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ARTIGO – MULHER: ESSA GUERREIRA DO NOSSO TEMPO

A luta diária pela sobrevivência tem sido um componente marcante na vida de cada família, que enfrenta com amor, dedicação e coragem todo um elenco de problemas para vencer as dificuldades do dia a dia. É coisa do passado o tempo em que essa luta recaía apenas no grande herói, lider e batalhador de todas as horas, o eterno supridor de todas as necessidades do clã, o “Chefe de Família”. Mas os tempos passaram e um personagem na família adquiriu personalidade própria, venceu tremendos obstáculos e com coragem e determinação conquistou o seu espaço: a mulher, a esposa  ou a companheira. De antiga “dona de casa”, ou melhor, dona dos problemas da casa, pois a ela era reservada a dura incumbência de cuidar de todas as tarefas domésticas, desde cozinhar, lavar pratos, arrumar a casa, lavar e passar roupas, cuidar dos filhos e suas tarefas escolares, além de esposa presente, essa fantástica criatura conquistou o seu espaço no mercado de trabalho e deu o seu grito de independência. Mas esse não foi um grito raivoso, violento, uma ação tipo “black bloc” do lar, de rompimento dos laços que fazem a harmonia familiar, mas de afirmação de que agora não mais existe uma “dona de casa” mas uma “parceira do lar”, uma companheira, uma verdadeira administradora dessa organização chamada “Família”.

Diante de todo esse processo de evolução da mulher, interessante é se observar que, além de essa guerreira ter agregado à sua vida as atividades profissionais externas, ela conseguiu manter o eficiente desempenho nas questões que envolvem o lar, agora evidenciando qualidades da perfeita gestora, que sabe, como ninguém, distribuir as muitas tarefas do dia. Essa extraordinária conquista social, antes de provocar no homem ira e ciúme em razão do seu tradicional comportamento  machista,  mostrou-lhe que essa guerreira ao seu lado não é apenas mulher, amante, esposa, companheira e  mãe dos seus filhos, mas, também, uma legítima professora ou empresária que pode ensinar-lhe como administrar o seu tempo e conduzir com competência a solução de tantos problemas diários dessa empresa chamada “Família”. Sou um admirador inconteste do perfil dessa nova mulher, que sabe ser feminina e empresária, sabe ser dura na hora que as decisões exigem e cheia de doçura e meiguice nos momentos certos!                                                      ..

Artigo 100 – OS DESPERDÍCIOS QUE ENVERGONHAM A NAÇÃO

Ao atingir nesta edição a marca de 100 artigos e crônicas, com pequenas alternâncias semanais no período para não cansar o leitor, permito-me fazer este leve registro comemorativo com algumas reflexões, antes do tema da semana.

Que as primeiras palavras sejam de agradecimento aos editores e leitores pela tolerância e acolhimento ao longo desse tempo, visto que, por melhores que sejam as minhas preocupações em oferecer o melhor texto, a condição humana, contudo, produz a fragilidade do cometimento de falhas indesejáveis e às vezes irrecuperáveis. Quanto à predominância do tema, ele está focado mais objetivamente nos assuntos de interesse nacional, visto que os municipais e estaduais, conquanto também importantes, certamente estão muito subordinados às querelas e disputas localizadas, cujo envolvimento abstenho-me de escrever sobre eles...

Artigo – QUANDO VALE “ATÉ AREIA NOS OLHOS”

Não fosse a transitoriedade da vida, cuja duração não tem o homem o poder de definir ou dimensionar o seu tempo justo, senão quando utilizando o penoso recurso da violência, seria de se imaginar uma sociedade num clima de convivência marcado pela harmonia e pelo agradável reconhecimento do valioso dom da vida. Contrariando, porém, essa expectativa, o que reina é o clima de disputas inconsequentes, constantes atitudes de desrespeitos aos direitos e valores dos semelhantes, verdadeiras lutas fratricidas, filhos matando pais, pais matando filhos, num trágico cenário onde todas as armas são usadas nessa guerra.

É óbvio que, historicamente, o homem tem na sua índole o espírito de conquistador, nunca se conformando com os limites do que possui, ainda que para ampliar os seus espaços tenha que conquistar pela força o território alheio. Assim é que temos na história os exemplos dos grandes conquistadores, destacando-se entre os dez maiores Ciro, o Grande, Alexandre, o Grande, Gêngis Khan, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler, cujas motivações que os inspiravam tinham a marca do “desejo de poder, rivalidade religiosa, intolerância racial, ganância, loucura... todas essas razões influenciaram gênios das estratégias de guerra a tomar territórios e aniquilar militares e civis, inimigos e aliados”...

