Especialistas em legislação eleitoral garantem que candidatura avulsa do ex-prefeito de Petrolina não tem respaldo legal

No encontro que teve com o senador Ciro Nogueira (PI) e o advogado Antônio Rueda, presidentes da Federação Progressista, segunda-feira passada, em Brasília, a governadora Raquel Lyra (PSD) botou as cartas na mesa.

Jogou em favor do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), para compor uma das vagas ao Senado, já que, para a outra, fez opção pelo deputado Túlio Gadelha, que migrou da Rede para o PSD, dando uma guinada à direita.

Raquel jogou pesado. Pediu uma definição da federação em curto espaço de tempo, algo em torno de 48 horas, prazo já vencido. O jogo não é jogado como a governadora quer. Em se tratando de uma federação tão robusta, quem escolhe o nome para o Senado não é ela, mas a própria federação.

E a federação, num encontro que colocou o assunto em discussão e votação, não escolheu Miguel, mas o presidente do colegiado no Estado, deputado Eduardo da Fonte, para quem a governadora torce o nariz. Ciro vai comunicar a Raquel que o nome da federação para o Senado é o de Eduardo da Fonte.

De acordo com o jornalista Magno Martins, Rueda, por sua vez, não tem falado português claro como Ciro. Soube que no encontro ficou o tempo todo calado, não defendeu nem Eduardo nem Miguel, mesmo que o grupo Coelho propague que, na condição de presidente nacional do União Brasil, tenha sido implacável na defesa de Miguel.

Ante os dirigentes nacionais da federação, Raquel também deixou patente que a vaga de vice não está na roda das negociações, porque nunca teve planos para “queimar” Priscila Krause, que se transferiu do PSDB para o PSD a pedido da governadora. O impasse está na segunda vaga ao Senado, que, segundo Raquel disse no mesmo encontro em Brasília, teria sido solucionado muito lá atrás se o presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte, tivesse aceitado disputar o Senado junto com Miguel, ou seja, as duas vagas ocupadas pela federação.

Eduardo da Fonte, segundo Raquel, ao invés de aceitar as duas vagas da federação para o Senado, uma ocupada por ele e outra por Miguel, abriu negociações para sair candidato na chapa de João Campos (PSB), o que a irritou bastante, perdendo, consequentemente, a confiança no aliado.

Numa entrevista ontem, Miguel Coelho voltou a defender o registro da sua candidatura ao Senado de forma avulsa, ou seja, sem as ligações formais com a Federação Progressista exigidas por lei. Especialistas em legislação eleitoral garantem, no entanto, que essa saída desesperada do ex-prefeito de Petrolina não tem respaldo legal, uma vez que PP e UB se uniram numa federação e, consequentemente, passaram a ser um mesmo partido e não mais legendas independentes e autônomas.

redegn com informações Blog Magno Martins