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Temos ouvido o Prefeito dizer que acorda cedo e vai dormir tarde — quando consegue dormir. E, pelas entrevistas e aparições públicas, ele demonstra motivação, confiança e a convicção de que está no caminho certo.
O problema é que essa percepção contrasta cada vez mais com o que grande parte da população tem relatado nas ruas, nos bairros e nas mídias locais.
Isso me faz lembrar da minha própria experiência de trabalho. Houve um tempo em que eu não executava diretamente o serviço, mas delegava a fiscalização aos meus encarregados. Todos os dias analisávamos o rendimento de cerca de 300 trabalhadores. E isso não é muito diferente da realidade da limpeza pública, já que o próprio Prefeito afirmou que existem aproximadamente 200 trabalhadores atuando na área.
E era justamente aí que surgia uma lição importante.
Sempre havia quem apresentasse um ótimo rendimento e quem tivesse um desempenho decepcionante. Como eu via apenas os números no papel, minha primeira reação era cobrar do fiscal a razão daquela diferença. Muitas vezes, ele explicava que justamente o trabalhador que menos produzia era, às vezes, o que mais se esforçava. O problema não era falta de vontade, mas o modo de executar o serviço: a organização, a forma de se movimentar, o uso correto dos equipamentos, o planejamento da atividade.
E é exatamente essa analogia que faço com a gestão municipal. Talvez o problema da GESTÃO não esteja na disposição para trabalhar, mas no planejamento, na organização e, principalmente, na fiscalização cotidiana dos serviços executados.
Porque fiscalização não é apenas receber relatório no gabinete ou analisar números frios no papel. Fiscalizar é monitorar diariamente, identificar imediatamente onde o problema está acontecendo e corrigir antes que a situação se agrave. Será que não está faltando exatamente esse acompanhamento mais presente e eficiente?
Porque, do jeito que a cidade se encontra, a sensação é de uma gestão correndo atrás dos problemas sem nunca alcançá-los — como cachorro correndo atrás do próprio rabo.
Enquanto isso, a população continua convivendo com sujeira, cães soltos, infestação de muriçocas e sensação constante de desordem.
E, para piorar, agora surge a denúncia de que haveria orientação para que mulheres não fossem contratadas como garis na empresa de limpeza urbana. Se isso for verdade, além da ineficiência, entramos também no terreno da discriminação e da segregação.
Talvez exista, dentro da gestão, a sensação de que as coisas estão avançando no ritmo correto.
Mas nas ruas, nas rádios, nos blogs e nas redes sociais, o sentimento de muitos cidadãos é outro.
E quando a percepção da gestão começa a se distanciar demais da percepção do povo, é sinal de que algo precisa ser revisto com urgência.
Prefeito André, Juazeiro não precisa apenas de alguém que acorde cedo e durma tarde. Juazeiro precisa de gestão eficiente, planejamento, organização, fiscalização e resultado. Porque a população já não quer ouvir apenas o barulho do esforço — quer enxergar a transformação da cidade.
Obrigado,
Luiz Alves



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