Espaço do leitor: Carnaval de Juazeiro-sucesso do povo, desafios da gestão

O Carnaval de Juazeiro chegou ao fim ontem e já estamos com saudade, pois apesar das incertezas iniciais, superou as expectativas. Quem acompanhou de perto percebeu uma organização marcada por idas e vindas, ajustes de última hora e decisões que nem sempre transmitiam segurança.

Ainda assim, a festa aconteceu, e aconteceu bem. Muito mais pelo povo do que pela estrutura oficial. Foi a energia popular que garantiu o sucesso do Carnaval. 

Isso não significa que não haja o que corrigir. Pelo contrário, Um dos ajustes mais urgentes diz respeito ao horário de início dos trios elétricos. Coloca-los na rua ainda sob o sol forte resulta em um espetáculo vazio, com trios tocando praticamente " para inglês ver". O início por volta das 18:00hs, no por do sol, seria mais coerente com a dinâmica da cidade, além de valorizar artistas e  foliões.

Outro ponto que merece revisão criteriosa é a interdição das vias que dão acesso a Adolfo Viana. Nem todas  as ruas precisam ser bloqueadas da mesma forma. Barreiras móveis, horários mais flexíveis e planejamento técnico poderiam garantir maior fluidez no trânsito, reduzindo significativamente os transtornos enfrentados pelos moradores da área central durante os dias da folia.

Mas há uma discussão que precisa ser encarada com mais firmeza: não existe justificativa plausível para a retado circuito da BEIRA DO RIO. O Carnaval de Juazeiro tem alma, identidade e cenário natural definidos. A margem do velho é parte indissociável da festa. Já perdemos o cais; não podemos permitir que se perca também o Carnaval na beira do rio. É ali que o espetáculo se completa, no encontro do Rio com a Lua, embalado por vozes e guitarras que marcaram e ainda marcam gerações. Ivete, Carlinhos Brown, Armandinho, Luiz Caldas, Canário e tantos outros.

Com a conclusão da travessia, o novo viaduto oferecerá altura suficiente para a passagem dos trios até a Orla 2, com a saída pela Rua José Pititinga ampliado assim o percurso em uns 500 metros, isso abre uma oportunidade concreta de expansão sendo circuito a baixo custo. No entanto essa expansão precisa vir acompanhada ocupação inteligente dos dos espaços.

Nesse sentido, a instalação de palco fixo na Orla II, embaixo, próximo ao rio, com programações de bandas no sábado e domingos de Carnaval das 10:00 às 15:00hs seria uma medida simples e eficaz. 

Durante este Carnaval, aquele espaço permaneceu praticamente vazio. desperdiçando uma área estratégica que poderia ter sido transformado  um espaço de convivência, lazer e geração de renda.

O Carnaval de Juazeiro mostrou mais uma vez, que sua maior força está no povo. Cabe agora aí poder Público aprender com os erros, ajustar o planejamento e garantir que a festa cresça sem perder sua essência. Carnaval, para o juazeirense não é apenas evento: é identidade cultural, é ocupação da cidade e é respeito a história de Juazeiro.

LUIZ ALVES

Espaço Leitor Foto reprodução PMJ