Espaço do Leitor: Juazeiro não pode ser roubada em silêncio

Juazeiro vive hoje um processo grave e contínuo de ocupação irregular de grandes áreas de terras, muitas delas devolutas, públicas e de alto valor estratégico.

Áreas que variam de 1 mil a 26 mil hectares vêm sendo apropriadas por pessoas de posse, sem que haja interrupção efetiva por parte dos governos.

Enquanto isso, a cidade segue convivendo com a falta de moradia digna, de creches, escolas, unidades de saúde, áreas produtivas e equipamentos públicos. Terras que poderiam servir ao interesse coletivo seguem sendo cercadas, loteadas e transformadas em patrimônio privado.

É legítimo perguntar:

Quantas creches, escolas, UBS, áreas agrícolas, assentamentos produtivos e moradias populares poderiam existir nessas áreas?

Por que o Estado da Bahia não devolve essas terras aos povos indígenas, que há décadas vivem confinados em áreas privadas, sem direito de plantar, construir ou acessar políticas públicas?

Como Juazeiro e a Bahia pretendem reduzir a pobreza, se milhares de famílias seguem sem sequer 1 hectare de terra para garantir sua sobrevivência?

Não existe combate real à desigualdade sem democratização do acesso à terra. Não existe justiça social quando o poder público se omite diante da concentração fundiária e da expulsão silenciosa dos mais pobres.

Por isso, faço um chamado ao povo de Juazeiro:

não se deixe roubar ainda mais.

A terra é um bem coletivo, estratégico e finito. O que está sendo tomado hoje fará falta amanhã às nossas crianças, aos nossos povos originários e às futuras gerações.

Que a sociedade juazeirense observe, acompanhe e cobre.

E que as autoridades cumpram seu dever.

Peço proteção ao meu Pai Oxalá, para que a verdade prevaleça e nenhuma vida seja silenciada.

Célia Regina Carvalho