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ARTIGO – LARANJAS PODRES

Citrus sinensis, da família da Rutaceae, é o nome científico da laranja. Popularmente ganha personalização como laranja-doce, laranja-bahia, laranja-lima, laranja-pera, laranja de umbigo, etc. É uma fruta muito importante no complemento alimentar pelas suas qualidades e valor nutricional, além de representar item de exportação para a nossa economia. É uma fruta tão importante que todo escândalo político ou econômico-financeiro que se preze tem “um (a) laranja” pelo meio! Como a fruta, o tipo tem de ser doce, afável, maduro, quase mudo e não delator.

Como é difícil ou quase impossível parar de falar ou escrever sobre essa praga que foi o mensalão! Imaginava colocar uma pedra sobre o assunto, porque já quase desgastante, principalmente diante do que afirmei na crônica anterior quanto a que nada melhor para abafar um escândalo que gerar outro, imediatamente. Ao dizer isso procurava lembrar ao leitor que já foi lançado na praça – para não faltar emoção aos brasileiros indignados - o escândalo dos trens e metrôs de São Paulo que envolve PSDB, DEM e PPS, ainda em fase de bombas jornalísticas, mas que pode render também um longo processo judicial e prejuízos à imagem dos seus integrantes vivos e até para alguns já mortos.

Mas o que me faz voltar ao tema é que embora o Supremo Tribunal tenha assumido uma posição mais enérgica no sentido de levar ao final esse processo e desmistificar a histórica frase de que tudo aqui neste país “acaba em pizza”, expressão que por analogia quer significar que todos os envolvidos estarão um dia comemorando em volta de uma mesa, bebendo, cantarolando e servindo-se de uma boa pizza, na simpática maneira dos amigos italianos festejarem um momento alegre, eis que do arcabouço do bem engendrado Mensalão novos fatos vem à tona, sinalizando que onde há fumaça, há fogo. Não é que a reportagem do Jornal Nacional descobriu que o Hotel Saint Peter, aquele que se ofereceu para empregar o José Dirceu como Gerente Administrativo, com a bagatela de 20 mil reais de salário, embora tenha como proprietário conhecido em Brasília, o Sr. Paulo Masci de Abreu, na verdade ele pertence a um “LARANJA” que é um cidadão panamenho, Sr. José Eugenio Silva Ritter, Diretor Presidente da Truston International Inc, empresa estrangeira com sede na cidade do Panamá!... O Sr. Paulo Abreu é apenas um sócio minoritário com apenas R$ 1,00 de capital! Vale destacar que o Sr. José Eugenio, na verdade um Auxiliar num escritório de advocacia, foi encontrado pelo repórter no bairro pobre onde reside na cidade do Panamá, lavando o seu carro sem apresentar nenhum perfil de empresário e assustado porque poderia perder o emprego depois da reportagem. É brincar com a inteligência alheia!..

ARTIGO – HOTEL SAINT PETER: O COMITÊ POLÍTICO DE LUXO

Não tenho qualquer pretensão de escrever em série sobre o tema Mensalão, não só porque são fatos ocorridos na política brasileira que enojam o espírito de qualquer cidadão como não desejo ser recalcitrante numa abordagem que pode transmitir a ideia gratuita de aversão político-partidária, o que não é absolutamente o caso. Mas ocorre que o entusiasmo que dominou as pessoas de bem por terem assistido ao pretenso encerramento do processo do Mensalão, com a sentença e prisão dos réus envolvidos, de repente se assiste à montagem de um verdadeiro circo que provoca uma frustração generalizada. Como num legítimo tsunami de imoralidade, os ministros do STF passaram de repente de juízes a algozes, o presidente da corte apelidado de “Homem do Mau”, e ainda aventaram a possibilidade de ser pedido o seu impeachment do cargo e daí por diante. De réus acusados de formação de quadrilha, corrupção ativa ou passiva, lavagem de dinheiro, peculato e evasão de divisas - apenas isso! - transformaram-se em ilustres vítimas ou presos políticos. A organização criminosa foi tão bem concebida que, como as grandes empresas, estava departamentalizada em “Núcleo Político” – tendo como chefe José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula – e o “Núcleo Operacional”, comandado pelo Delúbio Soares.

