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Como o conhecimento só tem sentido se for difundido, aqui está um singelo Artigo sobre a macro economia no sistema econômico capitalista - que é o utilizado na imensa maioria dos países -, para auxiliar você (leitor) a compreender melhor como ocorrem as nuances do trabalho em nosso sistema econômico.
Nós trabalhadores temos que estar "vendendo" nossa força de trabalho em troca de um salário, e, portanto, vivemos submissos aos interesses dos “donos” dos grandes setores da Economia e aos do establishment, que é o grupo da elite política, econômica e/ou social que detém o poder de influenciar as instituições governamentais ou não, a que nós trabalhadores estamos submetidos.
Nos aspectos político e econômico, o Neoliberalismo defende a não intervenção do Estado na economia por entender que o “deus mercado” resolve todos os problemas – inclusive o social. Tal concepção não passa de um colóquio flácido para alimentar bovino (“conversa para boi dormir”) ou de uma subestimação da utilização da massa cefálica intra craniana de grande parte dos(as) trabalhadores(as), pois os interesses do “deus mercado” restringem-se ao Lucro. Como a situação de um(a) trabalhador(a) que não encontra a quem “vender” sua mão de obra, ou seja: desempregado, que acaba sendo - inclusive, descriminado pela própria sociedade -, é determinante na sustentabilidade de sua família e auto (baixa) estima, ele(a) tem sua vida em total instabilidade.
Já no sistema sócio político econômico Welfare State (Estado de Bem Estar Social), o(a) trabalhar(a) tem menos nuances desfavoráveis, pois tem certa “atenção” por parte do Estado, já que neste establishment, os grupos socialmente discriminados (as minorias sociais) na/pela sociedade - como quilombolas, sem terra, sem teto, sem alimentação, LGBTQIA+, povos originários (como os indígenas), mulheres (principalmente negras e pobres), ou seja, “os Sem”, acabam tendo algum tipo de política pública. O Welfare State defende justamente o contrário dos neoliberais. Então, cabe aos(às) trabalhadores(as) perceberem quem os defendem e procurar fortalecer a luta deles para diminuir a exploração que sofrem.
Considerando que na Economia Primária - caracterizada pela pecuária, o extrativismo, e a agricultura, aonde são produzidos grande parte dos bens, o(a) trabalhador(a) acaba tendo grandes desafios, como o de tentar dirimir os impactos de suas ações de trabalho, que são ordenadas pelos proprietários dos locais em que trabalham, perante, também, à sustentabilidade do próprio ecossistema. Neste setor econômico, os(s) trabalhadores(as) têm índices altos de exploração, e a principal delas é o fato de não terem direito a possuírem suas próprias terras para promoverem o sustento de suas famílias: são os Sem Terras, já que este país nunca teve a dignidade de realizar uma Reforma Agrária ampla (o Agro NÃO é pop, pois concentra renda e só contribui no aumento das exportações – no saldo da Balança Comercial), o que restringiria a concentração de terras nas mãos de pouquíssimas pessoas, diminuiria a inchaço urbano, ampliaria a produção agrícola orgânica, e tanto outros benefícios.
Neste setor da economia, o que não faltam são situações de exploração dos(as) trabalhadores(as), como os das carvoarias, os das madeireiras florestais; em que eles(as) são muitas vezes obrigados(as) a ganharem pouco para produzir muito sem os necessários equipamentos de proteção individual, assim como tantos(as) outros(as) trabalhadores(as).
Um outro tipo de “trabalho” insalubre é o dos(as) trabalhadores(as) nos/dos lixões; que se submetem àquelas desumanidades por total ausência de perspectiva de vida em um trabalho digno; sendo que são, assim como os(as) trabalhadores(as) do serviço de limpeza pública, os “urubus” que limpam os terrenos e, pior, são extremamente discriminados por grande parte da sociedade. Limpam os terrenos enquanto o capital especulativo, o das bolsas de valores e o financeiro “limpam” suas contas bancárias recheadas de lucros à custa do suor alheio.
O Trabalho Manual é descriminado pela sociedade em relação ao Trabalho Mental, pois os(as) trabalhadores(as) do primeiro segmento ganham muito menos do que o do segundo. A “justificativa” dos que exercem o trabalho mental é a de que eles(as) estudaram para tal, e por isto devem ganhar bem mais do que quem trabalha no sol quente (e não num Ar Condicionado), como um Servente de Pedreiro – por exemplo. E o pior, os do trabalho mental ainda descriminam sócio economicamente os outros tipos de trabalhadores(as). Não consideram que todo tipo de trabalho é a essência da dignidade para um ser humano. Muitos são os(as) trabalhadores(as) do serviço manual que têm que trabalhar meses para poderem ganhar o valor que um(a) trabalhador(a) mental ganha em apenas um mês de trabalho.
