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Estava resolvendo algumas questões pessoais no centro de Juazeiro da Bahia e, depois de passar o dia inteiro sem resolver quase nada, decidi descansar um pouco e tomar uma água de coco.
Entre um pensamento e outro, fiz minha reflexão do final da tarde. A frase norteadora que vinha à minha mente era: quem faz o que gosta é diferente na receptividade das pessoas.
Como posso atender bem, se não estou satisfeito com o que faço?
Uma pessoa que não é feliz no seu emprego fica insatisfeita profissionalmente – talvez porque o trabalho não atenda a suas necessidades, como salário baixo, insegurança e instabilidade, ou mesmo porque frustra a realização de um sonho ou projeto de vida.
São inúmeros motivos que envolvem seus valores ou seu bem-estar geral.
A forma de atendimento faz toda diferença nas relações humanas. Um olhar com atenção, um sorriso amigável, uma face desarmada, um coração aberto em receber bem o outro mostram a suavidade de uma interação respeitosa e sem julgamentos.
Viver sem julgar precipitadamente é um grande desafio para todos nós. Parece que estamos livres dos preconceitos, mas, na realidade, o que vemos são desigualdades nos tratamentos de forma clara.
- Boa tarde. Vocês vendem carros novos aqui, por favor?
- Boa tarde, sim, é aqui mesmo! O carro é para o seu chefe?
- Não. O carro é para mim. Estou querendo comprar um carro zero quilômetro e, de preferência, um importado.
- O senhor tem certeza de que quer este carro? Veja, este modelo é muito procurado e, por isso, o preço é alto e não oferecemos parcelamento. Uma alternativa mais acessível seria o senhor financiar uma moto usada lá no Mercado do Produtor.
- Sinto muito, vendedor. Dê uma olhada neste saco. Consegue adivinhar o que tem dentro?
- Nossa senhora! São mais de um milhão em dinheiro vivo! Sinceramente, peço mil desculpas pelo meu julgamento precipitado. O carro importado, é claro, está à sua disposição. Posso providenciar toda a documentação e a proposta de compra imediatamente. O senhor me autoriza?
- Filho, essa lição eu te dou: não julgue pela aparência. Muitos querem adivinhar o que está no interior do homem e acabam se tornando juízes do mundo. Vou comprar o carro para que você aprenda, um dia, a não se equivocar a respeito de ninguém.
- Sr. José Augusto Passos, minha sincera gratidão, ilustre comprador. Fiquei realmente emocionado com sua generosidade e compreensão. Muito obrigado, de coração.
Será que todo mundo que tem dinheiro se veste bem? Nem sempre, meu amigo! Julgar pela aparência pode levar a situações constrangedoras. E você, já passou por algo assim? Se sim, não se perturbe nem deixe de se amar pelas opiniões dos outros.
O importante é compreendermos que a insatisfação profissional é diferente de uma ansiedade, um estresse ou um cansaço passageiro. Quem ama realmente o que faz carrega consigo um entusiasmo natural. Na verdade, essa pessoa se diverte no seu ambiente de trabalho.
Por isso, o libanês Khalil Gibran, filósofo, poeta, escritor e pintor conhecido por suas frases inspiradoras, nos deixa a seguinte reflexão: “todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor”.
Não pode ser somente pelo salário mensal. É preciso ter um sentimento de pertencimento para colocar em prática as habilidades e desenvolver um ótimo trabalho.
Quando amamos o nosso emprego, não maltratamos nem somos maltratados; pelo contrário, o local de trabalho torna-se a nossa segunda família.
É nessa hora que lembramos do nosso amigo Geraldo Messias e de seu lema: 'Quando um amigo cresce, eu cresço junto com ele!'. Esse é o princípio do crescimento mútuo, o alicerce de qualquer trabalho em equipe de sucesso.
Certa vez, Michael Jordan — o maior jogador de basquete de todos os tempos, no auge da fama — disse: “O talento vence jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos.”
Ayrton Senna, tricampeão da Fórmula 1 em 1988, 1990 e 1991, deixou uma lição de humildade ao dizer: “Eu sou parte de uma equipe. Então, quando venço, não sou eu apenas quem vence. De certa forma, termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas!”
É por uma reflexão como essa que o pensador Confúcio nos aconselha: “Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar um único dia na tua vida”. Aqui estamos em outro nível de entendimento. É como a água do rio correndo para o mar: tudo flui naturalmente.
- Acorda, filho! Precisamos chegar a tempo na Escola Municipal Mandacaru, no Jardim Primavera. Tenho que falar com o coordenador Alivan. Será que ele vai nos atender bem? Vamos ver…
- Bom dia, mãe! Tudo bem? Precisa de alguma coisa? Quer uma água, café, chá, biscoito? O ar-condicionado está bom para vocês?
- Por gentileza, quem é o senhor? Quero fazer a matrícula do meu filho, mas não estou encontrando vaga em lugar nenhum.
- Sou o coordenador Alivan. Por favor, sentem-se à vontade. Estou à sua disposição.
- Primeiramente, quero agradecer pela forma gentil e humana com que você nos atendeu. Isso é uma raridade nos serviços públicos. Estou profundamente emocionada com seu profissionalismo. Gratidão por me enxergar!
Esse pequeno recorte nos mostra que a excelência no atendimento é tudo. Um atendimento verdadeiramente humano pode ser um bálsamo. Esse alívio pode ser físico ou espiritual. O bom atendimento conforta os corações desesperados e, com receptividade, mudamos a atmosfera de um dia atribulado de alguém.
Portanto, queridas amigas e queridos amigos, vale a pena investir em dias melhores para alcançar satisfação naquilo que fazemos. Se você não tolera mais sua rotina, é preciso se reinventar e procurar novos horizontes. O mundo é grande, e você, com seu projeto de vida, sua força, sua esperança e sua alegria, certamente vai vencer.
“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens” (Colossenses 3.23).
Professor Josiel Bezerra



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