"Para quem ganha salário mínimo é impossível participar do São de Petrolina. Ingressos camarote muito caro", diz morador

A festa cantada pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, onde a família se reunia para festejar a fartura da colheita, dançar forró e que seria "de todos", em Petrolina está sendo considerada uma verdadeira "cobrança de preços muitos elevados, longe da realidade de quem ganha um salário mínimo".

Ouvidos pela REDEGN pessoas que "gostam de curtir os festejos juninos em Petrolina, destacam a forte insatisfação com a cobrança de preços considerados abusivos durante o São João de Petrolina. Os frequentadores têm criticado os altos valores praticados no Pátio de Eventos Ana das Carrancas. 

Um dos ouvidos que pediu anonimato diz que "para quem ganha um salário mínimo é impossível dizer que vai levar por exemplo a namorada para o Pátio. Junte, Uber, ou gasolina, estacionamento, bebidas, comidas e no total tem que pensar na feira do mês. Tudo lá é muito caro. Ir para um camarote nem em sonho. Impossível".

Os valores de uma água de coco chega a ser cobrado até por R15,00 e um Wilsky quase R$ 500,00. Os "altos valores" cobrados para os ingressos para camarotes e consumo no evento tem gerado mais discussões sobre o São João de Petrolina. 

Esse movimento financeiro afasta parte do público que busca uma vivência mais tradicional e acessível. Nas redes sociais centenas de comentários com relação aos outros anos que na maioria das vezes bateu recorde de público.

Críticas recaem sobre o encarecimento da praça de alimentação interna e as altas taxas cobradas de comerciantes informais e barraqueiros. Vendedores relatam dificuldades em obter lucro fora da área VIP, o que repassa os custos ao consumidor final.

A situação chegou à Câmara de Vereadores, onde parlamentares como Gilmar Santos repercutiram a cobrança de taxas nos espaços do evento. “O São João de Petrolina não é mais do povo, é uma festa privatizada.”

A declaração é do vereador Gilmar Santos (PT), ao avaliar o atual formato do tradicional São João de Petrolina.

"A festa tem se afastado de suas raízes populares e culturais, dando lugar a um modelo que, na sua avaliação, limita o acesso da população e reduz o protagonismo dos artistas e manifestações locais", avaliou Gilmar Santos.

Por sua vez, a Prefeitura de Petrolina e a Agência Municipal de Vigilância Sanitária (AMVS) têm focado os alertas na segurança, orientando a população a evitar o consumo de bebidas de procedência duvidosa e fiscalizando o entorno.

Em seu perfil no Instagram, o médico ortopedista e pré-candidato a deputado federal, Dr. Marcos Heridijânio, utilizou a ironia para criticar a contratação do artista e questionar as prioridades da gestão municipal diante de problemas enfrentados pela população.

Na gravação, Heridijânio faz referência ao clima de comemoração em torno da confirmação do show, mas contrapõe a euforia às dificuldades encontradas em diversos bairros da cidade. “Meu irmão, pense numa festa, uma alegria, bicho. Gustavo Lima confirmou, velho. Vem buscar 1 milhão e 500 mil reais do povo de Petrolina”, afirma.

Em outro trecho, o médico cita problemas de infraestrutura e saneamento para reforçar sua crítica à destinação dos recursos públicos. “Aqui no Henrique Leite, meu amigo, acabou de cair dentro de um poço de merda, velho, festejando que Gustavo Lima confirmou”, declarou.

A manifestação tem repercutido principalmente entre moradores que defendem maiores investimentos em áreas consideradas prioritárias, como saneamento básico, pavimentação e infraestrutura urbana.

Até o momento, a Prefeitura de Petrolina não se pronunciou sobre as declarações do médico.

redegn Foto PMP