1 mês, ninguém foi preso e a motivação do crime ainda é desconhecida. Os pais da menina, Lúcia Mota e Sandro Romilton Ferreira da Silva, além da dor de ter perdido a filha, convivem com a falta de respostas que ajudem a solucionar o crime.

Os pais de Beatriz acusam que a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco de não dá uma respota e que também por isto fazem uma investigação particular do caso. De acordo com a família imagens foram apagadas do setor interno do Colégio.

Uma outra denuncia foi protocolada na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco evidências obtidas pela família sobre o possível desvio de função de um funcionário público que teria atrapalhado o inquérito policial que investiga o caso.

A investigação paralela, realizada pela família da menina, revelou o possível envolvimento de um perito que trabalhou no caso, com o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, onde o crime aconteceu.

De acordo com a mãe de Beatriz, o profissional teria elaborado um plano de segurança para a instituição de ensino enquanto investigava o caso. As possíveis evidências encontradas pela família não foram divulgadas à imprensa para que as investigações da SDS não sejam atrapalhadas.

Por meio de nota, na época a Corregedoria Geral da SDS confirmou o recebimento da denúncia de Lucia Mota e informou que uma investigação preliminar seria instaurada para apurar os fatos. A nota diz também que as partes envolvidas e testemunhas seriam ouvidas, e que também seriram feitas análises em documentos e materiais que colaborem com as investigações. Ainda de acordo com a SDS, um Procedimento Administrativo Disciplinar ia ser instaurado caso a investigação preliminar identifique elementos suficientes.

O Colégio Nossa Senhora Auxiliadora informou que não teve acesso ao teor da manifestação da família de Beatriz e que não pode emitir qualquer declaração sobre o assunto. “A unidade de ensino reforça que está acompanhando atentamente os desdobramentos da denúncia e no momento oportuno manifestará sua defesa, caso se faça necessário”, diz a nota da instituição de ensino enviada à imprensa.

Até hoje, nenhum suspeito do crime foi preso.

“É uma dor que não tem nome. Para mim, o dia 10 de dezembro é todos os dias. Uma ferida que é cutucada todos os dias”, afirma a mãe de Beatriz. “A dor é constante. A gente não ter uma resposta, não saber o que aconteceu, quem são os culpados. A injustiça ela também dói ”, completa o pai da menina.

A busca por justiça se tornou um mote na vida de Lúcia e Sandro. Nesses cinco anos e 1 mês, os pais de Beatriz participaram de várias manifestações em Petrolina, Juazeiro e em Recife. Ano passado, por causa da pandemia da Covid-19, a mãe da menina tem feito lives na rede social, para continuar chamando a atenção da sociedade para o crime. 

“Isso tem dado uma grande repercussão. São cinco anos e 1 mês, todos os dias, todos os meses, a gente gritando, lutando por justiça”.

Em 2018 e ano passado, a mãe de Beatriz concorreu aos cargos de deputada estadual e vereadora de Petrolina, pelo PSOL, mas não foi eleita. Na eleição estadual, ela teve 16.326 votos. No pleito municipal, foram 2.656 votos. Segundo Lúcia Mota, a entrada na política foi uma forma de poder ter mais força para cobrar a resolução de casos como o da filha.

Redação redeGN