Prevenção do Suicídio: A Importância do Manual da OMS para Profissionais da Mídia

A comunicação exerce um papel central na forma como a sociedade compreende e responde ao suicídio. Reconhecendo essa responsabilidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP), lançou em 2023 a versão atualizada do Manual Prevenção do Suicídio: um recurso para profissionais da mídia, agora traduzido oficialmente para o português pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2025).

Esse documento torna-se essencial para jornalistas, editores, produtores de conteúdo digital, influenciadores e todos os que trabalham na mídia, pois fornece diretrizes práticas sobre como informar de forma ética e responsável sobre o suicídio, reduzindo riscos de contágio e promovendo mensagens de esperança e prevenção.

Pesquisas indicam que reportagens inadequadas — sobretudo quando sensacionalizam, descrevem métodos ou simplificam os motivos de um suicídio — podem estimular comportamentos imitativos, fenômeno conhecido como efeito Werther. Por outro lado, matérias que destacam superação, busca de ajuda e alternativas diante da crise têm efeito protetor, chamado de efeito Papageno (OMS, 2023). Assim, cada linha publicada ou compartilhada pode salvar ou colocar vidas em risco.

O manual destaca práticas fundamentais, como:

Não divulgar métodos ou locais associados a suicídios.

Evitar termos estigmatizantes, como "cometeu suicídio", substituindo-os por "morreu por suicídio" ou "tirou a própria vida".

Oferecer sempre informações de ajuda, como linhas de apoio e serviços de saúde.

Valorizar narrativas de recuperação, que mostrem caminhos de enfrentamento e esperança.

Num contexto em que as redes sociais amplificam rapidamente qualquer informação, o acesso dos profissionais da mídia a esse manual é um recurso de proteção social. Além de qualificar o jornalismo, fortalece a responsabilidade ética da comunicação, contribuindo para que o espaço público seja usado na promoção da vida e na prevenção de mortes evitáveis.

Diante da magnitude do problema — mais de 700 mil mortes por suicídio a cada ano no mundo — a adesão às orientações da OMS não deve ser vista como uma restrição, mas como um compromisso ético com a sociedade. Ao seguir essas diretrizes, jornalistas e comunicadores tornam-se aliados fundamentais em um esforço global pela preservação da vida.

Instituto de Suicidologia do Cariri. Psicóloga RT: Daniela Coelho Andrade 
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Crato-Ceará

Referência-Organização Pan-Americana da Saúde. (2025). Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia (Atualização de 2023). Brasília, DF. https://doi.org/10.37774/9789275729984

Instituto de Suicidologia do Cariri Psicóloga RT: Daniela Coelho Andrade
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