
A preservação da Caatinga, bioma que ocupa grande parte do interior de Pernambuco, está no centro das estratégias do governo federal para conter o avanço da desertificação no Brasil. Com milhares de quilômetros quadrados do Semiárido já afetados pela degradação do solo, a aposta é combinar recuperação ambiental e apoio às comunidades que convivem com os efeitos da seca.
As iniciativas ganharam novo impulso com a retomada de políticas públicas voltadas ao tema, incluindo um plano nacional de combate à desertificação, a criação do Programa Recaatingar e uma nova legislação destinada à recuperação da vegetação nativa do bioma.
Neste 17 de junho, ocorre o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 para alertar sobre os impactos da degradação dos solos e das mudanças climáticas. A desertificação é definida como um processo de degradação das terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, provocado por fatores climáticos e pela ação humana, comprometendo a capacidade produtiva dos ecossistemas.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Brasil possui cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de áreas suscetíveis à desertificação, distribuídas em 1.649 municípios.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, explicou que a maior parte dessas áreas está concentrada na Caatinga. “Nós temos no Brasil o que a gente chama de áreas suscetíveis à desertificação. Essas áreas são definidas pelo índice de aridez, que é estabelecido pela Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (UNCCD).”
De acordo com o ministro, 57% das áreas suscetíveis à desertificação no país estão localizadas na Caatinga, seguida pelo Cerrado (26,7%), Pantanal (12,1%) e Mata Atlântica (4,2%).
A desertificação ocorre quando a perda de cobertura vegetal, o manejo inadequado dos recursos naturais e as condições climáticas adversas reduzem progressivamente a capacidade produtiva dos solos.
Segundo levantamento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis/UFAL), mais de 126 mil quilômetros quadrados do Semiárido brasileiro já apresentam processos de desertificação, o equivalente a 12,85% da região. A área é maior do que a de todo o estado de Pernambuco.



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