
No ano passado, o total de gastos total das prefeituras com a contratação de bandas foi de R$ 614 milhões. Ao todo, foram contratados 2.851 artistas em mais de 6 mil apresentações.
Conforme a ferramenta do MP-BA, a maioria dos recursos que custearam as festas é de origem municipal, na ordem de R$ 494 milhões. O estado destinou R$ 83,5 milhões e a União R$ 16,1 milhões.
No topo do ranking dos municípios que mais gastaram nos festejos juninos em 2025, está Cruz das Almas, que desembolsou R$ 10,56 milhões. Em seguida, aparece Jequié, com R$ 10,21 milhões. Fechando o pódio está Conceição do Jacuípe, com R$ 9,75 milhões.
Está prevista uma reunião entre forrozeiros e a direção da UPB, com a presença do presidente do bloco, Wilson Cardoso (PSB), prefeito de Andaraí.
A pauta do encontro é a apresentação de uma proposta de valorização dos artistas. O grupo pretende sensibilizar os prefeitos e instituições para a aprovação de uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), priorizando a valorização dos artistas baianos.
Apesar da medida implicar na redução da contratação destes artistas nacionais para as festas de São João da Bahia, a regra não afeta diretamente os forrozeiros baianos. Com cachês que variam entre R$ 100 mil e R$ 400 mil, os cantores poderão estar mais presentes nas grades de atrações dos grandes eventos do estado.
Com mais de 30 anos de carreira no forró, Targino Gondim afirmou que a medida chega em um momento crucial para a retomada da tradição no São João da Bahia. Em entrevista concedida a reportagem do portal A TARDE, o cantor destacou que a regra beneficia os produtores do forró autêntico raiz.
"Por mim isso já poderia estar acontecendo desde os últimos anos. Eu acho que cada artista tem o seu valor de cachê de acordo com suas demandas, as solicitações de shows e com sua própria vontade", afirma Targino Gondim
"Assim como os contratantes também tem como estabelecer um teto de gastos para cada atração ou para o evento. Então isso tem que ser levado em consideração”, disse.
“É claro que isso beneficia a gente que faz o forró autêntico, forró raiz, porque os nossos cachês oscilam aí entre 100 a 400 mil reais no máximo. Então eu acho que isso tende a movimentar bastante o mercado da gente e reacender o propósito das festas juninas, que é a sanfona e o forró”, completou.
O forrozeiro também destacou que as canções com letras que falam sobre o Nordeste e o amor pela cultura devem ser mais valorizadas pelo público, do que as que possuem apologia a bebidas alcoólicas e preconceito.
“O conteúdo que se diz em cada música nossa é falando de amor, festa, encontro de famílias e animação, sem essa conotação de bebedeira, difamação de imagens das pessoas e preconceitos. [...] O que eu acredito é que o forró criado por Luiz Gonzaga e por todos os seus seguidores é tão precioso e tão poderoso que existe até os dias de hoje”, disparou.
Já o cantor Del Feliz contrapôs a opinião do colega e destacou que não acredita que haverá uma mudança significativa com relação a contratação dos forrozeiros baianos com essa nova medida, pois as prefeituras continuarão optando por trazer artistas de fora para se apresentar nos municípios baianos.
“Eu tenho uma ideia um pouquinho diferente. Primeiro, eu acho que os forrozeiros baianos precisam ser valorizados na nossa festa, pois são eles as grandes estrelas desse evento. Porém, na minha ótica, não é limitar que vai contratar artistas com cachês de até R$ 700 mil que vai trazer de volta a estética, a cultura e originalidade da festa”, afirmou ele à reportagem.
O artista ainda aproveitou para sugerir medidas eficazes que devem ser tomadas pelo MPBA e outros órgãos responsáveis, a fim de manter a tradição da festa junina viva.
“Eu não estou dizendo que eu sou contra essa iniciativa do Ministério Público, mas eu entendo que mais importante do que isso seria estabelecer um percentual do valor público investido na festa para a contratação de artistas, reservando ali um percentual, e da quantidade de artistas que adentram os grandes palcos, porque a festa é essencialmente cultural e é a festa do forró”, sugeriu.
“Então limitar um valor X de contratação e continuar trazendo as atrações de fora, ainda que dentro desse teto, em uma quantidade superior aos artistas que representam a tradição da festa, vai continuar estranho e distorcido do mesmo jeito”, completou.
Portal A Tarde Foto Mateus Pereira Governo Bahia



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