O valor da Banda Cabaçal Irmãos Aniceto e o descaso da falta de políticas públicas para a valorização da cultura

"Deus era um tocador de pife e foi soprando nele, num pife feito de taboca, que deu vida ao Homem com seu sopro fiel", diz o professor mestre e doutor em Ciência da Literatura, Aderaldo Luciano.

O Brasil, o Nordeste tem uma diívida enorme com a falta de valorizar a cultura. Não se cuida da arte e da espiritualidade, que está nas mãos da cultura.

A Banda Cabaçal Irmãos Aniceto completou este ano 210 anos de criação e tradição cultural. Por Decreto de Lei, a Banda é reconhecida como Patrimônio da Cultura Imaterial do Crato. O grupo já chegou a gravar quatro discos. O jornalista e colaborador da REDEGN, Ney Vital diz que a falta de um empenho maior das autoridades para promoverem políticas públicas para garantir a valorização de um dos maiores patrimônios da cultura que é a Banda Cabaçal Irmãos Aniceto, mostra o completo descaso com as riquezas culturais.

"A banda Cabaçal, os sons do pife é do rio São Franciscos, da Chapada do Araripe e infelizmente assistimos o completo descaso com a cultura que é citada por Gilberto Gil e pelo rei do Baião Luiz Gonzaga, como riquezas maior da cultura e do patromônio. A falta de políticas públicas para a cultura resulta na desvalorização do setor, com cortes orçamentários e desarticulação entre diferentes níveis de governo, o que prejudica o acesso democrático à cultura, afeta a salvaguarda do patrimônio, a coesão social e a identidade de um povo, além de impactar negativamente artistas e trabalhadores culturais", avalia Ney Vital.

O criador da Fundação Casa Grande-Memorial do Homem Kariri, em Nova Olinda-Ceará, o educador e pesquisador Alemberg Quindins costuma dizer que o Ceará é um Estado de Espírito do vento/cariri que sopra com saudade do Mar. Patativa do Assaré. Luiz Gonzaga e Padre Cícero, arqueologia e gestão cultural são fontes de vida.

Alemberg diz que a Chapada do Araripe tem uma influência nesse território desde o período cretáceo. Em torno dela, de um lado tem Luiz Gonzaga, a Pedra do Reino, de Ariano Suassuna e a Missa do Vaqueiro, Padre Cícero, Patativa do Assaré, Espedito Seleiro, toda uma cultura. O Cariri é um oásis em pleno sertão. É o solo cultural por conta de toda essa força que vem da geologia, da paleontologia, da cultura.

No Crato, Ceará, a Banda de Pife dos Irmãos Aniceto há mais de dois séculos é uma das mais importantes formações da cultura tradicional popular no Ceará e no Brasil. A Bande de Pife dos Irmãos Anicetos continua a manter e transmitir a singular manifestação cultural que herdou de seus antepassados, revelada nas sonoridades e nos processos de construção de instrumentos musicais com origem no sertão cearense do século XIX.

A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto se destaca na história cultural do Ceará, especialmente da região do Cariri, onde constitui uma herança ancestral da cultura brasileira. A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto representa uma reverência profunda às raízes culturais nordestinas.

A Banda Cabaçal dos irmãos Aniceto já se apresentou duas vezes na França, em Portugal e na Espanha. No ano de 2007 a Banda recebeu a Medalha Ordem do Mérito Cultural (OMC), do Ministério da Cultura, na época entregue pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Siva e o então Ministro da Cultura Gilberto Gil

A Banda dos Irmãos Aniceto surgiu tendo como idealizador José Lourenço da Silva (pai do Mestre Antônio). Na capa dos discos, é usada a denominação “cabaçal” que decorre do fato que antigamente os tambores eram confeccionados de pele de bode estirada sobre cabaças. Outra versão diz que o nome vem um ritual dos índios Kariris, em que tocavam pifanos e queimavam Jurema-preta nas cabaças,

Os irmãos Aniceto lançaram quatro registros fonográficos: o primeiro em 1978, patrocinado pelo Ministério da Educação e Cultura; o segundo em 1999, produzido pela Cariri Discos em parceria com a Equatorial Produções; o terceiro em 2004, intitulado “Forró no Cariri”, e o quarto em 2013, intitulado “Sou Tronco, Sou Raiz”. Também lançaram um DVD, gravado em 2008, no Theatro José de Alencar, registrando a histórica apresentação da Banda Cabaçal em conjunto com a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho.

Originária dos pés de serra e da zona arural do Crato, a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto já alcançou considerável projeção regional, nacional e européia, inclusive brilhando ao lado de Hermeto Pascoal e do Quinteto Violado. Em 1998, participou de uma temporada de um mês e quatro dias no espetáculo “Ciranda dos Homens, Carnaval dos Animais”, do coreógrafo Ivaldo Bertazzo, no Teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.

A mais popular banda cabaçal cearense também participou de filmes e documentários para TV. Exemplo o documentário Raiz Ancestral revela que a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto apresenta os incríveis e performáticos músicos da família. Gerações de uma mesma família mantém a arte de tocar, dançar e representar o Cariri em uma manifestação autêntica, única e original.

Neste ano de 2025 a Banda continua em nova geração de músicos tocadores mostrando como preserva a cultura através de composições inspiradas no trabalho da roça e na observação do cotidiano da vida do sertão. As performances contam com instrumentos de sopro e percussão, como pífanos, zabumba, caixa e pratos de metal, representando toda a originalidade e chamando a atenção universalmente em todos os cantos do planeta.

A MISSÃO da Banda de Pife dos Irmãos Aniceto é de ampliar e transmitir com amor e espírito comunitário seus saberes ancestrais reinventando o Cariri, inspirando novos filhos, sobrinhos e netos que fazem a família Aniceto e a todo mundo que toca e é tocado pela cultura brasileira dos sons e ritmos do pife. 

A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto que já atravessou dois séculos – segue com seus ensinamentos na jornada do tempo da natureza e da cultura.

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