Na Economia Secundária os(as) trabalhadores(as) das indústrias e fábricas têm tido seus espaços de trabalho cada vez mais restritos no cenário econômico cada vez mais global, em que a constituição de um carro, por exemplo, é feita por peças criadas em diversos países e só depois montado. Neste segmento econômico os(as) trabalhadores(as) ainda têm seus direitos de fazerem greves cada vez mais restringidos, pois seus sindicatos muitas vezes acabam sendo cooptados pelo establishment, o que lhes condiciona à submissão ao que é imposto aos mesmos. Tipo: “Se fizerem greve ou protestarem, vão para o olho da rua, pois tem muitos querem seus lugares!”.
Provavelmente a imensa maioria dos(as) trabalhadores(as) não conheça, ou não assimile, o famoso “conselho” do filósofo alemão Karl Marx, quando sugeriu: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”. Outro exemplo disto, é a forma como inúmeros trabalhadores(as) se comportam na relação com outros segmentos de trabalhadores(as): achando-se melhores do que os outros, sem perceberem que estão fazendo o jogo do establishment, como são os casos de muitos(as) trabalhadores(as) Profissionais Liberais (como médicos, advogados, etc) e dos setores públicos.
Já na Economia Terciária, os(as) trabalhadores(as) dos setores de Serviços (como oficinas mecânicas, etc), Comércios (como Lojas, shoppings, etc) e da Economia Formal e, principalmente, da Informal também têm inúmeras dificuldades; como os baixos salários e as intensas horas de trabalho, muitas vezes constantemente em pé – como são os casos dos(as) trabalhadores(as) no comércio.
É na Economia Informal em que os(as) trabalhadores(as) provavelmente sofram mais desafios, pois não têm quase garantias de retorno financeiro do fruto de seu trabalho, assim como são raros os casos em que pagam INSS – por exemplo. Normalmente eles(as) sofrem para ganhar o pão de cada dia. Acordam muito cedo para trabalhos e ainda sofrem com a fiscalização normativa por parte dos fiscais de muitas prefeituras, que terminam até em abstrair os produtos que eles(as) vendem – como são os casos dos camelôs. São dos(as) trabalhadores(as) que minguam seus suores.
Com bastante sacrifício, muitos(as) trabalhadores(as) conseguem realizar seus “sonhos” de tornarem-se empreendedores(as). Um dos grandes problemas (e é comum) é que não são poucos(as) os(as) que ao tornarem-se “empregador”, acabam esquecendo o que eram antes e passam a explorar seus subordinados. Talvez, também porque possivelmente não tenham ouvido falar sobre um ser humano “Orgânico” – como bem sugeriu o filósofo italiano Antonio Gramsci.
Já os(as) trabalhadores(as) do Setor Financeiro (colocaram este nome para não chamarem de "agiotas", já que são eles que emprestam o dinheiro para os outros segmentos da economia - cobrando juros) - como Bancos e Bolsas de Valores quase sempre se comportam como se fossem os próprios “donos” do capital; enquanto que os(as) trabalhadores(as) do Setor Público, ou seja, os funcionários públicos costumam ter “um rei a barriga” de tanta soberba; possivelmente por sentirem-se “intocáveis” – principalmente quando são concursados. Estes(as) trabalhadores(as) muitas vezes tratam muito mal as pessoas que recorrem a eles(as), sem considerarem que deveriam trabalhar para “o público”, e o pior, muitas vezes agem de forma patrimonialista: desviando os recursos público para fins pessoais.
Quando o Estado não consegue suprir todas as necessidades da população (o que quase sempre acontece), aí entra em ação o chamado Terceiro Setor: as ONGs (Organizações Não Governamentais). Os(as) trabalhadores(as) deste segmento procuram ser o mais ético possível, talvez porque neste tipo de trabalho não há fins lucrativos por parte das Organizações.
Os) trabalhares(as) militares são basicamente os únicos que têm a autorização do próprio Estado em poderem utilizar armas de fogo, e provavelmente por isto mesmo, quase sempre muitos(as) deles(as) as vezes acabam abusando de suas “autoridades” e até cometendo crimes contra os(as) trabalhadores(as) “comuns” (sendo os afrodescendentes e os pobres as maiores vítimas). Crimes estes, que com frequência acabam sendo não reconhecidos (e punidos) pelas suas próprias corporações. São trabalhadores(as) que se consideram “ímpares”.
Portanto, infelizmente, mesmo que cada tipo de trabalho deveria ter sua função social reconhecida pela própria sociedade e as variedades de trabalhadores(as) serem respeitadas (inclusive economicamente), quase sempre não é isto que acontece; pois os(as) próprios(as) trabalhadores(as) são os primeiros a desvalorizarem uns aos outros. Ou seja, não colocam em prática a sugestão supra citada por Karl Marx: “Trabalhadores do mundo, uni-vos”.
Donizete Menezes - é Graduado em Pedagogia, Filosofia, História e Sociologia; Pós-Graduado em Filosofia, Ciências Sociais, História, Sociologia e Gestão Pública Contemporânea; assim como também é Escritor.



1 comentário
23 de Feb / 2026 às 19h42
Mais um tirado a inteligente