
Para além da escalada nas cotações do petróleo, mais um impacto da guerra no Oriente Médio preocupa produtores do Vale do São Francisco e Note da Bahia. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que o Brasil importa cerca de 85,7% dos fertilizantes utilizados na agricultura nacional.
A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados comumente utilizados na agricultura intensiva, incluindo a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco (manga e uva). A ureia é empregada para fornecer nitrogênio, essencial para o desenvolvimento vegetativo e produtividade das culturas.
A guerra no Irã começa a pôr em risco o abastecimento mundial de alimentos. Porque além de obrigar navios a desviar rotas, o conflito está afetando as exportações de fertilizantes. Nesta terça-feira (24), a Rússia, que é um dos maiores produtores mundiais, anunciou que vai suspender as vendas por um mês. A medida é para priorizar os agricultores locais.
A guerra é no Oriente Médio, mas começa a ameaçar pratos ao redor do planeta.
Mas a guerra também está aumentando o preço dos fertilizantes. O de ureia, o principal fertilizante nitrogenado, já subiu cerca de 50%. A produção depende diretamente do gás natural, e no Oriente Médio estão algumas das maiores reservas do mundo. Antes da guerra, cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passava pelo Estreito de Ormuz. Agora, não bastasse a dificuldade para escoar, algumas fábricas no Golfo precisaram reduzir ou até mesmo interromper a produção.
“O fertilizante é o alimento das plantas e ele tem que ser aplicado no momento da safra, no momento que começam as chuvas. Se esse produto não chegar a tempo, a gente perde produção”, afirma Marcos Jank, professor de Agronegócio Global do Insper.
Marcos Jank ressaltou que o Brasil ainda não sentiu o impacto porque só vai plantar a próxima safra no segundo semestre. Mesmo assim, está preocupado. Sem fertilizante, a produtividade agrícola despenca.
Uma fonte da REDEGN afirmou que "ainda não existe dados e é preciso uma análise mais cuidadosa para a compreensão dos possíveis impactos"
“Quando a gente vê que tem países que estão retendo produtos, isso começa a assustar não só pelo risco de aumento de preço, mas também pelo risco de desabastecimento, coisa que não aconteceu no começo dessa década”, diz Marcos Jank.
Ele se refere a notícias de países que estão suspendendo as exportações de fertilizantes para proteger o mercado interno – como a China na semana passada e a Rússia nesta terça-feira (24). 25% dos adubos químicos que o Brasil compra vêm da Rússia.
A REDEGN solicitou nota ao ex-presidente da Abrafrutas, Gulherme Coelho para ele avaliar a situação e explicar propporções de que a guerra no Irã gera aumento no custo de fertilizantes nitrogenados (como a ureia) e combustíveis, encarecendo a produção no Vale do São Francisco.
Até o momento a Abrafrutas-Associação, não se manifestou sobre o tema.
Redegn com informações Jornal Nacional Fot reprodução JN



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