Artigo – UMA JANELA PARA O FUTURO

No dia a dia as pessoas são sempre levadas, por alguma imagem repentina, a rever filmes que se passaram em suas vidas, fazendo eclodir lembranças e emoções as mais diversas. Por exemplo, transitou pelo Facebook essa foto, bastante emblemática, mostrando um garoto pobre, entre seis e oito anos, assistindo à programação de uma TV postada na janela de uma casa qualquer. Era o retrato vivo da simplicidade, em sua expressão maior, de um tempo que não volta mais..

A televisão, essa grande novidade que chegou ao Brasil em 1950 através do pioneirismo de Assis Chateaubriand, fundador da hoje extinta TV Tupi, mesmo em preto e branco, encantava a todo brasileiro. A imagem colorida somente chegou ao Brasil na copa de 1970, mas somente poucos e seletivos aparelhos nas três principais capitais do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília tinham a condição de transmitir essa beleza em cores. Mas, como o desenvolvimento tecnológico está a todo vapor, já temos hoje a imagem digital de extraordinária qualidade, destacando-se a televisão brasileira como das melhores do mundo...

Artigo – A EXALTAÇÃO DA QUADRILHA E A “RESSACA” MORAL

Já se tornou regra no país que a cada escândalo ocorrido logo surge outro para abafar e relegar aquele ao esquecimento. No presente momento, inversamente, foi uma festa de caráter nacional, o carnaval, que agitou festivamente a vida de grande número de pessoas e a outras outorgou um longo feriadão. Quero dizer que, se não tivesse uma motivação especial, o escândalo da vitória dos réus “Mensaleiros” no Supremo Tribunal, que motivou a redução da pena atribuída pelo próprio Tribunal, estaria até agora atravessado na garganta das pessoas de bem e com grande dificuldade de ser digerido. No mínimo, a sociedade está curtindo agora uma “ressaca moral”.

Já comentei em outro artigo, e sou induzido a retornar ao tema, pelo sentimento de desaprovação que permanece diante do que me parece uma evidente incongruência do princípio que norteia a composição dos quadros de juízes dos Tribunais, desde os estaduais aos Tribunais Superiores, cujos critérios políticos de indicação ferem qualquer concepção de imparcialidade, independência e integridade que se espera de um juiz na difícil missão de julgador. Como imaginar que um juiz de primeira instância tem de ser aprovado em um concurso público, não importa se o candidato é ou não um renomado, competente e experiente advogado, e para Conselheiro dos Tribunais Estaduais ou Superiores, tenha de passar pela indicação de Governadores de Estado e Presidente da República, respectivamente, prevalecendo os compromissos políticos como peso decisório? Por exemplo, consta que o atual ministro Dias Tóffoli de 2003 a 2005, exerceu o cargo de subchefe da área de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, durante a gestão de José Dirceu (!); foi advogado do PT nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1998, 2002 e 2006; em 1994 e 1995 prestou concurso para juiz substituto do Estado de São Paulo, mas foi reprovado nas duas vezes. No entanto, por indicação do governo federal, e graças às articulações da base partidária, foi aprovado no Senado Federal e é hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal! Pode haver isenção nesse voto? No mínimo, deveria se declarar suspeito num processo dessa ordem!..

ARTIGO – VÁ ATRÁS DESSE TRIO: “EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA”

Atualmente, em qualquer roda de conversa em que as pessoas façam reflexões, ou lamentações, sobre os acontecimentos do dia a dia, seja em nível nacional, estadual ou municipal, invariavelmente estará presente no contexto das conversas a humilhante onda de violência que atinge a vida de todas as pessoas, de forma direta ou indireta. Envergonha a todos nós a estatística de que o Brasil registra número já superior a 50.000 mortes por ano, por homicídio, somente comparado à soma de toda a AMÉRICA DO NORTE + EUROPA + JAPÃO + OCEANIA, enquanto na guerra do Vietnã esse volume de mortes foi alcançado depois de sete anos de batalha. Como segundo tema das conversas, certamente, os problemas da saúde estarão em foco, com ênfase na insuficiência de leitos para atendimento da grande demanda de enfermos, doentes espalhados em macas pelos corredores, choro e desespero de mães com filhos nos braços, falta de equipamentos hospitalares ou a existência de alguns adquiridos e estocados, aguardando a sua instalação por dois ou três anos, numa absoluta irresponsabilidade e má gestão dos recursos públicos. Assim, no andamento desse papo informal ganharam evidencia dois temas de fundamental gravidade no rol dos maiores problemas nacionais: SAÚDE e SEGURANÇA.

