
A crise provocada pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), elevou a pressão sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Antes convicto de que devia permanecer, segundo interlocutores do governo e do PT ele já teria concordado em se licenciar da função de confiança.
A mudança de posição veio no fim de semana, a partir de conversas que teve com pessoas próximas, que o teriam convencido de que continuar líder poderia prejudicar o projeto da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o martelo não está batido: a decisão mesmo virá de uma coversa entre eles, que deve acontecer até amanhã.
Por causa da longa relação que o presidente tem com o senador, Lula não quer ser taxativo sobre a licença de Wagner da liderança do governo. Prefere que o senador abra mão da função. O discurso, inclusive, estaria pronto: Wagner se afasta para defender-se das acusações de ter sido favorecido pelo esquema do Banco Master e, também, para cuidar dos efeitos disso na campanha à reeleição ao Senado pela Bahia. Da parte do Palácio do Planalto, uma vez concretizada a saída, o governo insistirá em três pontos sobre o episódio junto à opinião pública: 1) de que não faz prejulgamentos, mas não dá guarida a ninguém envolvido com qualquer suspeita de corrupção; 2) de que permite que a PF investigue com total independência; e 3) de que caso nada fique constatado contra Wagner, ele tem plenas condições de reassumir a liderança — numa reedição da chamada "Solução Hargreaves" —, uma vez que trata-se de uma licença e não uma dispensa.
Caso Wagner deixe mesmo a função, o nome mais ventilado é o da senadora Tereza Leitão (PT-PE). Ela está no meio do mandato e tem bom trânsito etre todas as alas do Senado. Fontes do Palácio e do PT, porém, gostariam de ver o ex-ministro da Educação, Camilo Santana (CE), no posto, pois é mais um em meio de mandato e com poder de articulação. Só que ele já avisou que está envolvido totalmente no esforço de reeleger Elmano de Freitas governador do Ceará.



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