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As semifinais da Copa do Mundo estão definidas. Pela primeira vez na história, as quatro primeiras seleções do ranking da Fifa protagonizarão as partidas. Desde 1990 não havia quatro campeãs mundiais chegando a esta fase simultaneamente.
Devemos assistir a dois confrontos históricos. De um lado, França e Espanha se enfrentam na terça-feira, reeditando as últimas semifinais da Euro (2024) e da Nations League (2025), ocasiões em que a Espanha venceu. Do outro lado, 40 anos depois, Argentina e Inglaterra voltam a se enfrentar em uma fase eliminatória de Copa.
Esse duelo ficou marcado pela atuação histórica de Maradona, com seus dois gols: a famosa "La mano de Dios" e o gol mais bonito da história das Copas, no qual ele driblou meio time inglês desde o meio de campo.
Os quatro semifinalistas apresentaram performances distintas. A França venceu a ótima seleção de Marrocos com autoridade por 2x0, incluindo um pênalti perdido por Mbappé. O domínio foi tamanho que os africanos só acertaram o gol francês uma vez, nos acréscimos do segundo tempo. O quarteto Mbappé, Olise, Dembélé e Doué parece quase imparável. Olise, que atua na ponta direita no Bayern de Munique, tornou-se armador na seleção e está a uma assistência de igualar o recorde de Pelé em uma única edição (6x5). Além disso, Mbappé busca a artilharia histórica da competição, estando apenas um gol atrás de Messi (21x20). Dembélé já soma 5 gols e 2 assistências, a dupla de zaga Upamecano e Saliba fazem uma competição fantástica, Koné e Rabiot muito bem pelo centro do campo, portanto, os franceses surgem como grandes favoritos a levantarem o troféu de campeão do Mundo pela terceira vez.
Se existe uma seleção capaz de parar a França, é a Espanha. Eles venceram a Bélgica por 2x1 e, embora tenham sofrido seu primeiro gol na Copa, mantiveram o controle e mereceram a vitória. O time possui uma ideia de jogo bem definida, com posse de bola e intensidade no ataque com Lamine Yamal e Nico Williams, ambos retornando de lesão. O meio-campo conta com controladores como Rodri, Pedri e Fabian Ruiz. Merino tem sido um coringa, resolvendo partidas decisivas como atacante. Mesmo sem apresentar sua melhor versão, a estrutura tática espanhola permite competir contra qualquer adversário. O jogo será na terça, às 16h, em Dallas.
A Inglaterra teve dificuldades contra a Noruega e venceu por 2x1 na prorrogação, graças a uma grande performance de Jude Bellingham. Os noruegueses abriram o placar com Schjelderup em um cruzamento que encobriu o goleiro Pickford. Diferente do jogo contra o Brasil, a Noruega apostou em transições e em um 4-5-1 organizado, fechando o centro do campo inglês e variava para um 4-3-3 quando atacava. Isso dificultou o jogo de Bellingham, Rice, Anderson e Kane. Pelas pontas, as atuações de Gordon e Madueke não fluíram, resultando em uma Inglaterra lenta que cedeu espaços. No entanto, os nórdicos não foram eficazes. No fim da primeira etapa, Bellingham empatou após passe de Gordon. Kane chegou a virar o jogo em seguida, mas o gol foi corretamente anulado por impedimento.
No segundo tempo, a Noruega subiu ao ataque e teve um gol anulado por falta de Haaland. O cenário mudou quando Thomas Tuchel mexeu na equipe inglesa. Com a entrada de Eze, Reece James, Saka e Spence, o time ganhou vigor físico e se impôs gradualmente. Na prorrogação, após falha do goleiro Nyland, Bellingham decretou a virada. Mesmo sem uma exibição brilhante, a Inglaterra chega como favorita para o confronto contra a Argentina devido à consistência demonstrada.
A Argentina sofreu muito contra a Suíça e poderia ter sido eliminada. O destino do jogo mudou com a expulsão de Embolo por uma simulação inexplicável. O VAR interveio corretamente após Leandro Paredes receber um cartão no lance por uma suposta falta, permitindo a revisão da jogada e a aplicação do segundo amarelo ao suíço e consequentemente o cartão vermelho.
Os atuais campeões mundiais abriram o placar aos 10 minutos com Mac Allister, após assistência de Lionel Messi. Aos 39 anos, o maior artilheiro e assistente das Copas (21 gols e 10 assistências) faz sua melhor edição, mas o time tem dificuldades em acompanhá-lo. Após o gol, a Suíça dominou o jogo e empatou com Ndoye no segundo tempo. A virada parecia iminente, pois a Argentina estava desgastada e a leitura de jogo de Scaloni não funcionava. Contudo, o contexto mudou completamente com a superioridade numérica.
O treinador suíço Murat Yakin recuou o time para uma linha de 5 na defesa, perdendo a válvula de escape. Scaloni aproveitou para encher a Argentina de atacantes, criando espaços nas laterais e na entrada da área. O goleiro Kobel se destacou com grandes defesas em chutes de Messi e Lisandro Martínez. Na prorrogação, Julián Álvarez acertou um chute indefensável e virou a partida. No último lance, Lautaro Martínez fechou a conta em 3x1. Apesar da falta de evolução tática, a Argentina conta com o talento de Messi e uma entrega admirável. Para enfrentar a Inglaterra na quarta-feira, em Atlanta, os atuais campeões precisarão elevar o nível. O duelo histórico envolve uma rivalidade que se iniciou no contexto extracampo da Guerra das Malvinas de 1982.
Teremos dois jogos épicos com França e Inglaterra como favoritas. No entanto, ambas precisarão mostrar seu potencial máximo. Elas enfrentarão equipes com qualidade técnica e mecanismos táticos suficientes para vencerem e chegarem à grande final.
Por fim, esse texto é dedicado à memória de Charles Grey, que 12 anos atrás proporcionou a este que vos escreve a oportunidade de se tornar comentarista esportivo, juntamente com meu pai (Geraldo Messias). Eles enxergaram essa possibilidade quando nem imaginava seguir por esse caminho. Charles Grey, obrigado pela oportunidade, parceira e ensinamentos ao longo de todos esses anos, descanse em paz.
Iago Nunes - Comentarista esportivo da equipe esportiva Toque de Primeira da Rádio Juazeiro.


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