A esta altura, o leitor atento estará me questionando, de forma enfática, sobre o fato de ter omitido a EDUCAÇÃO desse trio das questões ou problemas mais graves da nação, no que estaria o autor evidenciando um profundo alheamento da nossa realidade. Afirmo que o fiz de propósito porque entendo que A EDUCAÇÃO NÃO SE CONSTITUI NUM PROBLEMA, MAS, SIM, NA GRANDE SOLUÇÃO NACIONAL! Se os grandes investimentos dos recursos públicos fossem administrados com mais responsabilidade, fechando-se as torneiras da corrupção desenfreada e dentro de um planejamento consciente, sério e honesto para atingir os objetivos voltados para uma radical transformação das atitudes, dos costumes, da cultura e das práticas mais elementares que se espera do comportamento humano, não teríamos um tão vergonhoso índice de criminalidade e a melhor qualidade de vida asseguraria um nível de saúde adequado à nossa população. Não é possível que, com a abundância de recursos de tantos programas nacionais, ainda se encontrem escolas e prédios sem as condições mínimas de funcionamento, os nossos professores não tenham a remuneração digna e sejam tratados não pela competência e a qualidade do seu desempenho em classe, mas pelas posições políticas de alinhamento com cada novo prefeito municipal. Segundo pesquisa, “menos de 1% das escolas no país possui a infraestrutura próxima da ideal para o ensino”! Uma tristeza!..

ARTIGO - DE GUTENBERG AOS MODERNOS BLOGS

"A imprensa é um exército de 26 soldados de chumbo com o qual se pode conquistar o mundo" (Johannes Gutenberg)

A comunicação iniciada nas cavernas e deixada por nossos ancestrais entalhada na pedra com figuras de animais e outros desenhos, iniciativa que passou à posteridade importantes mensagens, historicamente pode se definir como o início da linguagem escrita. Através da inventividade do ourives alemão Johannes Gutenberg foi criada a imprensa escrita, com a utilização dos tipos móveis de chumbo ou caracteres tipográficos, em 1439, portanto há 575 anos, configurando-se como o grande feito do século XV! A conquista passou à humanidade a maravilha da expressão escrita que se eterniza, permitindo aos pesquisadores os registros históricos da vida dos povos, além do surgimento das mais variadas manifestações culturais. Porque não lembrar que foi Gutenberg quem fez a primeira Bíblia impressa em série, no total de 180 volumes de 1.282 páginas cada! Delas só restam hoje 48 exemplares no mundo...

ARTIGO – COPA DO MUNDO: ENTRE A FANTASIA E A REALIDADE

Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Fotos que mostram estádios abandonados

O fato de respeitar, democraticamente, o pensamento e as posições das pessoas em geral e dos leitores, em particular, não significa que tenha de afastar-me de uma linha de pensamento analítica e interpretativa dos fatos, principalmente aqueles que direta ou indiretamente afetam não somente as pessoas envolvidas mas a vida da sociedade como um todo. Ao comentar sobre a realização da Copa do Mundo de 2014, o faço com fundamento numa realidade crítica de um país que luta para sair do Terceiro Mundo mas que convive ainda com problemas graves nas áreas da saúde, educação e segurança. Só como um triste exemplo, a televisão mostrou imagens nesta semana de três assaltantes que de arma em punho roubaram todos os pertences (celulares, bolsas, relógios, o dinheiro do remédio e do transporte, etc) dos humildes pacientes que estavam sentados na sala de recepção de um Hospital esperando atendimento!... Nesse episódio todas as três maiores deficiências nossas estavam aí caracterizadas. Falei na crônica anterior em quatro bilhões de reais de recursos públicos investidos para a Copa até agora, mas já me corrigiram que supera os oito bilhões, porque os empreiteiros privados ainda não colocaram nada e o governo teve que assumir! E olha que tem coisa por fazer.....

