Juazeiro e seus 148 anos

Juazeiro eu tenho saudade
Da carranca
De quando eu era criança 

Dormia na calçada 
Onde a minha avó 
Botava o ferro de brasa
Pra engomar.

Juazeiro onde nasci
Na maternidade São José 
Onde hoje está a venda 
Se eu tivesse grana 
Eu comprava pelo menos 
O berçário que deitei.

Ah! Juazeiro 
O rio não dar mais peixe 
A cultura morreu 
Os penitentes sumiram 
O trem de ferro não anda mais 
Na linha 

O vapor e as lavadeiras 
Vivem fora d'água 
Sem ter mais o que lavar 
E sem navegar 
Nas águas do meu rio.

Ah! Juazeiro 
O que que eu tenho 
Pra comemorar?

Não sei 
Sei lá.

Antônio Carlos