Naturalmente que toda essa encenação já era esperada porque estamos cansados de ver que nada melhor para abafar um escândalo que gerar outro, imediatamente. Tudo isso seria normal porque estava dentro da expectativa e da tradição. Mas o que impressiona é que mesmo condenado à prisão em regime semiaberto, em que está livre durante o dia e se recolhe à prisão à noite, o José Dirceu continua querendo dar as cartas nesse jogo. Deseja trabalhar durante o dia como Gerente de Hotel de luxo, localizado ao lado do poder da república em Brasília-DF, com o fantasioso e irreal salário de R$20.000,00 – o dobro do mercado para gerentes de carreira – o que é, no mínimo, querer brincar com a inteligência alheia. O importante é que montará o seu Comitê Político, sob as barbas do Supremo Tribunal que o condenou! Tremenda petulância!..

ARTIGO – SERÁ A CAMINHADA PARA UM NOVO TEMPO?

Assim como não é permitido a ninguém o direito de vilipendiar sobre a miséria alheia, mesmo naqueles instantes em que o indivíduo está recebendo a justa condenação pelos seus atos e caminhando em direção ao cadafalso ou à cela prisional, fato que naturalmente provoca no íntimo de cada cidadão uma leve sensação de prazer por vê uma nesga de justiça sendo finalmente praticada neste Brasil, também não se pode aceitar que os réus do Mensalão – leia-se José Dirceu e José Genuíno - assumam uma postura de heróis e se apresentem de punhos erguidos e fechados como se desafiassem a autoridade que os condenou. Mais grave ainda é a atitude de expressar um leve sorriso como se transmitissem uma mensagem de felicidade e que aquele cenário lhes era favorável a uma volta vitoriosa. Quem sabe, tudo é possível neste Brasil!

Embora tudo que esteja agora acontecendo, após uma longa espera de oito anos, só foi possível porque um ministro assumiu com dignidade a sua responsabilidade - o “Homem do Mau” como está sendo acusado - e assumiu todos os ônus de tentar levar a termo esse processo. Para vencer esse desafio, travou homéricas batalhas internas dentro do próprio STF contra colegas ministros que ali chegaram com objetivos bem definidos, mas a prisão de todos os envolvidos ainda não satisfaz plenamente, porque a pergunta que está atravessada na garganta das pessoas sérias deste país e ainda sem resposta, é: E o dinheiro público desviado, quem vai devolver aos cofres da nação?..

CRÔNICA: ENCONTROS E REENCONTROS

Nos dias de hoje parece-me um fato inusitado e até certo ponto surpreendente, alguém comentar que mais de uma centena de funcionários (140) ativos e aposentados, da década de 80/90, de determinada empresa, reuniram-se para um reencontro de confraternização, após 25 a 33 anos de separados pelo tempo e pela distância, oportunidade em que o sorriso, a alegria e a empolgação foram características que adornaram os abraços cheios de emoção a cada nova saudação! Embora a internet com a força pujante das redes sociais tenha o poder de aproximar as pessoas, minuto a minuto, não importa onde elas estejam nada substitui o calor do abraço, as lágrimas da saudade satisfeita e as vozes às vezes embargadas daqueles mais emotivos.

Um evento dessa natureza ganha ainda maior relevância ao lembrar que se trata de ex-funcionários hoje residentes em lugares os mais longínquos possíveis, alguns a milhares de quilômetros de distância entre o norte e o sul deste país. Somente vínculos muito fortes, consolidados por uma soma de regras e lições que se sucederam ao longo de uma convivência de médio e longo prazo, sobretudo resultantes de uma estrutura basilar construída de notórios princípios pela empresa empregadora ao longo da sua história, puderam inspirar tão intensa amizade, afeto e cumplicidade! E essa empresa tem uma história escrita com as penas da solidez e da dignidade ao longo de 205 anos: o Banco do Brasil!..