ARTIGO – A COPA DO MUNDO E O FANTASMA DO “PLANO B”

O tema é delicado porque naturalmente irá atingir a sensibilidade dos mais crédulos, que podem entender que há na reflexão um excesso de exercício de racionalidade a dificultar que as paixões pelo futebol sejam atendidas na dimensão desejada. Gosto dos esportes em geral e do futebol em particular, só que sem os excessos que ultrapassam os limites do controle e das emoções. Preliminarmente quero dizer aos meus leitores que não tenho a pretensão de polemizar, mas há certa desconfiança interior, bem lá no fundo, que vem me angustiando diante de tantos percalços que se antepõem ao grande fato histórico nacional, depois de decorridos 64 anos da primeira copa, que é a realização da Copa Mundial de Futebol no Brasil, neste ano de 2014.

Tenho quase certeza que se a decisão de realizar a Copa fosse precedida de uma consulta popular, a maioria sensata deste país teria se manifestado contrária à sua realização. No mínimo para realizar um evento dessa envergadura o país já tinha de possuir uma infraestrutura básica de “mobilidade urbana” – expressão bonita e que virou moda! – à disposição para o conforto da sua população e da grande massa de turistas estrangeiros que nos visitam há muito tempo. São poucas as nossas rodovias em boas condições – se comparadas às internacionais que se conhece – e os nossos aeroportos ditos internacionais estão sendo readaptados para chegarem ao nível mínimo de segurança e conforto. Dias atrás no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, vazavam goteiras em toda a área de recepção e embarque, uma vergonha. Os nossos estádios praticamente foram reconstruídos  “a toque de caixa”, em sua quase totalidade – pouca coisa se aproveitou das velhas estruturas – e de vez em quando se registram acidentes com mortes devido à pressa com que as obras estão sendo realizadas, pra não dizer das coberturas que não resistem a uma boa chuva. O Estádio da Arena da Baixada, em Curitiba, de tanto atraso já há ameaça da FIFA em alterar os jogos para lá previstos. As obras de “mobilidade” como metrôs/trens e vias de acesso aos estádios talvez não saiam dos projetos. Vale lembrar o nosso metrô Lauro de Freitas x Arena Fonte Nova que nem se fala mais! Se em todos os países onde se realizaram as copas passadas foram oito sedes regionais por que no Brasil tem de ser doze?..

Artigo – UMA INVERSÃO DE VALORES

Autor: Agenor Santos

É notório que nenhuma sociedade tem o poder de construir a sua história num simples passe de mágica ou por um eventual decreto dos governantes. Ela é o resultado de um enorme conjunto de fatores raciais e culturais, das progressivas descobertas e do crescimento pelos caminhos naturais do aprendizado. Essas foram as regras básicas que impulsionaram o homem desde a pré-história, da Era dos Metais (Idade da Pedra, Idade do Bronze e Idade do Ferro) até a atual “Era do Silício”. É uma trajetória de milhares de anos marcada por civilizações de perfis os mais diferenciados possíveis...

ARTIGO: SERIA UMA HERANÇA DOS DEGREDADOS?

As emoções dos brasileiros nas duas últimas décadas foram impregnadas por uma impressionante carga de otimismo em razão de fatos positivos que aconteceram, tanto no âmbito interno como no externo, o que é explícito reconhecer. De uma nação por muitos anos acomodada no seu papel de líder do grupo de países do Terceiro Mundo, potencialmente rica, mas inerte nas suas ambições, de repente o seu povo foi contagiado por uma carga de ufanismo ao vê-lo ascender à honrosa classificação no grupo dos Países Emergentes. O novo conceito de país emergente contagiou cada cidadão com a fé e a confiança de que um novo rumo estava sendo traçado, redesenhando novos caminhos para o futuro. O despertar de uma nova credibilidade institucional atraiu os investidores internacionais com os seus capitais. A atividade econômica se fortaleceu, a moeda se valorizou e ganhou por algum tempo a paridade com o dólar americano. A brasilidade adquiriu um novo perfil. Nascia um novo espírito de cidadania.

