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Em resposta a um artigo de minha autoria neste blog, intitulado Juazeiro e o mito da ‘certidão de nascimento’: o bairrismo como obstáculo ao futuro, Herbert Caffé publicou um texto enaltecendo o currículo de Jorge Khoury, mas apontando confusão e deslealdade em meu texto.
Reconheço em Herbert um gesto admirável: o de ser leal a um amigo. Contudo, como alertava o velho Maquiavel, a política não se faz apenas de lealdades; exige também análises cruas, quase cirúrgicas, da realidade juazeirense.
Eu critiquei o discurso do juazeirense nato como condição de possibilidade para representação na Câmara dos Deputados.
Herbert, esqueceu de dizer que Jorge Khoury inaugurou a civilidade nas relações políticas.
É um gentleman.
Permita-me, Hebert, ponderar: quem julga os personagens públicos é a história; não os amigos.
Jorge Khoury fez escolhas e tomou decisões. Deputado Federal por vários mandatos, aceitou o convite para ser Secretário de Estado e deixando a cidade sem representação na Câmara dos Deputados.
A perspectiva do texto é neste sentido. O paradoxo do discurso que precisamos eleger um filho da terra para a Câmara dos Deputados e, eleito, vai para o cargo de Secretário de Estado.
Coletei dados no site da Câmara dos Deputados e relacionei suas diversas licenças. Escrevi, literalmente, no texto taxado de desleal: É possível que alguém refute meu exemplo com Jorge Khoury e sustente que ele contribuiu significativamente para Juazeiro por meio dos cargos que ocupou nas secretarias do Governo do Estado.
Sim, Jorge Khoury é um grande juazeirense. Contribuiu para a cidade.
Mas não é São Jorge.
Cumpre, e cumpriu, suas missões institucionais de forma remunerada, por nós, contribuintes.
Volto ao tema lealdade. Lealdade é, sem dúvida, é nobreza transcende os sentidos e toca o cerne das relações humanas. Mas é preciso, também, coragem intelectual para ousar perguntar e permitir que se pergunte: “por quê?”.
Pierre Bourdieu dizia que os circuitos de consagração social são tanto mais eficazes quanto maior a distância social do objeto consagrado. Em outras palavras: o que minha mãe, Nélia Costa, pensava de mim tem menor valor crítico do que a opinião de quem não faz parte do meu círculo íntimo.
E eu insisto: por quê?
Talvez porque, como tantos personagens das tragédias clássicas, figuras públicas e seu entorno tendem a confundir hybris com dever.
Prof. Luiz Antonio Costa de Santana, MS.C, Ph.D.
Doutor em Direito (UNLZ)
Doutor em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (UNEB)
Mestre em Dinâmicas do Desenvolvimento do Semiárido (Univasf)
Professor Adjunto da Universidade Federal do Vale do São Francisco - Univasf
Professor Adjunto da da Universidade do Estado da Bahia - UNEB
Advogado
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1 comentário
21 de Jul / 2025 às 09h47
Jorge Koury tem sua história e merece respeito