CRÔNICA – UM BRASIL DIFERENTE - II

O impacto positivo geralmente causado junto aos leitores pelos temas das crônicas que abordam situações envolvendo educação, dignidade, ética, respeito, moralidade, honestidade, decência, ordem, repúdio à corrupção, crescimento pelo trabalho, etc., demonstram a existência de uma ansiedade latente em todas as pessoas de bem desse país, de verem as coisas acontecerem dessa forma à sua volta nas relações interpessoais na vida cotidiana e no trabalho, na cidade ou Estado onde moram. O convencimento de que essa é a pura verdade está expresso nos inúmeros comentários inseridos nos Blogs e Sites onde a matéria é publicada, além de uma grande demanda de e-mails recebidos, nos quais a tônica é a espontânea aprovação ao espírito do texto e a revelação desse mais puro desejo.

Em complemento às observações feitas nesse breve giro a Gramado-RS, objeto da crônica anterior do mesmo título, merecem registros mais dois fatos simples, mas que representam indicadores de que quando estão presentes as qualidades acima mencionadas, as atitudes e comportamentos apresentam um perfil diferenciado: a) Aqui entre nós quando o hóspede vai deixar o hotel e pede no balcão para fechar a conta, a primeira coisa que o atendente faz é interfonar para alguém ou pedir ao funcionário de apoio que vá ao apartamento para ver o consumo do frigobar e confirmar se está tudo em ordem, enquanto o visitante espera. Em Gramado, o nosso grupo de vinte pessoas estava deixando o Hotel Sky e a recepção apenas perguntou: “Senhor, algum consumo?”. O hóspede informa se houve ou não e o atendente súbito lhe passa o valor da consumação, e após o pagamento apenas acrescenta um simpático: “obrigado, senhor, e boa viagem”. Como ele tem o hábito de agir com respeito e honestidade nas suas relações acredita que o outro também detém essas qualidades! b) Três dias após o retorno recebo um e-mail do hotel de agradecimento pela visita e solicitando que indique sugestões que possam melhorar os seus serviços!

Tudo isso parece muito simples porque ser íntegro, ser honesto e ter caráter deveria ser uma regra geral e comum. Todavia ganha particularidade e referência porque aqui entre nós, lamentavelmente, o que prevalece é o conceito de que até prova em contrário todo mundo é desonesto e ladrão. Desconfia-se de tudo e de todos! A mania de querer levar vantagem em tudo, como lembrou em comentário a leitora Rita Ribeiro citando a “Lei de Gerson”, destrói totalmente a esperança de que tenhamos uma breve mudança de comportamento das pessoas...

CRÔNICA – UM BRASIL DIFERENTE

Ao pisar o solo desta linda região de Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, pela terceira vez, não tinha dúvidas de que não seria apenas mais uma viagem de turismo que estaria realizando, mas certamente mais uma caminhada na direção de novas observações sobre os costumes e hábitos que envolvem o comportamento das pessoas, e porque certas práticas são bastante diferentes no resto do Brasil. Como tive a felicidade de conhecer alguns outros países da Europa observo que a tendência natural é a de se dizer que a Europa é outro mundo e, portanto, não é o nosso caso. Daí percebe-se que há uma indolente conformidade em continuar praticando atitudes comuns aos países pobres do chamado “Terceiro Mundo”, contrariando a honrosa posição que o Brasil já ocupou em 2011 no ranking dos países de economia forte, como sexto colocado, à frente de uma potência como a Inglaterra.

Quais lições podem ser extraídas em um simples giro pretensamente turístico por um segmento geográfico deste país? Essa seria uma colocação simplória e inconsistente, se não partisse de um analista do cotidiano que tem a curiosidade de estabelecer comparativos entre práticas divergentes de um Estado para outro e questionar por que os bons exemplos não são seguidos e aplicados. Pergunta o leitor: o que existe de tão diferente assim que nos coloca numa avaliação de relativa inferioridade? Antes de satisfazer essa curiosidade natural, devo ressaltar que não seria tão incauto a ponto de desconhecer que são culturas e tradições bem diferentes, e que este texto não tem a pretensão de achar que nós baianos e nordestinos de modo geral, de repente tenhamos de pensar e agir conforme a população do sul do país, violentando a sua própria identidade. Também esta crônica não deseja comparar essas regiões no campo econômico, uma vez que cada uma tem potencialidades de dimensões e grandezas específicas. É oportuno registrar que as coisas boas que acontecem dentro do território brasileiro devem ser compartilhadas, imitadas e copiadas, de forma a atingir um crescente aperfeiçoamento nos costumes e na cultura, valores que transcendem os limites de qualquer fronteira geográfica...

