Resposta de prefeito Andrei a vídeo divide opiniões, mas advogados defendem reação: “A população esperava uma manifestação”

A reação do prefeito Andrei Gonçalves ao vídeo de Anderson Dias, influenciador que criticou Juazeiro, também entrou em debate durante o Café com Blog, da Rede GN, nesta quarta-feira (22).

Enquanto houve quem defendesse uma resposta mais institucional, os advogados Dr. Pedro Cordeiro e Dr. Luiz Antônio Costa avaliaram que a manifestação do gestor refletiu o sentimento da população.

Durante o programa, foi levantado o questionamento sobre a postura adotada pelo prefeito ao responder diretamente ao influenciador. A avaliação apresentada foi de que a resposta poderia ter sido feita por um assessor, evitando a exposição direta do chefe do Executivo.

No entanto, ao comentar o episódio, o advogado Pedro Cordeiro destacou que a reação precisa ser compreendida dentro do contexto emocional vivido pela população naquele momento.

“Quem é juazeirense como nós somos e é pego de surpresa com um vídeo daquele, não tem esse que não tenha o ímpeto de responder. E eu acho, raciocinando como prefeito, naquele momento, eu acho que grande parte da população de Juazeiro esperava uma manifestação dele. A população lhe confia um mandato, um instrumento para que você a represente”, afirmou.

Na mesma linha, ele ressaltou que a fala do prefeito ultrapassou o papel institucional e assumiu um caráter mais representativo do sentimento coletivo.

“Eu acho que foi munido desse sentimento. Na minha opinião, o prefeito acertou. Eu não vi completamente o vídeo do prefeito, mas vi a indignação dele, vi até a metade. Eu acho que naquele momento ali ele falou como cidadão de Juazeiro, indignado como todos”, completou.

Também convidado do programa, o advogado Dr. Luiz Antônio Costa concordou com essa leitura e afirmou que a postura do prefeito acabou estimulando a reação popular.

“Eu também acho. Você, depois da fala dele, é que muita gente começou a se posicionar. É como se... um exército… você precisa que o general, às vezes, bote a cara lá na frente”, comparou.

Ao ampliar a discussão, Luiz Antônio voltou a questionar as comparações entre Juazeiro e Petrolina, destacando que os dados frequentemente utilizados nesses debates exigem análise mais cuidadosa.

“Eu teria condições de fazer a mesma matéria dele com dados ruins de lá e melhores daqui. Todo mundo fala de IDH, né? E ele bota o IDH de Petrolina realmente é 0,69, Juazeiro é 0,67, mas a entonação que ele dá é, Juazeiro lá embaixo. Não é lá embaixo, 0,70 é o limite de primeiro mundo”, explicou.

O advogado ainda detalhou como a composição dos indicadores pode influenciar interpretações equivocadas.

“Você sabe por que o IDH de Petrolina é maior que o de Juazeiro? Porque o IDH - que pro IBGE ele chama de IDM, ele é composto de três elementos. Um deles é longevidade. O IDH parcial de longevidade de Petrolina é 0,799. Se você tirar o fator longevidade, Juazeiro tem um IDH maior”, afirmou.

Para ilustrar a necessidade de leitura crítica dos números, Luiz Antônio utilizou um exemplo clássico da estatística.

“Veja, eu tenho um livro de estatística chamado ‘Como Mentir em Estatística’. Se uma família come dois frangos e uma não come nada, a estatística vai dizer que a média de consumo de frango é um. Então você tem dados, e você tem que ter a análise dos dados, que é o difícil. Você coletar o dado e analisar o dado”, concluiu.

Redação RedeGN