Com disputa interna, Federação União-PP vive queda de braço por vaga ao Senado em Pernambuco

Conforme destacou na REDEGN, A definição do nome da Federação União Progressista para disputar uma das vagas ao Senado em Pernambuco ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (29) e expôs o embate entre as direções estadual e nacional da aliança.

Em poucas horas, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) oficializou sua pré-candidatura ao cargo, teve a decisão inicialmente desautorizada pelo presidente nacional da federação, Antonio Rueda (União Brasil), recebeu respaldo do copresidente nacional, senador Ciro Nogueira (PP), e viu o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) reafirmar que permanece na disputa.

De acordo com o jornalista Alexandre Cunha/Diário de Pernambuco, o episódio evidencia que a composição da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) para as eleições de 2026 segue em aberto. A divergência também expõe diferentes interpretações sobre o estatuto da Federação União Progressista e sobre a competência para validar as decisões tomadas em âmbito estadual.

A movimentação começou durante reunião da executiva estadual da Federação União Progressista, realizada no Recife e conduzida por Eduardo da Fonte, presidente estadual da aliança. Ao término do encontro, o deputado anunciou, por meio das redes sociais, que havia sido oficializado como pré-candidato ao Senado.

Segundo o parlamentar, a decisão foi aprovada pela executiva estadual e representa um passo importante para consolidar sua candidatura. "Isso é um indicativo muito importante, consistente e que consolida a nossa pré-candidatura ao Senado Federal", afirmou em vídeo.

Rueda desautoriza decisão estadual; Ciro Nogueira referenda

Pouco antes da reunião, entretanto, o presidente nacional da federação, Antonio Rueda, divulgou uma nota informando que não havia qualquer definição sobre as candidaturas majoritárias em Pernambuco.

No comunicado, Rueda afirmou que o processo continua em discussão e ressaltou que qualquer deliberação local que não conte com unanimidade entre PP e União Brasil "não produzirá nenhum efeito perante a Executiva Nacional", responsável, segundo ele, pela decisão final.

Horas depois, a disputa ganhou um novo desdobramento. Em nota oficial, o copresidente nacional da Federação União Progressista, senador Ciro Nogueira, referendou integralmente a deliberação da executiva estadual pernambucana.

No texto, o dirigente ratificou a indicação de Eduardo da Fonte como pré-candidato ao Senado e afirmou que a decisão está em consonância com o estatuto e com as normas que regem a organização partidária.

A manifestação criou um cenário de divergência pública entre as duas principais lideranças nacionais da federação sobre os efeitos da decisão tomada em Pernambuco.

Após o anúncio de Eduardo da Fonte e o respaldo de Ciro Nogueira, Miguel Coelho também foi às redes sociais para afirmar que continua na disputa pela vaga ao Senado.

O ex-prefeito de Petrolina afirmou que sua pré-candidatura foi construída de forma coletiva e defendeu que a Federação União Progressista é formada por dois partidos independentes, sem imposições entre si.

Miguel também argumentou que, conforme o estatuto da federação, as decisões estaduais precisam ser tomadas de forma unânime entre PP e União Brasil — condição que, segundo ele, não ocorreu em Pernambuco.

Na avaliação de Coelho, caberá à executiva nacional definir a composição da chapa durante o processo eleitoral.

"O momento de definição será nas convenções e sob a liderança da governadora Raquel Lyra. Estamos firmes em nossa caminhada ao Senado", declarou.

Nos bastidores, a expectativa é que Raquel Lyra assuma papel central na construção do consenso em torno da chapa majoritária. A governadora terá de conduzir as negociações entre os partidos da base para evitar fissuras no grupo. 


 

Diario de Pernambuco Foto redes sociais