
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) marcou presença na audiência pública realizada semana passada, no município de Sento Sé.
O encontro, organizado pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), reuniu moradores atingidos pela construção da Barragem de Sobradinho, movimentos sociais e representantes do Governo Federal para debater medidas de reparação após 48 anos da obra.
A atividade, coordenada pela Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, teve como objetivo ouvir as demandas das populações de Sento Sé, Casa Nova, Remanso e Pilão Arcado. O CBHSF foi representado por Francisco Ivan de Aquino, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre (CBHLS), afluente do Velho Chico.
O Rio como sujeito de direitos-Durante sua fala na Escola Estadual 7 de Setembro, Francisco Ivan de Aquino, destacou o papel histórico do “Parlamento das Águas” desde 2001. Ele reforçou a missão do colegiado em buscar o equilíbrio entre os múltiplos usos da água e a preservação ambiental, defendendo o conceito do rio como um “sujeito de direitos”. “Nossa luta é pelo diálogo equilibrado entre o poder público, os usuários e a sociedade civil — incluindo ribeirinhos, pescadores, pequenos agricultores, comunidades tradicionais e indígenas. Defendemos a vida do rio e buscamos a revitalização para a sustentabilidade do ecossistema”, afirmou Aquino.
O representante também detalhou como a cobrança pelo uso da água tem retornado para a bacia em forma de investimentos práticos, citando projetos de recuperação de nascentes, proteção de matas ciliares, combate ao assoreamento e obras de saneamento rural. “Usamos os recursos a favor do rio e seus afluentes, buscando compromisso político e investimento público para garantir um rio vivo para as futuras gerações”, completou.
Dívida Social e Expectativas-A audiência, baseada em estudos do IPEA e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), abordou impactos da obra. Para o representante do Comitê do Lago de Sobradinho, a questão transcende o financeiro. “Na prática, existe uma dívida que não é só econômica, mas também social. A construção da barragem dividiu famílias, amigos, fragmentou uma cultura e impactou toda uma geração”, pontuou Francisco Ivan.
O encontro foi marcado por emoção e pela esperança da comunidade. No entanto, o debate também trouxe à tona o desafio de alinhar expectativas. Segundo avaliações preliminares da representação do Comitê, o cenário aponta para um projeto de compensação focado em ações estruturantes e políticas públicas.
Encaminhamentos-Após ouvir os relatos sobre a educação, saúde e infraestrutura, a Diretoria de Articulação de Políticas Públicas da Secretaria-Geral consolidará as reivindicações. O objetivo é articular agendas entre as comunidades e as equipes técnicas dos ministérios competentes para garantir que as medidas de reparação saiam do papel.
Redegn com informações da Ascom CBHSF:



2 comentários
03 de Dec / 2025 às 07h09
Querem mais dinheiro público? O país vai afundar, não tem jeito.
03 de Dec / 2025 às 07h49
Sento Sé, Casa Nova, Remanso e Pilão Arcado. Quatro cidades destruídas para dar lugar ao lago de Sobradinho, tantas pessoas cederam suas vidas para dar contribuição para o bem-comum. E agora, privatizaram a Chesf. Nas mãos de particulares. Obras como hidroelétricas jamais deveriam ser privatizadas, pois são monopólios governamentais, inclusive com despopulação de cidades inteiras. Só para benefício governamental se faz isso. Um crime político absurdo que cometeram a venda dessa estatal. Pois a política é interesse público, incompatível com interesse particular.