CRÔNICA - OS BONS TEMPOS DO “FIO DO BIGODE”

Ainda bem que a memória não permite que histórias tão pitorescas e que realçam as características de firmeza, caráter, dignidade e honradez de um povo, sejam levadas como pó pelos ventos do esquecimento e depositadas sob a penumbra inexorável do passado ou simplesmente deletadas, como se diria na linguagem moderna dos nossos dias. Elas precisam ser contadas para multiplicação do exemplo às novas gerações.

O registro que faço nesta crônica, extraído dos extraordinários relatos orais do meu amigo Francisco Nunes Dourado, o “Senhor Tico” – recentemente falecido - da Fazenda Sabino, município de João Dourado, região de Irecê, traz a lição da grandeza que marcava as atitudes e comportamentos do homem de então. Os tempos do “fio do bigode” ou do acordo feito entre as partes envolvidas dando a entender um compromisso na palavra e na confiança...

CRÔNICA – DIA DO NORDESTINO: ESSA GENTE SERTANEJA

Estilingue é Balieira / Uma prostituta é Quenga / Cabra medroso é Molenga / Um baba ovo é Chaleira / Opinar é dar Pitaco / Axilas é Suvaco / E cabra ruim é Mala / Atrás da nuca é Cangote / Adolescente é Frangote / Pra chamar é Dando Siu / Sem falar, Fica de Mal /Separar é Apartá / Desviar é Ataiá / E pra desmentir é Nego / Quem está desnorteado /Aqui se diz Ariado / E complicado é Nó Cego / Coisa fácil é Fichinha /Dose de cana é Lapada / Empurrão é Dá Peitada /E o banheiro é Casinha / Tudo pequeno é Cotoco / Vigi! Quer dizer, por pouco /Desde o tempo da senzala / Verme no bucho é Lombriga /Com raiva Tá Com a Bixiga / Nessa terra nordestina / Seu menino, essa menina! /É assim que a gente fala  (Cordel de autoria de Ismael Gaião da Costa, nascido na capital pernambucana, engenheiro agrônomo).  

A inteligência e a percepção do escritor Euclides da Cunha inspirou-lhe uma frase tão singela quanto verdadeira que ultrapassa o tempo e se eterniza na memória de quantos conhecem as vicissitudes da gente do sertão: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte” (Os Sertões, 1ª Edição, 1902). O trovador usa a frase como mote dos seus versos, quando nas feiras livres exalta o inconfundível perfil do nordestino. Os políticos dela se aproveitam quando na empolgação dos seus discursos nem sempre transmitindo o desejado convencimento.

Não basta fazer poesia ou tecer altos elogios em oratórias cheias de empolgação, mas é preciso ter a sensibilidade para sentir e interpretar o verdadeiro significado do adjetivo “forte” de Euclides. Também não tenho a pretensão de fazê-lo. A capacidade de resistência da gente sertaneja vai além dos limites de meras definições literárias ou científicas. O suor com sabor de sangue que lhe corre nas faces parece emergir das suas entranhas como lenitivo e bálsamo para a pele que queima sob a intensidade do sol. Não se quebranta com pouco sofrimento, nem se arrefece ante os grilhões da dor, da sede e da fome, como se lhe fossem alimentos de vida. É um forte que está mais para o verdadeiro sentido de fortaleza, muralha, que resiste bravamente às adversidades...

ARTIGO – NEM O “PROGRAMA FOME ZERO” ESCAPA!