Mas há um ditado popular que diz: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. E eis que, lamentavelmente, o castelo dos sonhos começou a desmoronar. Em contrapartida a esse momento histórico, eis que surge no horizonte um buraco negro do qual emergiram personagens indesejáveis, portadores de uma dupla face de caráter. Por algum tempo heróis e em outro momento da história réus destruidores de um sonho. Os interesses do Estado passaram a um plano secundário e as ambições pessoais e corporativas ocuparam o espaço principal. Iniciou-se o desmoronamento do castelo e um acentuado processo de aniquilamento de valores e princípios básicos originados de um modelo de educação doméstica, construído com suor e sangue por uma geração de pais que hoje ainda está viva ou por outras que já estão em outro plano e que de lá se envergonham com o que assistem...

ARTIGO – A ASSEPSIA DE CINGAPURA NO BRASIL?

Dentre os comentários emitidos por leitores à crônica “LARANJAS PODRES” da última semana, sejam os postados no Blog Geraldo José ou pela via do e-mail ao autor, todos solidários e indignados diante de tanto descalabro que caracteriza o universo político-administrativo à nossa volta, um deles postado pela leitora Yara Buongiovanni, de São Paulo-SP, merece ser reproduzido e comentado por tratar da assepsia de Cingapura, realizada pelo governo de Lee Kuan Yew, quando assumiu  com mão de ferro o comando do país. Vejamos o que fazia o Sr. Lee para extirpar os males que atrapalhava o crescimento do país:

“Em seis meses, dos cerca de 500 mil presidiários sobraram somente..

ARTIGO – LARANJAS PODRES

Citrus sinensis, da família da Rutaceae, é o nome científico da laranja. Popularmente ganha personalização como laranja-doce, laranja-bahia, laranja-lima, laranja-pera, laranja de umbigo, etc. É uma fruta muito importante no complemento alimentar pelas suas qualidades e valor nutricional, além de representar item de exportação para a nossa economia. É uma fruta tão importante que todo escândalo político ou econômico-financeiro que se preze tem “um (a) laranja” pelo meio! Como a fruta, o tipo tem de ser doce, afável, maduro, quase mudo e não delator.

Como é difícil ou quase impossível parar de falar ou escrever sobre essa praga que foi o mensalão! Imaginava colocar uma pedra sobre o assunto, porque já quase desgastante, principalmente diante do que afirmei na crônica anterior quanto a que nada melhor para abafar um escândalo que gerar outro, imediatamente. Ao dizer isso procurava lembrar ao leitor que já foi lançado na praça – para não faltar emoção aos brasileiros indignados - o escândalo dos trens e metrôs de São Paulo que envolve PSDB, DEM e PPS, ainda em fase de bombas jornalísticas, mas que pode render também um longo processo judicial e prejuízos à imagem dos seus integrantes vivos e até para alguns já mortos.

Mas o que me faz voltar ao tema é que embora o Supremo Tribunal tenha assumido uma posição mais enérgica no sentido de levar ao final esse processo e desmistificar a histórica frase de que tudo aqui neste país “acaba em pizza”, expressão que por analogia quer significar que todos os envolvidos estarão um dia comemorando em volta de uma mesa, bebendo, cantarolando e servindo-se de uma boa pizza, na simpática maneira dos amigos italianos festejarem um momento alegre, eis que do arcabouço do bem engendrado Mensalão novos fatos vem à tona, sinalizando que onde há fumaça, há fogo. Não é que a reportagem do Jornal Nacional descobriu que o Hotel Saint Peter, aquele que se ofereceu para empregar o José Dirceu como Gerente Administrativo, com a bagatela de 20 mil reais de salário, embora tenha como proprietário conhecido em Brasília, o Sr. Paulo Masci de Abreu, na verdade ele pertence a um “LARANJA” que é um cidadão panamenho, Sr. José Eugenio Silva Ritter, Diretor Presidente da Truston International Inc, empresa estrangeira com sede na cidade do Panamá!... O Sr. Paulo Abreu é apenas um sócio minoritário com apenas R$ 1,00 de capital! Vale destacar que o Sr. José Eugenio, na verdade um Auxiliar num escritório de advocacia, foi encontrado pelo repórter no bairro pobre onde reside na cidade do Panamá, lavando o seu carro sem apresentar nenhum perfil de empresário e assustado porque poderia perder o emprego depois da reportagem. É brincar com a inteligência alheia!..

