Governo Lula abriu caminho para a privatização dos rios e para a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. É a contradição de quem fala em proteger", diz Movimento Tapajós

Nos próximos dias 6 e 7 de novembro, o presidente Lula vai presidir a Cúpula do Clima que reunirá dezenas de chefes de Estado em Belém, para um encontro preparatório e de alto nível a fim de impulsionar o diálogo político, identificar desafios e facilitar consensos antes das negociações formais da COP30, a conferência de clima das Nações Unidas, que será realizada de 10 a 21 de novembro, na capital paraense.

No sábado (1), Lula visitou moradores da comunidade do Jamaraquá, que reúne mais de mil famílias de extrativistas e ribeirinhos, na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, no Oeste do Pará.

Em discurso, o presidente valorizou a oportunidade que a conferência oferece ao darvisibilidade à Amazônia: “A COP30 é um momento único na história do Brasil, porque é um momento em que a gente está obrigando o mundo a olhar para a Amazônia com os olhos que devem olhar para a Amazônia. Não é só pedir para a gente manter a floresta em pé!”.

“Para a floresta ficar em pé, nós temos que dar sustentação econômica, educacional, de saúde para as pessoas que tomam conta dessa floresta, porque se essas pessoas não tiverem o que comer, não vão tomar conta de nada”, acrescentou.

Enquanto o presidente visitava a aldeia indígena Vista Alegre de Capixauã, o Movimento Tapajós Vivo – formado por comunidades indígenas e ribeirinhas, que surgiu em 2009 como resistência aos impactos socioambientais na bacia do rio Tapajós – divulgava nota de repúdio à sua presença na região.

Em post no Instagram, a organização comentou na legenda: “Hoje, o presidente Lula visitou o Baixo Tapajós. Mas como entender essa visita, se este é o mesmo governo que abriu caminho para a privatização dos rios e para a exploração de petróleo na Foz do Amazonas? É a contradição de quem fala em proteger, mas age diferente. O Tapajós vê, sente… e não esquece”. 

No texto da nota, destaca: “Consideramos incoerente sua presença na região, tendo em vista que seu governo assinou o decreto que visa “privatizar os rios Tapajós, Madeira e Tocantins-Araguaia para uso logístico do agronegócio, além de apoiar a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas – medidas que ameaçam diretamente nossos territórios, modos de vida e ecossistemas fundamentais para a Amazônia. Não aceitamos “jardinagem” no período da COP30”.

A revolta dessas comunidades deve-se ao Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025, assinado por Lula, que inclui hidrovias dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND), prevendo a concessão de trechos navegáveis para a iniciativa privada.

Os trechos a serem concedidos são:
– Madeira: Porto Velho (RO) a Itacoatiara (AM);
– Tocantins: Belém (PA) a Peixe (TO); e 
– Tapajós:  Itaituba (PA) a Santarém (PA).

A concessão de mais de 3 mil km de vias navegáveis é aplaudida e vista como forma de modernização por setores econômicos, em especial pelo agronegócio. Contudo, enfrenta críticas de ambientalistas e de comunidades tradicionais da Amazônia, que temem a falta de consulta às populações ribeirinhas e indígenas e impactos socioambientais irreversíveis (assista ao vídeo publicado ontem por membro do movimento Tapajós Vivo.

redegn com informações Movimento Tapajos