Imagino que cada leitor deste blog tanto na escola como na vida doméstica, aprendeu ao longo da vida certas regras simples que o conduzia sempre na direção de uma linha de comportamento, marcada para o caminho da correção, respeito e ter vergonha na cara. Quantas vezes à mesa no café da manhã ou durante o almoço os pais interrompiam a refeição por pequenos instantes para ensinar lição de moral aos filhos, ou chamar-lhes à atenção por alguma notícia de falha de conduta! Era a educação doméstica funcionando. Na escola houve um tempo em que no currículo escolar existia a matéria Moral e Cívica. Hoje pode não ter uma matéria similar, mas, certamente, os nossos professores fazem essa tarefa por conta própria.

Alguns diriam que os tempos mudaram e que certos desvios de comportamento viraram coisa comum. Preferia estar utilizando o espaço semanal dessa coluna para a exaltação da cultura, o registro de conquistas e realizações tanto pelo cidadão no dia a dia como pelo poder público. Entretanto0 o que se ler nas páginas dos jornais e revistas, e se ouve em todos os noticiários de rádio e televisão, exaustivamente, são as histórias mais deprimentes de assalto aos recursos públicos, através de projetos que não se realizam, obras que se iniciam e não são concluídas, alimentos do governo jogados fora, escândalos de todos os matizes! Todo esse conjunto de práticas que enojam a todos se resume numa única palavra que atualmente está impregnando o nosso vocabulário, virou instituição nacional e está envergonhando o povo brasileiro: corrupção!  ..

CRÔNICA – UM CONFLITO DE GERAÇÕES

Estamos vivendo num processo de transformação tão veloz em todos os setores da atividade produtiva e de criação que fica difícil a qualquer cidadão fazer um razoável acompanhamento. A tecnologia moderna nos segmentos mais diversos alcançou um ritmo tal de inovação que as pessoas si quer conseguem aprender o funcionamento dos equipamentos que adquirem e logo outras modificações mais avançadas já são introduzidas, tornando obsoletas máquinas ainda novas.

Em decorrência de todo esse processo, com a incrível variedade de funções dos celulares e a explosão dominadora da internet, percebe-se acentuado conflito de gerações que não se restringe apenas à linguagem da comunicação, mas à manifestação dos desejos e atitudes na prática da navegação em minúsculos aparelhos que conectam as pessoas com o mundo! É uma verdadeira revolução nos costumes, visto que as novas gerações enquanto fazem as refeições não sabem se mastigam ou se navegam na internet; enquanto andam nas movimentadas calçadas das cidades ou mesmo ao atravessar as faixas de pedestres estão sempre de cabeça baixa digitando mensagens; as crianças, enquanto brincam nos parques, simultaneamente assistem aos filmes preferidos nos seus iPhones; nas academias os atletas se movimentam nos aparelhos de ginástica e enquanto uma das mãos se apoia no equipamento a outra transmite no celular mais uma mensagem aos amigos; os pais sofrem ao colocar as crianças para dormirem, pensando na escola do dia seguinte, mas elas resistem e estão incansáveis no iPad ou iPhone! É comum em rodas de amigos que se encontram para um papo ou mesmo para um almoço num restaurante e logo se ver que em cada grupo de dez, certamente sete ou oito estão na laboriosa missão de responder às mensagens que chegam a todo o momento dos diversos grupos das redes sociais!..

ARTIGO – CONSAGRANDO A IMPUNIDADE?

                            

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, e de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". (Rui Barbosa - Senador - 17/12/1914)

Não é necessário ter conhecimento jurídico para analisar as implicações quanto ao impacto negativo que atingiu nos últimos dias um dos Poderes mais expressivos e respeitados da República brasileira, o nosso Supremo Tribunal Federal-STF, com o simples empate por 5 x 5 no julgamento dos Embargos Infringentes no Processo do Mensalão, episódio que já foi suficientemente catastrófico à imagem ímpar que desfrutava a instituição. A decisão em si já foi frustrante pela confiança que dominava o coração dos brasileiros. Não é possível o entendimento, mesmo para o mais leigo cidadão deste país, que o Tribunal julgue e condene 25 réus numa fase preliminar do processo do mensalão – essa excrescência da corrupção nacional – e ao retornar para o julgamento dos embargos interpostos pelos defensores de doze condenados, convenientemente alguns Ministros “cartas marcadas” encontrem motivos para retificar posições e exibir votos já anteriormente previsíveis!..