ARTIGO – HOTEL SAINT PETER: O COMITÊ POLÍTICO DE LUXO

Não tenho qualquer pretensão de escrever em série sobre o tema Mensalão, não só porque são fatos ocorridos na política brasileira que enojam o espírito de qualquer cidadão como não desejo ser recalcitrante numa abordagem que pode transmitir a ideia gratuita de aversão político-partidária, o que não é absolutamente o caso. Mas ocorre que o entusiasmo que dominou as pessoas de bem por terem assistido ao pretenso encerramento do processo do Mensalão, com a sentença e prisão dos réus envolvidos, de repente se assiste à montagem de um verdadeiro circo que provoca uma frustração generalizada. Como num legítimo tsunami de imoralidade, os ministros do STF passaram de repente de juízes a algozes, o presidente da corte apelidado de “Homem do Mau”, e ainda aventaram a possibilidade de ser pedido o seu impeachment do cargo e daí por diante. De réus acusados de formação de quadrilha, corrupção ativa ou passiva, lavagem de dinheiro, peculato e evasão de divisas - apenas isso! - transformaram-se em ilustres vítimas ou presos políticos. A organização criminosa foi tão bem concebida que, como as grandes empresas, estava departamentalizada em “Núcleo Político” – tendo como chefe José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula – e o “Núcleo Operacional”, comandado pelo Delúbio Soares.

Naturalmente que toda essa encenação já era esperada porque estamos cansados de ver que nada melhor para abafar um escândalo que gerar outro, imediatamente. Tudo isso seria normal porque estava dentro da expectativa e da tradição. Mas o que impressiona é que mesmo condenado à prisão em regime semiaberto, em que está livre durante o dia e se recolhe à prisão à noite, o José Dirceu continua querendo dar as cartas nesse jogo. Deseja trabalhar durante o dia como Gerente de Hotel de luxo, localizado ao lado do poder da república em Brasília-DF, com o fantasioso e irreal salário de R$20.000,00 – o dobro do mercado para gerentes de carreira – o que é, no mínimo, querer brincar com a inteligência alheia. O importante é que montará o seu Comitê Político, sob as barbas do Supremo Tribunal que o condenou! Tremenda petulância!..

ARTIGO – SERÁ A CAMINHADA PARA UM NOVO TEMPO?

Assim como não é permitido a ninguém o direito de vilipendiar sobre a miséria alheia, mesmo naqueles instantes em que o indivíduo está recebendo a justa condenação pelos seus atos e caminhando em direção ao cadafalso ou à cela prisional, fato que naturalmente provoca no íntimo de cada cidadão uma leve sensação de prazer por vê uma nesga de justiça sendo finalmente praticada neste Brasil, também não se pode aceitar que os réus do Mensalão – leia-se José Dirceu e José Genuíno - assumam uma postura de heróis e se apresentem de punhos erguidos e fechados como se desafiassem a autoridade que os condenou. Mais grave ainda é a atitude de expressar um leve sorriso como se transmitissem uma mensagem de felicidade e que aquele cenário lhes era favorável a uma volta vitoriosa. Quem sabe, tudo é possível neste Brasil!

Embora tudo que esteja agora acontecendo, após uma longa espera de oito anos, só foi possível porque um ministro assumiu com dignidade a sua responsabilidade - o “Homem do Mau” como está sendo acusado - e assumiu todos os ônus de tentar levar a termo esse processo. Para vencer esse desafio, travou homéricas batalhas internas dentro do próprio STF contra colegas ministros que ali chegaram com objetivos bem definidos, mas a prisão de todos os envolvidos ainda não satisfaz plenamente, porque a pergunta que está atravessada na garganta das pessoas sérias deste país e ainda sem resposta, é: E o dinheiro público desviado, quem vai devolver aos cofres da nação?..

CRÔNICA: ENCONTROS E REENCONTROS

Nos dias de hoje parece-me um fato inusitado e até certo ponto surpreendente, alguém comentar que mais de uma centena de funcionários (140) ativos e aposentados, da década de 80/90, de determinada empresa, reuniram-se para um reencontro de confraternização, após 25 a 33 anos de separados pelo tempo e pela distância, oportunidade em que o sorriso, a alegria e a empolgação foram características que adornaram os abraços cheios de emoção a cada nova saudação! Embora a internet com a força pujante das redes sociais tenha o poder de aproximar as pessoas, minuto a minuto, não importa onde elas estejam nada substitui o calor do abraço, as lágrimas da saudade satisfeita e as vozes às vezes embargadas daqueles mais emotivos.

