
Quando iniciei minha carreira em consultoria, um desafio que se mostrava constantemente presente era encontrar dados ou informações para realizar análises de negócios.
Explico. Simplificando bastante o processo, o método típico de um consultor é:
Entender o problema ou desafio;
Levantar hipóteses sobre a causa raiz;
Coletar dados;
Elaborar análises ou modelos;
Tirar conclusões;
Propor recomendações.
Devido à minha natural curiosidade com ferramentas e às competências adquiridas no curso de engenharia e nos estágios como programador, tornei-me especialista nas principais ferramentas de análise disponíveis na época em que entrei no mercado de trabalho, como planilhas eletrônicas e bancos de dados. Com essa profundidade de conhecimento no tema, frequentemente me pegava imaginando como deveria ser difícil a vida dos consultores antes da existência das planilhas eletrônicas e das bases de dados...
Fazer análises não era meu principal desafio, mas sim encontrar bons dados e informações para analisar.
Um dos diferenciais das grandes consultorias daquela época era a capacidade de acessar grandes bases de dados com informações de mercado e estudos úteis para qualquer consultor: tamanho de mercado, penetração de produtos, curvas de crescimento, indicadores econômicos, entre outros. Logo no início do meu trabalho na saudosa Cluster Consulting, fiquei encantado ao saber que existia até um departamento – o Knowledge Center – responsável exclusivamente por prover e gerenciar o acesso a essas importantes fontes de dados, que embasavam nossas análises e recomendações nos projetos.
Foi nessa época também que aprendi que não há qualquer informação no mundo que não possa ser obtida, desde que se esteja disposto a arcar com o custo de adquiri-la. Literalmente.
Avançando no tempo, hoje muitas dessas informações, que há duas décadas eram privilégio de poucos, estão amplamente disponíveis e acessíveis a um clique – embora, por vezes, um pouco desatualizadas. Soma-se a isso o advento de novas ferramentas de análise e visualização de dados, que tornam o trabalho de um bom consultor muito mais eficiente.
As ferramentas de inteligência artificial, com a elaboração de um bom prompt, parecem, como num passe de mágica, cobrir etapas típicas do processo de consultoria, desde a coleta de dados (etapa 3) até a análise e as recomendações (etapas 5 e 6).
Ótimo! Só que não.
A verdade é que muitos jovens que estão ingressando agora no mercado de trabalho, encantados pelos prompts e ferramentas de IA, estão deixando de aprender os fundamentos de uma boa análise.
Não sabem onde encontrar informações relevantes, mesmo estando estas cada vez mais acessíveis.
Não conseguem realizar um sanity check das informações obtidas para avaliar se elas fazem sentido mínimo em suas análises.
Não sabem como utilizar ou apresentar as informações de forma adequada.
Demonstram total incapacidade de criar modelos para estimar mercados ou realizar análises financeiras simples.
Têm dificuldade em gerar conclusões lógicas e bem fundamentadas nas análises (que sequer realizaram).
Recentemente, em um processo seletivo que conduzimos na Inventta, uma candidata foi convidada a apresentar um case de negócio, etapa que sempre propomos aos candidatos mais avançados no processo. Ela trouxe slides bem elaborados, análises feitas e recomendações interessantes... mas que não resistiram às primeiras perguntas do recrutador. A candidata não soube explicar sequer a origem das informações utilizadas, muito menos como chegou às recomendações apresentadas. Ela não conseguiu superar nem o primeiro "por quê" feito sobre suas conclusões.
Esse episódio tornou-se até uma piada interna na Inventta, quando cunhamos o termo CHATPPT, referindo-se àquele PowerPoint gerado a partir de um simples copy-paste do resultado de um prompt no ChatGPT. Um verdadeiro absurdo.
Estamos claramente enfrentando um momento de escassez de bons analistas. Pior ainda: falta gente boa para enfrentar e resolver problemas. Está cada vez mais difícil encontrar jovens profissionais com a competência (ou, ao menos, o potencial) para realizar boas análises. O impacto disso no mercado de consultorias é uma custosa queda na qualidade dos trabalhos entregues.
E, quando pensamos que a situação não pode piorar, a falta de foco dos jovens, abduzidos pelas redes sociais, está resultando em uma geração dispersa e superficial, incapaz de se aprofundar em temas complexos ou de compreender adequadamente os fundamentos de um problema.
Ou seja, muitos sequer sabem formular a pergunta correta para iniciar a solução de um desafio.
Não podemos permitir que alguém, sem saber onde quer chegar, escolha qualquer caminho apenas por ser mais fácil.
Vida longa e próspera aos verdadeiros problem solvers!
Sobre a Inventta
Fundada em 2004, a Inventta possui mais de 20 anos de atuação. Nesse período, realizou com sucesso mais de 400 projetos em parceria com mais de 150 empresas, incluindo clientes renomados como CPFL, Eletrobras, EDP, Johnson & Johnson, Suzano, São Martinho, Sodexo, Energisa, Natura, Votorantim Cimentos, Cargill, Novo Nordisk, Aegea, entre outros.
A missão da Inventta é transformar negócios a partir da inovação. Focada em inovação, digital e estratégia, a Inventta ajuda organizações a endereçarem seus desafios estratégicos e transformarem seus mercados a partir da criação e execução de novos modelos de negócio, produtos ou serviços. Na Inventta, a inovação está a serviço do negócio para maximizar seus resultados.
Bruno Moreira, Fundador da Inventta.



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