ARTIGO – NATAN DONADON: O INQUILINO DA CELA 595

Qual adulto de hoje não já passou pela experiência durante a juventude de ouvir dos mais velhos uma frase bastante emblemática: “Você não é mais criança para estar se comportando dessa forma!”. A frase significava que aquele jovem já tinha amadurecimento suficiente para assumir uma nova postura na vida, não mais sendo admitidos certos comportamentos, principalmente aqueles que se desviavam dos padrões de respeito e moralidade. São princípios básicos, elementares e consagrados pela sociedade na formação do cidadão.

Por analogia, um país com 513 anos de descoberto, 191 anos da sua independência e 124 anos de proclamada a República, constituído com os Poderes do Estado universalmente admitidos para o funcionamento de uma nação democrática – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário – e em cuja trajetória passou pelos Níveis de Ensino Fundamental, Médio e Superior no seu aprendizado como nação, merecia ouvir também um carão similar: “Brasil, você não é mais uma criança como nação para admitir tantos desvios de comportamento dos que deviam zelar pela sua boa imagem no contexto mundial!”. ..

Artigo – REMINISCÊNCIAS – Alguns casos e causos

Todo cronista do cotidiano tem apego a casos e causos que conhece ao longo da vida, principalmente aqueles originados de algumas figuras tradicionais, folclóricas e inspiradoras de uma variedade de histórias. Como convivi muitos anos em Irecê, tenho alguns registros da época que julgo interessantes:

●Alcir Dourado, grande seresteiro, tinha um barzinho onde vendia churrasquinho e o Sr. Pedrinho Lucena, o primeiro gerente do Banco do Brasil, 1965, era o seu freguês habitual. Certamente que o Alcir se sentia muito honrado em ter o gerente do Banco como seu cliente e usava isso no seu marketing de venda. Certo dia o Alcir, esperando ouvir palavras estimuladoras, pergunta ao seu Pedrinho o que ele achava do churrasco, visto que todo dia levava uns assados para casa. Habituado a algumas tiradas irônicas e debochadas, o seu Pedrinho responde prontamente: “Eu não sei, porque eu levo para o meu cachorro!”...

ARTIGO - O “PODER DO POVO” OU O QUARTO PODER DA REPÚBLICA

Em 24/05/13 este Blog publicou artigo de minha autoria sob o título “Poder Legislativo ou Econômico?”, em que registrava o meu repúdio diante de um Congresso Nacional inoperante, corrupto e de comportamento servil, cujos projetos adormeciam em berço esplêndido e eram submetidos à discussão e à votação nas caladas da noite, após exaustivas negociações, não em torno dos temas ou aperfeiçamento dos projetos mas o “quanto” de milhões em verbas estava o Governo disposto a liberar de Emendas ao Orçamento que mais beneficiam os interesses pessoais dos parlamentares que das comunidades a que se destinam. A minha indignação representava o sentimento represado de milhões de brasileiros que assim pensam ou pensavam mas não tinham descoberto o seu real poder de extravasar a revolta contra tantos erros acumulados e repetidos, ao ponto das esperanças já evidenciarem estado de adormecimento e desencanto no íntimo de cada brasileiro.

A motivação inicial do movimento popular, em torno da redução da tarifa do transporte coletivo, iniciado em São Paulo e depois espalhando-se por todo o Brasil – inclusive Juazeiro e Uauá marcaram presença - ganhou amplitude com a descoberta pelas lideranças que mais que “vinte centavos” existia um universo de problemas mais graves de ordem política e social que também exigiam uma postura firme naquelas manifestações. A qualquer analista torna-se impossível encontrar as palavras ou frases que possam definir a importância e dimensão da força que representou o movimento das últimas semanas, não pelo resultado positivo na redução de tarifas do transporte mas, sobretudo, pelo poder de tirar do imobilismo e da inércia um Congresso Nacional que só votava após negociatas vergonhosas ou mediante trocas, cargos e Ministérios...

