Há 88 anos, em 28 de julho de 1938, Lampião, Maria Bonita e Onze cangaceiros, foram mortos, durante emboscada

Os jagunços do capitão Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, ainda estavam acordando quando, por volta das 5h, perceberam que estavam cercados por todos os lados.

Eles haviam acampado na fazenda Angicos, no sertão do Sergipe, um lugar que o chefe do grupo considerava muito seguro. Mas alguém os havia traído e, na alvorada de 28 de julho de 1938, os cangaceiros foram encontrados por uma força policial, na época chamada de "volante", criada para localizar e eliminar o então Rei do Cangaço.

Portanto nesta terça-feira (28) completa 88 anos do desaparecimento físico do casal, Lampião e Maria Bonita.

Durante 18 anos anos à frente de um bando que teve mais de 40 cangaceiros, Lampião cometeu ou foi mandante de crimes como assassinatos, sequestros e saques de cidades inteiras. Era considerado um inimigo público por autoridades. Por outro lado, o cangaço também era identificado como movimento de combate às desigualdades e aos desmandos de políticos e fazendeiros. Com o passar do tempo, Lampião, devoto de Padre Cícero, ganhou destaque entre os protagonistas da cultura nordestina.

O pernambucano nascido no município Vila Bela, atual Serra Talhada, deixou suas digitais em sete estados do Nordeste, mas já estava cansado da vida de crimes. Na mesma edição do dia 1º de agosto de 1938, O GLOBO contou que, segundo pessoas próximas, Lampião vinha manifestando uma vontade crescente de largar a bandidagem, após comprar terras em Sergipe. Mas, àquela altura, o cangaceiro, com mais de 40 anos, já era procurado, vivo ou morto, por autoridades de diferentes estados.

De autoria desconhecida, a icônica foto das cabeças cortadas do bando foi tomada na escadaria do Palácio Dom Pedro II, onde hoje fica a sede da Prefeitura de Piranhas, em Alagoas, a 40 quilômetros da Fazenda Angicos. Um soldado da "volante" passou horas fazendo o mórbido arranjo com as cabeças na escadaria do palácio, com o cuidado de expor também rifles, chapéus e outros pertences do grupo. A cabeça de Lampião estava irreconhecível, devido ao disparo na boca e a uma violenta coronhada no rosto, aplicada por um dos soldados, quando o cangaceiro já estava morto.

redegn com informações O Globo e Museu do Cangaço Foto reprodução