
Juazeiro eu tenho saudade
Da carranca
De quando eu era criança
Dormia na calçada
Onde a minha avó
Botava o ferro de brasa
Pra engomar.
Juazeiro onde nasci
Na maternidade São José
Onde hoje está a venda
Se eu tivesse grana
Eu comprava pelo menos
O berçário que deitei.
Ah! Juazeiro
O rio não dar mais peixe
A cultura morreu
Os penitentes sumiram
O trem de ferro não anda mais
Na linha
O vapor e as lavadeiras
Vivem fora d'água
Sem ter mais o que lavar
E sem navegar
Nas águas do meu rio.
Ah! Juazeiro
O que que eu tenho
Pra comemorar?
Não sei
Sei lá.
Antônio Carlos



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