Muito se fala em campanhas contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. Outdoors, panfletos coloridos, slogans bonitos e discursos emocionados aparecem em datas específicas como se fossem a prova de que a sociedade está de fato engajada nesse combate. Mas a verdade é dura: tudo isso muitas vezes não passa de encenação, uma maquiagem para esconder a omissão que reina diante da realidade.
Todos sabem, em escolas, hospitais, vizinhanças e até dentro das famílias, quem são os verdadeiros abusadores. Quantas meninas de 12, 13, 14 ou 15 anos chegam aos hospitais grávidas, e não é segredo para ninguém que o pai da criança é muitas vezes o próprio pai, padrasto, tio, alguém do convívio familiar ou alguém de muita influência social. Quantas relações entre adultos e crianças são "naturalizadas" como se fossem apenas namoros precoces, quando, na verdade, são crimes de abuso sexual.
E o que acontece? Quase nada. O silêncio impera. As denúncias muitas vezes não são feitas, e quando chegam às autoridades, morrem nos corredores da burocracia. Panfletos ficam largados em mesas de repartições, no Ministério Público, no Judiciário, como peças de um teatro que tenta convencer a todos de que existe combate real à pedofilia. Mas a indignação verdadeira parece restrita a poucas vozes isoladas.
É revoltante perceber que campanhas existem mais para tranquilizar consciências do que para proteger crianças. Falta coragem para enfrentar os poderosos, os abusadores conhecidos, muitas vezes protegidos pelo medo, pelo parentesco ou pela influência social. O resultado é que a exploração sexual continua acontecendo diante dos nossos olhos, e o pior: com a conivência de uma sociedade que finge não ver.
Enquanto não houver ação firme, punição exemplar e, sobretudo, a disposição de encarar a verdade sem disfarces, todo cartaz e toda campanha continuará sendo apenas isso: uma grande mentira.
César Miller



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