Família de Charles Douglas, policial civil assassinado por empresário de Petrolina, emite nota de esclarecimento

Diante das diversas versões que vêm sendo divulgadas acerca do trágico homicídio que vitimou Charles Douglas, a família da vítima vem a público prestar os devidos esclarecimentos, de forma objetiva e responsável, com base exclusivamente nos elementos apurados oficialmente pela Polícia Judiciária até o presente momento.

1. Da motivação dos fatos

Existiu, de fato, uma relação contratual entre o acusado e a vítima, consistente na construção de um imóvel em área anteriormente adquirida pela vítima junto ao acusado. A obra foi regularmente executada por Charles Douglas, por meio de sua construtora. Inicialmente, houve manifestação de insatisfação por parte do acusado quanto à conclusão da obra.

Contudo, tal divergência foi plenamente solucionada entre as partes mediante nova negociação, que resultou na ampliação do imóvel e posterior habitação pelo próprio acusado, não subsistindo, até então, qualquer conflito relevante entre ambos.

2. Da dinâmica do crime-No dia do crime, Charles Douglas encontrava-se em sua chácara confraternizando com amigos. O acusado, vizinho do imóvel, dirigiu-se até a área gourmet da residência da vítima sem convite, passando a participar da confraternização.

Em dado momento, iniciou-se uma discussão entre acusado e vítima relacionada à obra anteriormente mencionada. Os ânimos se exaltaram, havendo troca de palavras ríspidas e empurrões, situação que foi imediatamente contida pelos convidados presentes, não tendo sido desferido qualquer “tapa” entre os envolvidos.

Após o ocorrido, a vítima e seus convidados deixaram o local. Já no trajeto para sua residência, Charles Douglas recebeu uma ligação telefônica do acusado, que demonstrou interesse em resolver o desentendimento e “fazer as pazes”. Diante disso, a vítima decidiu retornar à chácara com o intuito de apaziguar a situação. Rua engenheiro Carlos Pinheiro, 260, Centro, Petrolina.

Ao chegar ao local, ocorreu um breve diálogo entre ambos, em frente à residência do acusado, ocasião em que a vítima permanecia dentro de seu veículo. De forma absolutamente inesperada, o acusado efetuou um disparo de arma de fogo à queima-roupa, atingindo a região do crânio de Charles Douglas, que veio a óbito ainda no local. Após o crime, o acusado empreendeu fuga tranquilamente em seu veículo, sem prestar qualquer socorro.

3. Do enquadramento jurídico

Conforme os elementos indiciados já reunidos pela Polícia Judiciária, notadamente depoimentos de testemunhas oculares, provas periciais e imagens de câmeras de segurança das residências próximas, que foram decisivas para a elucidação dos fatos, o acusado será indiciado por homicídio qualificado, em razão do motivo fútil, e pela impossibilidade de defesa da vítima.

A família confia plenamente no trabalho das autoridades competentes e reitera seu compromisso com a verdade, a justiça e o respeito à memória de Charles Douglas.

O ASSASSINATO- O principal suspeito, um empresário de 40 anos, está preso. Segundo o delegado, testemunhas informaram que, antes do crime, a vítima, o autor e outras pessoas passaram o dia em uma confraternização na chácara de Charles. Por volta das 21h, o policial e o suspeito tiveram uma discussão.

“Eles passaram o dia todo consumindo bebida alcoólica e, quando foi por volta de 9 horas, teve um pequeno desentendimento por conta de uma construção de uma casa, de um contrato que tinha sido firmado entre o autor e a vítima”, disse o delegado.

A discussão entre Charles e o suspeito foi motivada pelo contrato da construção de uma casa. “Eles iam constantemente brigando por conta desse contrato, a vítima ficou um pouco insatisfeita, porque o autor teria construído uma casa para ele, e ele vinha tentando fazer alguns pequenos reajustes no contrato, algumas melhorias nesse imóvel. E eles vinham com essa espécie de querela”.

 

O delegado afirmou que, apesar da discussão, não houve agressão física entre os homens. “Quem estava presente separou os dois e eles foram contidos. O autor recolheu-se para casa dele e os amigos da vítima retiraram eles do local. Então, eles recolheram os pertences que tinham na chácara e seguiram em direção à residência da vítima”.

Testemunhas informaram que, quando voltava para casa, Charles recebeu um telefonema do suspeito, fazendo com que o policial civil retornasse para a chácara. “A vítima retorna a essa chácara no intuito de fazer as pazes com o autor dos fatos. Aí a vítima retorna, chega na chácara, tem um breve contato lá com o autor”, disse o delegado.

“O autor, já de forma premeditada, estava armado, esperando meio que um momento certo para efetuar ali o disparo e, de forma sorrateira e covarde, ele desfere um tiro na testa do policial civil aposentado”.

Charles foi morto dentro do carro. “Na condição ali de motorista, ele baixou o vidro para conversar com o autor. Eles conversam por cerca de uns dois minutos e, nesse momento, é possível ver o momento que ele [suspeito] pega a arma de fogo e efetuou o único disparo na região da testa, onde teve a curta distância e que impossibilitou a defesa da vítima”, afirma o delegado.

Segundo o delegado Nielson Albuquerque, o desentendimento entre a vítima e o suspeito durava cerca de dois anos. A “briga fútil”, como descreveu o delegado, teria motivado o crime.

“Tem uns dois anos que eles vinham aí nessa querela desse imóvel aí, que foi construído, a vítima não gostou, o autor disse que ia fazer os reparos, mas teria que fazer um aditivo do contrato e tal. Então, essa era a motivação que a gente achou mais plausível, que foram testemunhas que já foram ouvidas no inquérito policial que nos informou”.

O suspeito está preso preventivamente no presídio Dr. Edvaldo Gomes. Ele deve passar por audiência de custódia nesta segunda-feira.

“Esse mandado tem um prazo de 30 dias, ele pode ser prorrogado por mais 30 dias. Esse é o período que a polícia espera reunir o maior número de provas, seja periciais, seja testemunhais, elaborando um relatório de imagens do dia lá do local, para concluir a investigação nesse prazo. A gente vai encaminhar esse inquérito policial indiciando esse suspeito pela prática de homicídio qualificado, pelo motivo fútil e pelo motivo que impossibilitou a defesa da vítima”, destaca o delegado.

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