Artigo - Preservando as tradições culturais

Todas as festas típicas e tradicionais de um povo tem uma particularidade especial pelo que representam de traços culturais, sua história, hábitos e costumes, não importando com que intensidade agrade ou não quantos delas tenham oportunidade de participar. Do carnaval ao forró que marca o ciclo das festas de homenagem aos Santos São José, Santo Antonio, São João e São Pedro, cada data é esperada pelos habitantes com louca ansiedade. Sabe-se de histórias incríveis em que as pessoas largam tudo, até obrigações profissionais, para se deslocarem às suas cidades de origem, pois a participação ativa ou não na festa que se tornou um folclore da terra quase que significa um ingrediente de realimentação da própria vida e fator motivacional para o trabalho ao retornarem.

Estamos nos aproximando dos “festejos juninos”, cujo nome da festa está diretamente vinculado ao mês de junho. A decoração característica das cidadescom as suas bandeirolas coloridasa tremular intensamente, as novenas na igreja, as danças alegres, as comidas típicas originadas do milho, os fogos, as fogueiras e as músicas caipiras, são alegorias indissolúveis e marcantes das comemorações...

Artigo - Poder Legislativo ou Econômico?

Sem qualquer pretensão de ser perfeccionista do comportamento humano ou intolerante contumaz com as regras pouco ortodoxas praticadas na Câmara dos Deputados, fica difícil resistir a não fazer uma breve avaliação dos acontecimentos recentes que envolveram o dia a dia da instituição, na trajetória para votação da Medida Provisória 595, a MP de modernização dos Portos nacionais. Basta lembrar que os nossos portos representam o que há de mais antigo, superado e obsoleto sistema de embarque e desembarque de produtos no mundo, com operação onerosa e lenta, o que já seria um fato o bastante para que, responsavelmente, fosse dedicado pelos parlamentares o tempo suficiente à análise e discussão da referida MP. Ao invés disso, deixaram que o tempo corresse livremente e quase ao se esgotar o prazo fatal, aí sim, numa insana batalha de ligações telefônicas para convocar os 513 deputados, até por parte do próprio presidente da Casa, o tema finalmente entrou em votação! 

O quorum obtido para viabilizar a votação depois de 20 horas de discussão, de apenas 332 deputados dos 513 eleitos, não evidencia ter ocorrido uma repentina explosão de patriotismo mas, sim, resultante de negociações opressoras e pouco democráticas, cujos votos foram barganhados através do sistema de escambo: “eu voto, desde que o governo libere determinada Emenda Parlamentar que irá beneficiar municípios da minha área de votação”. E o governo, sempre vergonhosamente refém desse sistema parlamentar indecoroso, comprou por UM BILHÃO DE REAIS a aprovação da Medida Provisória, através da distribuição de recursos de Emendas Parlamentares! Diriam alguns que faz parte do jogo democrático! Mas, se para aprovar leis e projetos que venham corrigir as falhas que emperram o desenvolvimento do país, o governo tenha de gastar milhões de reais para tal fim, estamos diante de um quadro de imoralidade e de indecência tal, que o Poder Legislativo, desvirtuado no cerne dos seus objetivos, está mais para Poder Econômico! ..

ARTIGO - CORRUPÇÃO: UMA TRISTE ESCALADA

Adm. Agenor Santos

Todos os fatos e acontecimentos de grande impacto e repercussão, não importa de que natureza, têm o poder de remeter ao esquecimento os problemas ou escândalos que, em algum momento, abalaram o emocional da sociedade brasileira, ferindo-lhe no âmago a credibilidade ou mesmo destruindo os últimos resquícios de esperança. Por algum tempo, novos episódios conseguem fazer com que, até a própria mídia, rediricione o foco das suas preocupações e o cidadão passe a conviver com novas emoções...

