Após denunciar roubo de terras públicas, ex-vice-presidente do PT da Bahia vive sob ameaça e risco de exílio

Em mensagem à Rede GN a ex-vice presidente do PT da Bahia e ex-Secretária Municipal de Obras em Juazeiro, Célia Regina denuncia que está ameaçada de morte, após ajudar a desmantelar um esquema criminoso de apropriação e venda ilegal de terras devolutas do Estado da Bahia.

Confira a mensagem: Por mais de 23 anos, dediquei minha vida ao serviço público, à defesa do interesse coletivo e à construção de políticas que garantissem dignidade ao povo da Bahia — especialmente ao povo de Juazeiro.

Foi nesse percurso que, no exercício das minhas funções institucionais, colaborei com investigações que ajudaram a desmantelar um esquema criminoso de apropriação e venda ilegal de terras devolutas do Estado da Bahia.

Essas terras, que pertencem ao povo baiano, deveriam ter sido destinadas à construção de creches, escolas, hospitais, equipamentos sociais e políticas públicas estruturantes. Em vez disso, foram alvo de um dos maiores processos de grilagem da história recente da região, beneficiando interesses privados e latifundiários poderosos.
Desde então, minha vida mudou drasticamente.
Passei a sofrer ameaças sistemáticas, diretas e indiretas, que colocaram em risco minha integridade física e minha própria existência. Diante da gravidade da situação e da omissão do Governo da Bahia em garantir minha proteção, fui obrigada a deixar o estado. Hoje, encontro-me sob proteção institucional de outro estado brasileiro, mesmo tendo servido com lealdade e coragem ao Estado da Bahia por mais de duas décadas.
É uma realidade dura e profundamente injusta: quem denuncia crimes contra o patrimônio público passa a ser tratado como descartável, enquanto os responsáveis seguem protegidos por redes de poder e silêncio. 

As ameaças não cessaram, e há a possibilidade real de que eu precise ser retirada do país para preservar minha vida, por meio de mecanismos de proteção a testemunhas.

Faço este relato não por vitimização, mas por responsabilidade pública. A sociedade de Juazeiro precisa saber que o roubo de suas terras teve consequências humanas.

 Precisa saber que denunciar, na Bahia, ainda pode significar exílio, medo e abandono institucional.

O que está em jogo não é apenas a minha vida, mas o direito de qualquer cidadão ou cidadã denunciar crimes sem ser condenado à clandestinidade ou à morte. Proteger denunciantes, testemunhas e defensores do patrimônio público não é favor — é dever constitucional do Estado.

Escrevo para registrar, alertar e resistir.
O silêncio nunca foi opção.
A verdade precisa permanecer viva.

Célia Regina Carvalho
Dezembro de 2025

Da redação Rede GN