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Ontem à noite, em sonho, viajei para Stratford-upon-Avon, na velha Albion, e ali encontrei o bardo inglês, William Shakespeare. Em meio às sombras do teatro imaginário, perguntei-lhe o que tinha em mente ao colocar nos lábios do príncipe Hamlet a célebre indagação: “To be or not to be?” — no contexto sociopolítico da Dinamarca, sob o reinado de Cláudio, que ascendeu ao trono após assassinar o próprio irmão, o rei Hamlet.
A frase, tão repetida ao longo dos últimos séculos, reflete a angústia existencial de um homem diante da vida, da morte e da moralidade, tudo permeado por intrigas políticas e disputas de poder. Hamlet hesita entre suportar o peso da existência ou sucumbir ao descanso da não-vida.
Em minha reflexão, imaginei alguém ponderando sobre mudar de profissão, de vida, de convívio social e até de posicionamento político, em busca de uma paixão ou de um ideal. Esse dilema majestático, que atravessa o tempo, reaparece em nossos dias: o questionamento sobre a existência e as decisões que moldam nossas vidas continua sendo universal e atemporal.
No mundo moderno, a convivência política entre diferentes espectros ideológicos é sempre um desafio. Mas também é uma oportunidade para o diálogo e para a (re)construção de entendimento mútuo. Em uma democracia, o respeito e a tolerância entre correntes de pensamento não são opcionais: são pilares.
Para um conservador, como eu, conviver com ideias de esquerda pode ser visto como uma chance de reafirmar valores e, ao mesmo tempo, compreender melhor as preocupações do outro lado. O diálogo aberto e honesto é essencial para evitar a polarização extrema e encontrar pontos de convergência que beneficiem a sociedade como um todo.
A chave dessa convivência está na capacidade de ouvir e argumentar com respeito, sempre em busca do bem comum. A política, afinal, é a arte de negociar e de encontrar soluções que atendam às necessidades de todos os cidadãos, independentemente de suas crenças ou ideologias.
Navegar por um ambiente polarizado exige calma, paciência e resiliência. É preciso estar informado, fortalecer a argumentação e demonstrar disposição para compreender o outro lado, sem abrir mão daquilo que nos define.
A política, por vezes, é emocionalmente desgastante. Por isso, é necessário cuidar da saúde emocional: cultivar hobbies, praticar exercícios, conversar com amigos de confiança — mesmo que pensem diferente. Esse equilíbrio nos protege contra a tentação da tragédia.
Façamos isso para que nossas vidas não se tornem um drama shakespeariano, onde todos os personagens acabam mortos em um envenenamento coletivo.
Que sejamos protagonistas de uma história de convivência, firmeza e esperança.
Getúlio Medeiros é filólogo, professor de línguas estrangeiras modernas e juazeirense de coração.



1 comentário
08 de Nov / 2025 às 13h44
Mais um tirado a inteligente