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O Brasil foi eliminado merecidamente pela Noruega, após a derrota por 2x1 no último domingo (05/07). Com o revés, a seleção se despede da Copa do Mundo nas oitavas de final, algo que não ocorria desde 1990, quando foi superada pela Argentina por 1x0.
A partida foi equilibrada, mas o Brasil esteve mais próximo do gol durante a maior parte do tempo. A diferença foi a eficácia de Erling Haaland. Com três finalizações no jogo, todas no alvo, ele converteu duas vezes. Contra um extraclasse, não se pode conceder espaço.
Com a entrada de Martinelli no lugar do lesionado Lucas Paquetá, o conjunto brasileiro performou bem na primeira etapa. Apesar do ritmo forte da Noruega nos primeiros 5 minutos, que incluiu um gol bem anulado de Berge, o Brasil rapidamente se organizou em bloco médio. Com apenas 34% de posse de bola no jogo, a equipe evitava o jogo pelas pontas do adversário e usava Rayan como válvula de escape pelo lado direito. Martinelli, pela esquerda, aproximava Vinícius Júnior do gol, enquanto Matheus Cunha atuava como falso 9. O time executava o plano de Ancelotti: atacar em transições rápidas. O grande problema, porém, foi a liberdade de Odegaard na faixa central, especialmente quando o Brasil tentava subir suas linhas de marcação.
A grande chance de abrir o placar veio após boa jogada de Rayan: ele recuperou a bola, ganhou divididas e acelerou o passe para Martinelli, que encontrou Matheus Cunha. Cunha sofreu um pênalti claríssimo, que exigiu a revisão do VAR. Bruno Guimarães, no entanto, cobrou mal e facilitou a defesa de Nyland, um dos grandes nomes da partida. Nyland também frustrou finalizações de Vinícius e um cruzamento perigoso de Martinelli que fatalmente chegaria a Casemiro. A Noruega só assustou no final do primeiro tempo: um lançamento para Haaland permitiu que ele vencesse a disputa aérea, sobrando para Odegaard finalizar obrigando Alisson a fazer boa defesa.
O segundo tempo começou morno, mas o Brasil voltou a ameaçar após os 10 minutos. Endrick, em sua primeira participação, perdeu uma chance clara cara a cara com Nyland. Na sequência, o goleiro norueguês brilhou ao defender um chute de Rayan, evitar um gol contra após corte errado de sua zaga e parar uma cabeçada de Bruno Guimarães. Antes da parada para hidratação, Carlo Ancelotti trocou Martinelli e Rayan por Neymar e Danilo Santos. Endrick foi deslocado para a direita e Neymar passou a atuar como falso 9. A Noruega já havia mexido no intervalo, com Oscar Bobb e Schjelderup nos lugares de Sorloth e Nusa. Essas quatro alterações mudaram o cenário a partir dos 25 minutos.
Com mais posse, a Noruega subiu suas linhas e acelerou o jogo pelas laterais. Odegaard, Berge e Berg passaram a ditar o ritmo por dentro, acionando as pontas. Schjelderup, pela esquerda, começou a criar perigo. Aos 34 minutos, Schjelderup passou com facilidade por Endrick, que não tem a mesma dinâmica defensiva de Rayan e, sem resistência de Danilo, cruzou para Haaland atropelar Gabriel Magalhães e abrir o placar. Ele é inevitável. O Brasil se lançou ao ataque de forma desorganizada. Pouco depois, em bola longa para Haaland, ele desviou para Schjelderup, que devolveu para o camisa 9 finalizar com a perna esquerda, sem que Danilo conseguisse impedi-lo. O Brasil descontou com um pênalti de Neymar, mas já era tarde para qualquer reação.
O Brasil mantém o tabu e segue sem vencer a Noruega em confrontos diretos: agora são cinco jogos, com três vitórias nórdicas e dois empates. A eliminação é justa, diante de uma performance abaixo das expectativas. Embora não fosse favorito, o Brasil tinha condições de vencer, especialmente considerando que as equipes, hoje, ocupam a mesma prateleira. A diferença foi o brilho individual de Haaland, Odegaard e Nyland, aliado à estratégia equivocada do Brasil na etapa final. Como alertado anteriormente, a Noruega precisa de poucas chances para ser letal e resolver suas partidas, muito pela presença do seu extraordinário centroavante.
O próximo ciclo exige uma organização superior. Este que acabou de ser concluído foi turbulento, com quatro treinadores e instabilidade na CBF. Ancelotti teve apenas um ano de trabalho, mas esperava-se mais repertório tático, dada sua trajetória em clubes; não foi possível visualizar uma proposta de jogo que fosse além da transição. Para os próximos quatro anos, o objetivo deve ser uma renovação geracional, dando protagonismo a jovens como Rayan, Estêvão, Martinelli, Endrick e João Pedro (que deveria ter sido convocado). Estes se somam a Vinícius Júnior, Rodrygo, Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães para formar a base competitiva visando 2030, quando o Brasil buscará encerrar o maior jejum de títulos de sua história em Copas: 28 anos.
Iago Nunes - Comentarista esportivo da equipe esportiva Toque de Primeira da Rádio Juazeiro.


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