Crônica - LÍNGUA, CULTURA E PRECONCEITO: A Diferenciação Linguística no Brasil
A discriminação do nordestino no Sudeste e Sul brasileiros tem razão histórica, uma vez que, a partir de meados do século XIX, a imigração galega e dos nortistas portugueses para o Brasil intensificou-se, a ponto de provocar emulação nos “alfacinhas”(1) já radicados aqui. Dessa forma, o termo “galego”, aplicado tanto ao imigrante da região da Galícia (Espanha) quanto àquele procedente do norte de Portugal, muitas vezes assumia o significado pejorativo de “estrangeiro” em terras brasileiras.
Como os galegos que vinham para o Brasil trabalhavam normalmente em ofícios humildes, o vocábulo “galego” adquiriu conotação negativa, principalmente pela língua falada que, apesar de mais próxima do português do que o espanhol, apresentava evidentes diferenças conotativas e denotativas: “atopei-me con ela” (em português, “encontrei-me com ela”). Quem nunca “topou” numa pedra, quando criança?..
