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A Venezuela atravessa uma crise profunda e prolongada que atinge de maneira severa sua economia, suas instituições e a estrutura social que antes sustentava o país.
A deterioração dos serviços públicos, a inflação descontrolada, a escassez de alimentos e remédios e o colapso do sistema educacional e de saúde criaram um ambiente de vulnerabilidade extrema.
Milhões de venezuelanos deixaram o país em busca de condições mínimas de sobrevivência, configurando um dos maiores fluxos migratórios da história recente da América Latina. Trata-se de uma tragédia social que, embora complexa, poderia ter sido evitada por meio de políticas econômicas responsáveis, transparência administrativa e respeito à pluralidade política e religiosa.
No campo religioso, há relatos documentados de repressão seletiva contra Igrejas e líderes cristãos que manifestam críticas ao governo. Em várias regiões, comunidades foram alvo de vigilância e intimidação, e algumas chegaram a ser fechadas após orações públicas ou mensagens consideradas contrárias ao regime. Entretanto, não existe uma política de fechamento automático de todas as Igrejas. Muitas continuam em atividade, algumas com restrições e outras mantendo relações cordiais com o Estado, o que garante uma certa tolerância institucional. Essa convivência forçada reflete o dilema de parte do meio religioso: permanecer fiel aos princípios espirituais, mesmo sob risco, ou ajustar o discurso para sobreviver dentro do sistema.
A economia, outrora uma das mais sólidas da América Latina, entrou em colapso devido a anos de má gestão, corrupção e dependência quase exclusiva do petróleo. A saída de multinacionais, a desindustrialização e o declínio da produção interna provocaram o fechamento de milhares de postos de trabalho. Pequenas empresas locais ainda resistem, sustentando um comércio de subsistência e evitando um colapso total. A desvalorização da moeda e a dolarização informal da economia criaram desigualdades profundas, em que apenas uma minoria consegue acesso regular a bens e serviços básicos. O sistema de saúde é um dos mais afetados, com hospitais sem medicamentos e profissionais que recebem salários equivalentes a poucos dólares por mês, o que inviabiliza a continuidade do atendimento.
No campo político, a repressão é intensa, mas a oposição permanece ativa. María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2024, tornou-se símbolo internacional da resistência democrática e da luta por eleições livres. Edmundo González Urrutia, candidato da oposição, foi amplamente reconhecido por observadores e por diversos países como o verdadeiro vencedor das últimas eleições, denunciadas como fraudulentas pela comunidade internacional. Esses exemplos mostram que, apesar do autoritarismo e das tentativas de silenciamento, ainda existem lideranças legítimas comprometidas com a reconstrução do país e com o resgate da liberdade política.
A crise venezuelana, portanto, não é apenas econômica ou política, mas uma desconstrução social em curso. As instituições se enfraqueceram, a confiança entre os cidadãos foi abalada e o tecido moral da nação sofreu rachaduras profundas. O país, que já foi referência de prosperidade e estabilidade, hoje luta para preservar valores básicos de convivência, fé e dignidade. A superação dessa tragédia exigirá não apenas reformas estruturais, mas também uma restauração espiritual e ética, capaz de devolver à sociedade venezuelana a esperança, a solidariedade e o sentido de pertencimento que foram perdidos ao longo de anos de opressão e desgoverno. Oremos pela Venezuela e seu povo.
* Textos encaminhados por colaboradores refletem o pensamento do autor e não necessariamente a opinião da redeGN.
Teobaldo Pedro Juazeiro-BA



1 comentário
11 de Nov / 2025 às 07h09
Pior foi o aconteceu na prefeitura de Juazeiro, sob o comando de vocês. Acabaram com Juazeiro.