Espaço do Leitor: A paixão pelo rádio ninguém explica!

Geraldo, hoje o programa da manhã foi descontraído, com a audiência falando do receio de perder a única AM existente na região, por sinal a primeira emissora das duas cidades.

Escuto a Rádio Juazeiro há muitos anos.

Me lembro que ali embaixo, onde hoje funciona a rádio, existia um escritório de Joca Oliveira. Até ouvia comentários de que a rádio era dele.

Quando você falou de José Carlos Araújo, eu sou do tempo em que ele ainda era pupilo de Waldir Amaral.

Os bambas daquela época eram Waldir Amaral e Jorge Curi, cada um com sua característica.

Waldir Amaral tinha aquele ritmo mais cadenciado, diferente de quase todos da época.

 Já Jorge Curi vinha naquele estilo galopante, vibrante, que aqui na Rádio Juazeiro tinha como exemplo Herbert Mouse.

Primeiro era Waldir Amaral na Globo e Jorge Curi na Rádio Nacional.

A disputa pela audiência era grande.

Depois os dois acabaram se encontrando na Globo, marcando uma geração do rádio esportivo brasileiro.

Nessa época Geraldo as torcidas que reinavam eram a do Botafogo e Vasco, o Flamengo era coadjuvante.

E o mais interessante era a imaginação que o rádio despertava. No futebol, meu pai contava os jogos como se tivesse assistido pela televisão.

Falava dos coreanos baixinhos e ligeiros, dos dribles, das arrancadas, da torcida, tudo apenas ouvindo o rádio.

 A narração fazia a gente enxergar o campo sem precisar de imagem.

E o rádio não vivia só de futebol.

As novelas prendiam famílias inteiras ao redor do aparelho.

Quem não se lembra de Jerônimo, o Herói do Sertão, com aquele clima de aventura, ou de O Direito de Nascer, que emocionava o país inteiro?

Era uma época em que o povo imaginava as cenas apenas ouvindo as vozes e os efeitos sonoros.

E tinha também a emoção das eleições em Juazeiro.

Durante as apurações no Fórum Luiz Viana Filho, na praça da igreja, o povo se aglomerava ao redor com um radinho de pilha no ouvido, papel e caneta na mão, acompanhando voto por voto anunciado pela Rádio Juazeiro. Cada boletim mexia com a multidão. Uns faziam conta, outros anotavam diferença, enquanto a cidade praticamente parava esperando o resultado.

Uma eleição emblemática foi a de Arnaldo Vieira e Durval Barbosa, quando Durval Barbosa, lutando contra tudo e contra todos, venceu por menos de cem votos de diferença.

A tensão era tão grande que parecia final de Copa do Mundo.

E tudo girava em torno do rádio, que naquele tempo era a grande ligação entre o povo e a notícia.

Quem viveu aquele tempo sabe que o rádio não era apenas informação ou futebol, era emoção, companhia, memória e imaginação.

Lembrei das memoráveis crônicas apresentada pela Professora Marta Luz Benevides, E NÓS PARA ONDE VAMOS? e escritas por Professora Antonilia da França Cardoso, Professora Zenaide Soares Mariano, Professor Alberto Mariano, Professora Esmelinda Pergentino, Dr. Edson Monteiro e tantos outros, e entre esses professores tinha uns ousados, que batiam um bolão também, Edil José, Charles e tantos outros.

Obrigado,

Luiz Alves