Um evento dessa natureza ganha ainda maior relevância ao lembrar que se trata de ex-funcionários hoje residentes em lugares os mais longínquos possíveis, alguns a milhares de quilômetros de distância entre o norte e o sul deste país. Somente vínculos muito fortes, consolidados por uma soma de regras e lições que se sucederam ao longo de uma convivência de médio e longo prazo, sobretudo resultantes de uma estrutura basilar construída de notórios princípios pela empresa empregadora ao longo da sua história, puderam inspirar tão intensa amizade, afeto e cumplicidade! E essa empresa tem uma história escrita com as penas da solidez e da dignidade ao longo de 205 anos: o Banco do Brasil!..

CRÔNICA – UM BRASIL DIFERENTE - II

O impacto positivo geralmente causado junto aos leitores pelos temas das crônicas que abordam situações envolvendo educação, dignidade, ética, respeito, moralidade, honestidade, decência, ordem, repúdio à corrupção, crescimento pelo trabalho, etc., demonstram a existência de uma ansiedade latente em todas as pessoas de bem desse país, de verem as coisas acontecerem dessa forma à sua volta nas relações interpessoais na vida cotidiana e no trabalho, na cidade ou Estado onde moram. O convencimento de que essa é a pura verdade está expresso nos inúmeros comentários inseridos nos Blogs e Sites onde a matéria é publicada, além de uma grande demanda de e-mails recebidos, nos quais a tônica é a espontânea aprovação ao espírito do texto e a revelação desse mais puro desejo.

Em complemento às observações feitas nesse breve giro a Gramado-RS, objeto da crônica anterior do mesmo título, merecem registros mais dois fatos simples, mas que representam indicadores de que quando estão presentes as qualidades acima mencionadas, as atitudes e comportamentos apresentam um perfil diferenciado: a) Aqui entre nós quando o hóspede vai deixar o hotel e pede no balcão para fechar a conta, a primeira coisa que o atendente faz é interfonar para alguém ou pedir ao funcionário de apoio que vá ao apartamento para ver o consumo do frigobar e confirmar se está tudo em ordem, enquanto o visitante espera. Em Gramado, o nosso grupo de vinte pessoas estava deixando o Hotel Sky e a recepção apenas perguntou: “Senhor, algum consumo?”. O hóspede informa se houve ou não e o atendente súbito lhe passa o valor da consumação, e após o pagamento apenas acrescenta um simpático: “obrigado, senhor, e boa viagem”. Como ele tem o hábito de agir com respeito e honestidade nas suas relações acredita que o outro também detém essas qualidades! b) Três dias após o retorno recebo um e-mail do hotel de agradecimento pela visita e solicitando que indique sugestões que possam melhorar os seus serviços!

Tudo isso parece muito simples porque ser íntegro, ser honesto e ter caráter deveria ser uma regra geral e comum. Todavia ganha particularidade e referência porque aqui entre nós, lamentavelmente, o que prevalece é o conceito de que até prova em contrário todo mundo é desonesto e ladrão. Desconfia-se de tudo e de todos! A mania de querer levar vantagem em tudo, como lembrou em comentário a leitora Rita Ribeiro citando a “Lei de Gerson”, destrói totalmente a esperança de que tenhamos uma breve mudança de comportamento das pessoas...

CRÔNICA – UM BRASIL DIFERENTE

Ao pisar o solo desta linda região de Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, pela terceira vez, não tinha dúvidas de que não seria apenas mais uma viagem de turismo que estaria realizando, mas certamente mais uma caminhada na direção de novas observações sobre os costumes e hábitos que envolvem o comportamento das pessoas, e porque certas práticas são bastante diferentes no resto do Brasil. Como tive a felicidade de conhecer alguns outros países da Europa observo que a tendência natural é a de se dizer que a Europa é outro mundo e, portanto, não é o nosso caso. Daí percebe-se que há uma indolente conformidade em continuar praticando atitudes comuns aos países pobres do chamado “Terceiro Mundo”, contrariando a honrosa posição que o Brasil já ocupou em 2011 no ranking dos países de economia forte, como sexto colocado, à frente de uma potência como a Inglaterra.

