Artigo: Eleições 2026. Não se assuste. Não estou lançando candidatura, nem venho pedir o seu voto

Não se assuste. Não estou lançando candidatura, nem venho pedir o seu voto.

Estou passando por aqui, apenas para registrar que, à véspera de cada eleição, vejo gente querendo se candidatar em Juazeiro (BA). Parece filme repetido do Cine São Francisco, nas sextas-feiras, nas sessões duplas de antigamente.

Muitos se lançam na política sem alicerce, projeto ou pesquisa confiável. São candidatos porque acham que têm votos ou porque se sentem o último acarajé de Dona Cecília - uma avó que vendia suas iguarias na Rua do Apollo, entre os anos de 1956 a 1980.

Com essa introdução, escrevo algumas palavras com o propósito de despertar essas pessoas, apoiando-me na minha experiência como membro de diversas coordenações políticas vitoriosas.
 
Se você quer entrar na política (ou se manter nela), lembre-se de que há um tripé que não falha - grupo político, muito dinheiro e baixa rejeição. Sem ele, você poderá até ganhar alguns votos, mas não se elegerá e, depois disso, ficará "com a cara de doido", como já dizia o saudoso Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, ao se referir a candidatos derrotados.
 
Como prova da necessidade e importância desse tripé - grupo político, muito dinheiro e baixa rejeição -, temos o exemplo recente do atual prefeito de nossa cidade, Andrei, um desconhecido na política. Ele entrou na campanha com o benefício da baixa rejeição e foi agraciado com um grupo político e muito dinheiro, que lhe caíram do céu como o "maná" bíblico.
 
Os 120 mil votos (válidos) de Juazeiro não são suficientes para eleger um candidato da terra - muitos dos quais já querem começar por cima, descendo de paraquedas. Lembre-se que a grande maioria desses votos (aproximadamente 70 mil) são vendidos aos mandacarus e xique-xiques, deixando cerca de 50 mil votos, para serem repartidos entre os "juás".  
 
Assim colocado, e se você ainda pensa em entrar na política, analise bem se vale a pena esse sacrifício, essa luta. A história de Juazeiro registra que pessoas inteligentes ingressaram na política (somente por vaidade ou projeto pessoal) e quebraram a cara - como se tivessem tomado um murro do nosso lutador "Samuel Nascimento".
 
Penso que, atualmente, na América Latina, a política só serve para dois tipos de pessoas: rico idiota ou pobre sabido. Se você for um deles, não me escute. Monte na burrinha da felicidade e desembeste atrás dos votos - mas depois, não reclame da sorte.
 
E, aos meus conterrâneos de bom caráter e bom coração, sugiro que deixem a política para os profissionais de plantão - aqueles que transformam mandatos em carreira e vendem a alma pelo poder.
 
Gilberto Maciel dos Santos