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Na Bahia Dos 365 dias de 2025, 346 registraram ao menos uma morte por intervenção policial, o equivalente a praticamente um caso por dia ao longo do ano.
O estudo aponta ainda que a letalidade é altamente concentrada: apenas 12 dos 417 municípios baianos respondem por metade das ocorrências registradas no estado, entre eles Salvador com 418 episódios, seguido de Porto Seguro (59) e Camaçari e Feira de Santana, 42 cada um.
Os dados também revelam quem continua sendo o principal alvo das ações policiais. Embora pessoas negras representem 79,7% da população baiana, elas correspondem a 93,9% das vítimas da letalidade policial, totalizando 1.243 mortos em 2025.
Para a pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, Larissa Neves, os números evidenciam uma dinâmica recorrente de violência racial. "Estamos diante de um padrão racializado de produção de morte que vai atingir de maneira desproporcional a população negra periférica. Isso indica limites profundos do atual modelo de segurança pública, historicamente marcado pela militarização, pela lógica do inimigo interno e pela centralidade da guerra às drogas como estratégia de gestão dos conflitos sociais", afirma.
Reportagem do jornalista Bruno Wende/Jornal Correio da Bahia, Os números também mostram que a juventude permanece como a principal vítima da violência policial. A faixa etária de 18 a 29 anos concentrou mais de mil mortes no estado em 2025. Segundo o relatório, esse cenário está relacionado ao acirramento da disputa entre mais de 20 facções criminosas por rotas e pontos de venda de drogas na Bahia, contexto que tem levado a respostas policiais baseadas, sobretudo, no confronto armado.
"As estratégias centradas no confronto armado frequentemente alimentam novos ciclos de violência. Estamos diante de um cenário de aprofundamento dos conflitos territoriais, que amplia o sentimento de insegurança e contribui para a deterioração das relações entre a população e as instituições públicas", avalia Larissa Neves.
Em perspectiva histórica, a Bahia segue como o estado mais letal entre os nove monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. Desde o início da série, em 2019, 8.743 pessoas foram mortas por policiais no estado, número superior ao registrado em qualquer outra unidade da federação acompanhada pela pesquisa.
Para a pesquisadora, enfrentar o avanço das organizações criminosas exige uma política de segurança baseada em inteligência e investigação, e não apenas no uso da força.
O cenário baiano acompanha um aumento da letalidade policial nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2025, foram registradas 4.330 mortes por intervenção policial, alta de 6,4% em relação ao ano anterior.
Considerando apenas os casos com informação sobre raça ou cor, 86,3% das vítimas eram negras, enquanto 64,8% tinham até 29 anos. Ao todo, 312 crianças e adolescentes de até 17 anos morreram em ações policiais no período analisado.
"Quando um estado permanece por tantos anos liderando esse indicador, não estamos diante de eventos isolados. Estamos diante de uma política de segurança que produz a morte como resultado recorrente", conclui Larissa Neves.
Correio 24hs



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