No dia 10 de dezembro de 2015, durante uma formatura escolar em Petrolina, a menina Beatriz Angélica Mota, de apenas sete anos, foi encontrada morta dentro da escola onde estudava. O crime chocou o Vale do São Francisco e todo o país, produzindo perplexidade e medo entre famílias e alunos. Os primeiros meses foram marcados por investigação incerta, pela tentativa da escola de preservar sua imagem e por um clima de impunidade que inquietava a população. O fato de uma criança ter sido assassinada dentro de uma instituição de ensino, diante de milhares de pessoas, expôs fragilidades profundas e levantou perguntas incômodas sobre prioridades e responsabilidades.
À medida que o tempo avançava, a dor se transformou em mobilização. Sandro e Lucinha, pais de Beatriz, decidiram enfrentar o silêncio com coragem e iniciaram uma jornada que logo se tornou símbolo nacional. O movimento Somos Todos Beatriz nasceu da indignação coletiva e reuniu pessoas de diferentes realidades sociais em atos públicos, vigílias, caminhadas e manifestações. A repercussão atraiu especialistas e pressionou autoridades, culminando até mesmo em uma longa caminhada da família até Recife, gesto que reacendeu a força do clamor popular e obrigou o governo estadual a intensificar as investigações...