ARTIGO: CAMINHOS E DESCAMINHOS DO DINHEIRO PÚBLICO

Tenho certeza que o ufanismo que domina os corações dos brasileiros, e que enche de otimismo, confiança e novas esperanças cada cidadão quanto ao futuro deste nosso país no conjunto das nações, de repente é novamente atingido por vergonhosas e desalentadoras notícias de novos fatos ligados aos históricos desvios de verbas públicas. Esse mórbido comportamento que está impregnado na alma da grande maioria dos Gestores do dinheiro público, seja nos Governos Municipais, Estadual ou Federal, Ministérios, Congresso Nacional, ou mesmo em Departamentos e Instituições Públicas afins, tem o poder não somente de ferir no cerne da dignidade das pessoas de bem, como o de macular de forma trágica a nossa imagem como povo no exterior. Dias atrás li um comentário de que um dos motivos da evasão de novos investimentos no Brasil era o elevado índice de corrupção existente no país, pelo que pode representar de desestabilização, também, na área político-institucional. Não concebo até onde chegará o nível de tolerância dos Tribunais, para a punição, com rigor, dos responsáveis por comprovados atos de assalto aos recursos oficiais.

Virou moda o triste esquecimento de um escândalo nacional diante do surgimento de outro de maior graduação (!), seja pelo volume de dinheiro desviado, seja pelo grau de importância da autoridade envolvida. E assim a mídia vai se alimentando com o vasto repertório diário de crimes de toda ordem, ficando até meio monótono quando a televisão quebra a rotina passando a dar uma sequência de boas notícias!..

Artigo - Setor Público: Controle, Monitoramento e Avaliação

“Todo aquele que tem poder, tende a abusar dele. Para evitar que os governos se transformem em tiranias, cumpre que o poder detenha o poder, porque o poder vai até onde encontra limites” (Montesquieu).

A administração de qualquer órgão público, e no caso especial e particular de uma Prefeitura Municipal, com toda a complexidade que envolve a execução dos programas e projetos, sujeita os seus gestores à convivência com falhas e desvios de toda ordem, impondo-se rigoroso acompanhamento que possa fazer cumprir as condições técnicas exigidas e para que os resultados colimados sejam atingidos. Para que as transformações sociais ocorram, concretamente, como resultado efetivo da correta aplicação dos recursos públicos, faz-se necessário uma eficiente atuação não somente dos executores, mas, sobretudo, daqueles que estão encarregados de controlar, monitorar e avaliar. Se não houver uma atuação responsável e eficiente, serão graves as distorções entre os objetivos pretendidos e os resultados efetivamente alcançados, prejudicando, assim, o sucesso das metas e uma resposta positiva às prioridades governamentais...

ARTIGO: A TORRE DE BABEL E OS NOVOS TEMPOS

A todo aquele que escreve é dado o direito de hibernar voluntariamente por algum tempo, não abandonando a caneta como se dizia no passado, mas nos dias de hoje seria como dando um descanso ao PC. Contudo existem outras razões e formas de hibernação temporária, entre as quais pode ser permitido ao pensamento o direito a reflexões sobre variados temas, o que não significa a quebra de compromissos ideológicos, mas o ajustamento das ideias dentro do turbilhão de acontecimentos do dia a dia.

O quadro político nacional na recente eleição municipal consolidou a convicção de que tudo vale para se manter ou atingir o poder, quando os princípios ideológicos são esquecidos ou colocados em segundo plano. Não há necessidade de identificar ou localizar cada caso porque as coligações esdrúxulas foram generalizadas no plano nacional, com sucessos e derrotas frustrantes, mesmo porque não é fácil falar a mesma língua, nestas circunstâncias. Essa convivência política conflitante, caracterizada pela dificuldade de comunicação entre as partes coligadas, faz-me lembrar de um episódio bíblico em que Deus interrompeu a edificação pelo homem da Torre de Babel, que configurava a ânsia de demonstrar poder e um momentâneo desvio aos princípios divinos. Por isso no Livro do Gênesis, há o registro de que Deus implantou a “confusão de línguas”, oque gerou a dificuldade de intercomunicação e inviabilizou a continuidade do projeto, surgindo daí a diversidade de línguas ainda hoje existente no mundo. O que se viu em muitos quadrantes do Brasil de hoje foi uma confusão semelhante, sem um ordenamento do pensamento e da linguagem, ou fidelidade a princípios, face à ascendência predominante das conveniências pessoais e políticas...