Quais lições podem ser extraídas em um simples giro pretensamente turístico por um segmento geográfico deste país? Essa seria uma colocação simplória e inconsistente, se não partisse de um analista do cotidiano que tem a curiosidade de estabelecer comparativos entre práticas divergentes de um Estado para outro e questionar por que os bons exemplos não são seguidos e aplicados. Pergunta o leitor: o que existe de tão diferente assim que nos coloca numa avaliação de relativa inferioridade? Antes de satisfazer essa curiosidade natural, devo ressaltar que não seria tão incauto a ponto de desconhecer que são culturas e tradições bem diferentes, e que este texto não tem a pretensão de achar que nós baianos e nordestinos de modo geral, de repente tenhamos de pensar e agir conforme a população do sul do país, violentando a sua própria identidade. Também esta crônica não deseja comparar essas regiões no campo econômico, uma vez que cada uma tem potencialidades de dimensões e grandezas específicas. É oportuno registrar que as coisas boas que acontecem dentro do território brasileiro devem ser compartilhadas, imitadas e copiadas, de forma a atingir um crescente aperfeiçoamento nos costumes e na cultura, valores que transcendem os limites de qualquer fronteira geográfica...

CRÔNICA - OS BONS TEMPOS DO “FIO DO BIGODE”

Ainda bem que a memória não permite que histórias tão pitorescas e que realçam as características de firmeza, caráter, dignidade e honradez de um povo, sejam levadas como pó pelos ventos do esquecimento e depositadas sob a penumbra inexorável do passado ou simplesmente deletadas, como se diria na linguagem moderna dos nossos dias. Elas precisam ser contadas para multiplicação do exemplo às novas gerações.

O registro que faço nesta crônica, extraído dos extraordinários relatos orais do meu amigo Francisco Nunes Dourado, o “Senhor Tico” – recentemente falecido - da Fazenda Sabino, município de João Dourado, região de Irecê, traz a lição da grandeza que marcava as atitudes e comportamentos do homem de então. Os tempos do “fio do bigode” ou do acordo feito entre as partes envolvidas dando a entender um compromisso na palavra e na confiança...

CRÔNICA – DIA DO NORDESTINO: ESSA GENTE SERTANEJA

Estilingue é Balieira / Uma prostituta é Quenga / Cabra medroso é Molenga / Um baba ovo é Chaleira / Opinar é dar Pitaco / Axilas é Suvaco / E cabra ruim é Mala / Atrás da nuca é Cangote / Adolescente é Frangote / Pra chamar é Dando Siu / Sem falar, Fica de Mal /Separar é Apartá / Desviar é Ataiá / E pra desmentir é Nego / Quem está desnorteado /Aqui se diz Ariado / E complicado é Nó Cego / Coisa fácil é Fichinha /Dose de cana é Lapada / Empurrão é Dá Peitada /E o banheiro é Casinha / Tudo pequeno é Cotoco / Vigi! Quer dizer, por pouco /Desde o tempo da senzala / Verme no bucho é Lombriga /Com raiva Tá Com a Bixiga / Nessa terra nordestina / Seu menino, essa menina! /É assim que a gente fala  (Cordel de autoria de Ismael Gaião da Costa, nascido na capital pernambucana, engenheiro agrônomo).  

A inteligência e a percepção do escritor Euclides da Cunha inspirou-lhe uma frase tão singela quanto verdadeira que ultrapassa o tempo e se eterniza na memória de quantos conhecem as vicissitudes da gente do sertão: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte” (Os Sertões, 1ª Edição, 1902). O trovador usa a frase como mote dos seus versos, quando nas feiras livres exalta o inconfundível perfil do nordestino. Os políticos dela se aproveitam quando na empolgação dos seus discursos nem sempre transmitindo o desejado convencimento.

Não basta fazer poesia ou tecer altos elogios em oratórias cheias de empolgação, mas é preciso ter a sensibilidade para sentir e interpretar o verdadeiro significado do adjetivo “forte” de Euclides. Também não tenho a pretensão de fazê-lo. A capacidade de resistência da gente sertaneja vai além dos limites de meras definições literárias ou científicas. O suor com sabor de sangue que lhe corre nas faces parece emergir das suas entranhas como lenitivo e bálsamo para a pele que queima sob a intensidade do sol. Não se quebranta com pouco sofrimento, nem se arrefece ante os grilhões da dor, da sede e da fome, como se lhe fossem alimentos de vida. É um forte que está mais para o verdadeiro sentido de fortaleza, muralha, que resiste bravamente às adversidades...