Corra pro Abraço pauta redução de danos no 1° Fórum de Atenção à População em Situação de Rua de Juazeiro

Na última sexta-feira (29), o Teatro Samuel Leite foi palco do 1° Fórum de Atenção à População em Situação de Rua de Juazeiro, evento que reuniu cerca de 150 participantes, incluindo profissionais da linha de frente, autoridades, lideranças do movimento pop rua, estudantes, pesquisadores e pessoas em situação de rua.

O encontro é fruto de uma articulação iniciada em junho de 2025 pelo Grupo de Trabalho Intersetorial composto pelo Corra pro Abraço, programa de redução de danos vinculado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia (SEADES), Consultório na Rua, Centro POP, CAPS AD III e Residência Multiprofissional em Saúde Mental.

Após meses de debates contínuos sobre as demandas e os entraves no acesso aos serviços públicos, o coletivo identificou a necessidade de expandir a discussão para toda a rede de assistência, saúde, justiça, segurança, educação e cultura do município, sob a ótica da redução de danos, na tentativa de garantir um cuidado mais humanizado e sem julgamentos.
Com o tema "Direito à cidade: até onde vai o acesso das pessoas em situação de rua?", o fórum debateu a trajetória de luta dos movimentos sociais e as barreiras culturais históricas que dificultam a efetivação das leis no país. A mesa principal contou com a presença de referências expressivas da causa, como Sueli Oliveira, liderança de destaque nacional, e Rosimeire Correia, articuladora baiana e redutora de danos do Corra pro Abraço em Salvador.
 
Em sua fala, Sueli Oliveira fez uma crítica à forma como a sociedade ainda enxerga e criminaliza essa população, tratando-a frequentemente como um estorvo, e reforçou que as pessoas em situação de rua são sujeitos de direitos. A coordenadora nacional fez um apelo contundente por um olhar mais atento e específico para o público feminino: "se devemos ter atenção com o homem, com a mulher em situação de rua essa atenção tem que dobrar".
Durante as discussões, a psicóloga do Consultório na Rua, Naiady Miranda, pontuou a corresponsabilidade das instituições, ressaltando que o cuidado e o atendimento a essa população não devem ficar restritos aos equipamentos especializados. "O acolhimento na saúde e na assistência é um direito universal garantido por lei, e toda a estrutura pública deve estar preparada para receber esses cidadãos de forma igualitária".
Validando a importância do encontro, F. D.M, que vivencia a realidade das ruas e beneficiário do Programa, destacou que o fórum é necessário para debater o acesso e a garantia de direitos, defendendo que iniciativas como essa aconteçam com mais frequência no município.
Para Luádia Mabel, supervisora do programa Corra pro Abraço em Juazeiro, o evento se consolida como um espaço fundamental para instrumentalizar as pessoas em situação de rua, permitindo que elas reivindiquem seus próprios direitos e tenham autonomia para falar por si mesmas.
O fórum funcionou como o marco inicial para as discussões na cidade, evidenciando que é preciso dar continuidade a esse debate. O próximo passo exige a formulação de formações contínuas para os serviços públicos, alcançando inclusive os órgãos de segurança pública e demais instituições correlatas. Essa articulação permanente é essencial para que a política de redução de danos seja plenamente aplicada e para que os direitos da população em situação de rua sejam efetivamente garantidos.
 

Ascom Corra pro Abraço/ Juazeiro