Na semana do 13 de maio, CPT Bahia reforça campanha contra trabalho escravo contemporâneo  

Entre os dias 11 e 15 de maio, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) - Regional Bahia realizará a Semana de Comunicação em Combate ao Trabalho Análogo à Escravidão. A ação, que acontece anualmente na semana em que é comemorada a abolição da escravatura no Brasil, visa alertar a população dos riscos e da existência do trabalho escravo contemporâneo. Durante esses cinco dias, a CPT Bahia, assim como os demais regionais da Pastoral, vai intensificar a divulgação de materiais informativos e educativos sobre a temática, produzidos pela Campanha “De olho aberto para não virar escravo!”.  

De acordo com a CPT, nos últimos 24 anos, 54.778 pessoas em situação análoga à escravidão foram libertadas em todos o país. Só no estado da Bahia foram 3.374 desse total. Uma pessoa é considerada escravizada quando é submetida a condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva ou a alguma forma de privação de liberdade de ir e vir, inclusive, por meio de alegado endividamento ou de trabalho forçado. Segundo o art. 149 do Código Penal, reduzir alguém a esta condição é crime e a pena é de dois a oito anos de prisão, além de multa. 

No ano passado, 130 casos de trabalho escravo foram identificados em todo o país, envolvendo 1.208 pessoas e resultando no resgate de 1.050 trabalhadores/as. No território baiano, sete casos foram identificados e 15 trabalhadores/as foram libertados/as. As ocorrências nas Bahia aconteceram em municípios como Itabuna, Ipirá e Uruçuca abrangendo diversos segmentos, a exemplo de cultivos de cacau, criação bovina e manutenção de equipamentos de parque de diversões. Esses dados, sistematizados pela Campanha “De olho aberto para não virar escravo!”, têm como fonte principal as informações da Secretaria de Inspeção do Trabalho (hoje lotada no Ministério da Economia). 

Embora um pouco superiores aos dos três anos anteriores, os números de 2019 confirmam uma tendência dos últimos anos: a diminuição da quantidade de trabalhadores/as envolvidos/as e resgatados/as. No entanto, não há sinal de que a prática do trabalho escravo tenha realmente diminuído, é o que alerta o integrante da Campanha “De olho aberto para não virar escravo!” Hamilton Luz. 

“Conseguir emprego se tornou uma proeza tão hipotética que, mesmo submetido a humilhações, violação de direitos, sendo tratado até pior que animal, o trabalhador resiste à ideia de denunciar. Ainda mais quando a lei que protegia seus direitos sofre desmontes sucessivos como foi acontecendo a cada ano ultimamente. Sem denúncia precisa investigar bastante para localizar focos de trabalho escravo doravante escondidos atrás da ‘normalidade’. Em contexto de gritante restrição de recursos, a fiscalização sozinha, com meios minguando faz anos, dificilmente consegue dar conta”, destaca Luz. 

O desmonte dos direitos e a precarização dos empregos têm agravado a situação do trabalho escravo no país. Hamilton comenta que “um dos grandes vilões é o desemprego, além da concentração de terra e falta da reforma agrária; a pessoa desempregada, na maioria das vezes, não pensa duas vezes antes de aceitar um emprego, e é nessas horas que os gatos, os aproveitadores da ‘miséria’ alheia dão o ‘golpe’”. 

Devido à pandemia do novo coronavírus e às orientações das organizações de Saúde de distanciamento social, atividades como palestras, reuniões e panfletagens não serão realizadas este ano. As ações da Semana de Comunicação serão realizadas através das plataformas digitais e veículos de comunicação. O material informativo sobre o trabalho escravo contemporâneo poderá ser acessado nos canais da CPT Bahia: Facebook, Youtube e site. Uma live, realizada pela Campanha “De olho aberto para não virar escravo!” em âmbito nacional, acontecerá no dia 13 de maio, às 19h, através das redes sociais da CPT Nacional. O jornalista Leonardo Sakamoto, a pesquisadora Raissa Roussenq e o agente da CPT Frei Xavier Plassat participarão da transmissão ao vivo que terá como tema “O trabalho escravo tem cor?” 

O/a trabalhador/a que presenciar qualquer situação de trabalho análogo a de escravo, deve procurar orientação e apoio. A denúncia é fundamental. Ela poderá ser recebida no Ministério Público do Trabalho, na Polícia Federal, na Polícia Rodoviária Federal, na Comissão Pastoral da Terra e nos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. 

 

Ascom CPT