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O Brasil derrotou o Japão de virada, por 2 a 1, em Houston, na última segunda-feira (29/06). Com o resultado, a Seleção avançou às oitavas de final, onde enfrentará a Noruega, um adversário historicamente difícil, contra o qual o Brasil nunca venceu.
No confronto contra os japoneses, o Brasil teve um primeiro tempo abaixo do esperado. Taticamente, a equipe mostrou-se espaçada e previsível, encontrando dificuldades na saída de bola.
O Japão, organizado em um 5-4-1 que se transformava em 3-4-3 no momento ofensivo, abriu o placar após um erro de passe de Danilo, que resultou em finalização precisa de Sano. Após o gol, os asiáticos controlaram o ritmo, alternando entre posse de bola e linhas baixas que bloquearam as ofensivas brasileiras.
O cenário mudou no segundo tempo. Com a entrada de Endrick no lugar de Paquetá, machucado, o Brasil adotou um esquema 4-2-4 e uma linha de marcação alta. Embora tenha cedido espaços, a Seleção sofreu apenas um contra-ataque. Foi um período de imposição total: Rayan, melhor em campo, foi fundamental nos dois gols e trouxe intensidade pelo lado direito, setor pouco explorado anteriormente. Bruno Guimarães também brilhou no meio-campo, distribuindo o jogo e fornecendo a assistência para o gol de Gabriel Martinelli, uma alteração acertada de Ancelotti.
Ancelotti foi peça-chave na virada. Ao manter Casemiro, autor do gol de empate, apesar de sua atuação apagada na primeira etapa, e ao colocar Martinelli para atuar por dentro, o treinador brasileiro teve uma boa leitura do jogo. Com isso, o Brasil soube explorar o recuo excessivo do Japão, parando apenas no excelente goleiro Zion Suzuki. A virada, dada a intensidade brasileira, era um desfecho natural.
O duelo das oitavas de final contra a Noruega exige atenção redobrada. Os noruegueses são letais: contra a Costa do Marfim, foram menos dominantes na posse, mas contaram com a efetividade de Erling Haaland para garantir a classificação. A Noruega vive o auge de sua geração, contando com talentos como Odegaard, Nusa, Sorloth, Oscar Bobb e Nyland. No entanto, o time oferece brechas pelas laterais, como visto no empate marfinense com o golaço de Amad Diallo e apresenta dificuldades sob pressão.
O confronto do próximo domingo, às 17h, em Nova Jersey, promete ser aberto. Para vencer a Noruega pela primeira vez na história, o Brasil precisará de controle da posse, amplitude pelos lados do campo para espaçar a linha defensiva norueguesa, qualificação na saída de bola e maior compactação. Embora a Noruega não tenha a mesma organização coletiva do Japão, seu poder de fogo é consideravelmente maior. Conceder os mesmos espaços deixados contra os japoneses pode ser fatal, mesmo com a superioridade técnica brasileira.
Iago Nunes - Comentarista esportivo da equipe esportiva Toque de Primeira da Rádio Juazeiro.



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